Pesquisar este blog

ABOUT.ME

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Snowden figura entre los favoritos a recibir el Nobel de la Paz

Snowden figura entre los favoritos a recibir el Nobel de la Paz: Preview


Original enclosures:
actualidad.rt.com

Video aterrador: Descubre cómo crece un tumor canceroso en 3D

Video aterrador: Descubre cómo crece un tumor canceroso en 3D:

Preview
Se trata de la primera vez que el movimiento las células cancerosas y su transformación en tumores se ha podido rastrear de forma continua.


Original enclosures:
56b060a7c46188c26a8b4657.jpg

“Grande mídia” despenca tanto em versão impressa como digital, diz IVC

“Grande mídia” despenca tanto em versão impressa como digital, diz IVC:



decadencia%2Bda%2Bmidia%2Btradicional.jp
A grande ironia é que um dos fatores que estaria contribuindo para empurrá-los ladeira abaixo na circulação/vendas seria a crise econômica, que, pelo menos no Brasil, tem um grande peso de suas publicações catastrofistas sobre o governo Dilma e sobre a situação econômica, produtos, em grande parte, de autênticas mentiras e armações.



No mais é a opção caquética por um jornalismo proselitista, partidário, rasgando assim o princípio e o ideal de um autentico jornal, de um verdadeiro jornalismo, como manda o figurino.


Circulação de jornais da “grande mídia” desaba no impresso e até no digital
Os principais jornais brasileiros experimentaram quedas expressivas de circulação ao longo de 2015, segundo dados do IVC, o Instituto Verificador de Circulação.



O dado mais surpreendente é que a circulação caiu não apenas nas edições impressas, mas também nas digitais – o que revela que as publicações não estariam sabendo como se adaptar à era da internet.



Entre janeiro e dezembro, a Folha caiu 14,1% no impresso e 16,3% no digital, o que gerou queda média de 15,1%, superior à do O Estado de S.Paulo (8,9%) e à de O Globo (5,5%).



Na lista do IVC, que contempla ainda publicações como Correio Braziliense, Zero Hora, A Tarde, O Povo, Valor Econômico, Gazeta do Povo e Super Notícia, todos – sem exceção – caíram. Alguns cresceram no digital, mas partindo de bases pequenas.



Os dados revelam vários fatores. Os jornais, naturalmente, foram afetados pela crise econômica que ajudaram a amplificar. Mas hoje enfrentam uma concorrência crescente de veículos puramente digitais.



Além disso, o modelo de cobrança por conteúdo, dos chamados paywalls (muros de cobrança para quem assina determinada quantidade de artigos), tem tido pouca receptividade no Brasil.



Um outro fator, que pode vir a ser considerado na análise, é o grau de engajamento político dos jornais da imprensa familiar, que passaram a substituir o jornalismo pelo proselitismo político, afugentando uma parcela de seus leitores.



Via Brasil 247

 

Se gostou deste post subscreva o nosso RSS Feedou siga-nos no Twitterpara acompanhar nossas atualizações

*

Lições do assassinato da criança Kaingang

Lições do assassinato da criança Kaingang:











kaingang
[Assis Oliveira] É tempo de ver o invisível de nossa cegueira para com as crianças indígenas.



Quando comecei a estudar e pesquisar sobre as crianças indígenas, seus direitos e realidades, me assustei, de imediato, com o fato delas estarem no topo dos índices sociais em relação às condições de vulnerabilidade e de violação de direitos. Do (não) acesso à escola ao (não) registro de nascimento, dos índices de desnutrição aos números de mortalidade infantil, enfim, estão no topo da marginalização e da exclusão social.

Mas estes índices sociais não falam por si as causas de sua conformação. Para olhar para as crianças indígenas é necessário ampliar a vista para entender as condições de vida de seus povos, e de como as marginalizações e discriminações sociais que os afetam acabam aumentando de intensidade quando chegam até suas crianças.

Por isso ouvi repetidamente de várias lideranças indígenas, quando em pesquisas, que o primeiro direito das crianças é o direito a terra, um direito inexistente no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº. 8.069/90) e na Convenção dos Direitos da Criança (CDC), mas que é fundamental para garantia dos demais direitos que pertencem ao universo das crianças indígenas. Como me dizia uma liderança indígena certa vez: “o direito a terra abre as portas para os outros direitos das crianças”.

O direito a terra, nessa perspectiva indígena, é o direito as condições necessárias para a existência coletiva, para o usufruto étnico do bem viver com base numa noção de territorialidade que repercute diretamente nos aspectos físicos, sociais, culturais, econômicos e ambientais com os quais os povos e suas crianças vão estruturar suas vidas, sempre pensada desde uma perspectiva coletiva ou grupal, mas atenta as situações e especificidades de cada um, sobretudo das crianças.

Ao olhar para as condições de vida das terras Kaingang no Sul do Brasil não é difícil entender como o preceito acima não é garantido. Confinados em poucos hectares de terra, o aumento populacional e a pressão dos agentes externos foram, paulatinamente, minando as condições de sobrevivência apenas com o que a terra lhes pudesse oferecer, com o cada vez menos que a sagrada terra pode lhes oferecer.

Assim, o artesanato Kaingang, antes um aspecto da cultura material utilizado para suprir as necessidades socioculturais internas, depois do contato com o não-indígena – e das consequências negativas aos indígenas devido tal contato – “passou a [ser] produzido quase que exclusivamente para a comercialização e adaptados às necessidades da venda”, como informam Talita Savoro, Ninarosa Silva e Ana Lúcia Nötzord, em um artigo sobre o tema, e complementam “os indígenas saem de suas casas para venderem seus objetos ou trocá-los por alimentos e roupas.”

A ideia do sair de suas casas, de suas terras, significa realizarem um deslocamento – temporário ou permanente – para outro espaço e terra, a do meio urbano, na maior parte das vezes, colocando-se sob o olhar de sujeitos que não compreendem (e nem querem compreender) os motivos de suas migrações e venda de artesanato.

É aqui que encontro Vitor Pinto, a criança Kaingang que foi brutalmente assassinada por um homem enquanto era amamentado pela mãe, no dia 30 de dezembro de 2015, em Imbituba, litoral do estado de Santa Catarina. Como ressalta a Nota de Repúdio do CIMI, publicada um dia depois: “Vítor faleceu em um local que a família Kaingang imaginava ser seguro. As rodoviárias são espaços frequentemente escolhidos pelos Kaingang para descansar, quando estes se deslocam das aldeias para buscar locais de comercialização de seus produtos.”

Numa outra matéria jornalística, publicada pelo Portal G1, Azelene Kaingang complementa a informação, indicando que: “[a] família tinha como destino a cidade de Garopaba, onde ficaria com um grupo de 15 pessoas na Praça da Capivara. Lá dormiriam embaixo das árvores e pela manhã trabalhariam nas praias. Na Aldeia de Condá, à qual pertencem, cerca de 30 pessoas migram para o litoral na temporada.”

Aos não-indígenas, e, no caso, aos não-kaingang, a ideia de vê-los transitando ou morando em “suas” cidades, rodoviárias e praças faz aflorar (ainda mais) a discriminação e o sentimento de ódio (ou desprezo) para com tais sujeitos, acarretando vários cenários de violência física, moral ou psicológica que os cega (ou os blinda) de perceber a violência estrutural que fez com que os Kaingang tivessem que vir para o espaço urbano para buscar sobreviver e dar condições de vida às suas crianças.

Vitor Pinto foi assassinado por um homem, mas são muitas mãos e rostos os responsáveis pelo fatídico destino da família de Vitor Pinto de estar numa rodoviária e de não ter o direito a terra e a preservação de suas condições diferenciadas de vida. Não que não o pudesse estar ali, a questão não é esta. O ponto central não é a liberdade de locomoção, mas a desigualdade social e as barreiras culturais que impedem a afirmação do direito à diferença, num país, num Estado, numa sociedade que ainda acaricia os povos indígenas, como fez o algoz de Vitor, antes de desferi-lhe o golpe covarde – ainda assim um golpe que acredita ser melhor um indígena morto, do que ocupando suas terras, suas cidades e seus modos de vida.

 No exato momento em que li a Nota de Repúdio do CIMI, quando tomei conhecimento do assassinato de Vitor Pinto, lembrei-me de minha ida até a cidade de Maringá, no Paraná, em junho do ano passado, convidado pela Associação indigenista de Maringá (ASSINDI) para ajudar a “apagar o fogo” da celeuma gerada junto ao aparato estatal municipal ante a constante presença de crianças Kaingang e suas famílias nas ruas, ora vendendo artesanato com seus pais, ora pedindo o que os não-indígenas chamam de “esmola” ou dinheiro nos semáforos da cidade.

Numa roda de conversa em que estavam reunidos agentes públicos municipais, eu, membros da ASSINDI e, sobretudo, lideranças e crianças kaingang – estas últimas entretidas com suas brincadeiras – houve o “vaticínio não-indígena governamental” da situação: trabalho infantil de caráter exploratório! “Vender artesanato na rua é colocar a criança em risco”, diziam alguns, “pedir esmola é colocar a criança em risco”, endossavam outros. E os caciques ouviam.

Num dado momento, um deles pediu a palavra, e replicou: “nossas crianças não pedem esmola, só cobram de vocês um pouco da riqueza que tanto exploraram de nossas terras”. “Nossas terras”, indicava o cacique, eram as terras daquela cidade, daquela Maringá que se achava um território não-indígena. E, se agora o é (na mente dos seus moradores), foi porque, muito tempo atrás, outros não-indígenas exterminaram e expulsaram o povo Kaingang que ali residia para explorarem seus recursos naturais.

Outro cacique logo depois pediu a palavra e complementou: “nossas crianças vendem artesanato para aprenderem na prática e para conhecerem mais da língua de vocês e de suas espertezas”. Aprender na prática é uma forma de educação travestida no trabalho que é próprio das culturas indígenas, de seus modos de fazerem suas crianças compreenderem a importância e a função do conhecimento, e terem o domínio prático das questões que se quer ensinar. A “liberdade de praticar” da criança Kaingang a venda do artesanato nas ruas de Maringá, vista como uma negligência familiar pelos não-indígenas, era, aos olhos dos Kaingang, uma forma de zelar pelos seus futuros, atentos à necessidade de aprender no presente os conhecimentos e as habilidades da fabricação e da venda do artesanato. E mais, apontavam todos os Kaingang ali presentes que o verdadeiro risco não era a venda do artesanato pelas crianças, mas o fato de muitas delas terem que passar a noite dormindo debaixo de pontes ou em casas abandonadas, pois o município não tinha uma política de acolhimento temporário das famílias Kaingang e de suas crianças.

É aqui que reencontro pela segunda vez Vitor Pinto. Reencontro-o numa imaginação nostálgica dos momentos finais de sua vida, numa rodoviária em que sua família descansava. E por que descansava ali? Teria outro lugar para ir para poder realizar esse descanso? Para poder colocar Vitor para dormir e dar-lhe condições mínimas de estadia com segurança naquela cidade? E, logo em seguida, o vejo chegando até a cidade de destino, Geropaba, e lá indo dormir embaixo de árvores, num local ermo e que os transeuntes certamente os confundiriam com mendigos no passar apressado da noite, enquanto as crianças Kaingang, dentre elas Vitor Pinto, estariam brincando ou dormindo, tentando esquecer a fome, o frio ou as condições precárias. Não haveria outro local para dormirem? A Prefeitura ou a FUNAI, em nada poderia mudar tal situação eminentemente de risco coletivo? Quais políticas, efetivamente, precisam ser discutidas para os povos indígenas na cidade? Para com suas crianças ante as formas de deslocamento territorial?

Ao olhar para a rodoviária, para as árvores ou para as casas abandonadas, não é no imediato que devemos refletir. Mais do que lugares, estão aí os limites da efetivação da cidadania diferenciada das crianças indígenas, da criança Vitor Pinto em particular. Há, certamente, uma dívida histórica para com os povos indígenas que o Brasil começou a (tentar) pagar com a promulgação da Constituição Federal de 1988, e dos artigos 231 e 232, mas suas crianças continuam a ser excluídas dos direitos que lhes cabem em termos geracionais, dos direitos das crianças e dos adolescentes que carecem de fundamentos normativos e de preparação dos profissionais da rede de proteção para saber lidar com estes outros, com estas crianças, não somente às indígenas, mas também as ribeirinhas, as ciganas, as quilombolas, as de fundo de pasto, as caiçaras, enfim, as crianças da diversidade cultural.

E é como diversidade cultural que gostaria de acabar este artigo. Para além das mazelas sociais que afetam aos povos e às crianças indígenas, é na riqueza de suas diversidades culturais, da pluralidade de forma com que concebem suas crianças e do valor supremo que as mesmas adquirem no cuidado e no zelo para com suas vidas, que reside o verdadeiro legado desses povos e comunidades, especialmente do povo Kaingang.

Essa diversidade é o que falta aos não-indígenas perceber, pois aqui é preciso escutar e sair da posição de quem tudo sabe, para a de quem se predispõe a aprender com o outro o que é o outro. Ou, como coloca Deborah Duprat, trata-se de buscar a compreensão do outro, ao invés da interpretação sobre o outro, na medida em que “[c]ompreender, ao invés de interpretar, é sair do cogito em direção à prática que se

apresenta, e fazê-la falar”. É de encontros e diálogos seriamente interculturais que carecem o Estado e a sociedade brasileira para com as crianças indígenas e seus povos, assim como outras crianças de povos e comunidades tradicionais. Encontros e diálogos que resultem em políticas públicas, direitos e profissionais mais adequados para promoverem suas diversidades e os protegerem das discriminações e marginalizações culturais.

Paradoxalmente, Vitor Pinto foi assassinado numa rodoviária, num lugar de encontros, de reencontros e de partidas. Numa mensagem final, a sua partida nos coloca o dever de encontrar caminhos para que “outros Vitor” não se repitam. Aqui, muito mais do que o assassinato em si, está o descaso, a invisibilidade e a intolerância com que a sociedade e o Estado vêm tratando as crianças indígenas e seus povos, muitas vezes não os matando, mas deixando morrer. Contra isso, não nos resta muitos ônibus a tomar: está no levar a sério os direitos indígenas – e os direitos de povos e comunidades tradicionais – e na participação de crianças, jovens, mulheres, adultos e idosos desses grupos étnicos na construção dos direitos e das políticas para as crianças indígenas!  O que virá será algo novo, sejamos corajosos o suficiente de pegar este ônibus.


Assis Oliveira

Assis Oliveira é autor do livro “Indígenas Crianças, Crianças Indígenas: perspectivas para a construção da Doutrina da Proteção Plural” (Juruá, 2014) e de artigos sobre o tema dos direitos das crianças indígenas, os últimos publicados sendo: “O lúdico em questão: brinquedos e brincadeiras indígenas”, escrito em parceria com William Domingues e Jane Beltrão, e publicado na Revista Desidades, em 2015

[1 ]Assis Oliveira é Professor de Direitos Humanos da Faculdade de  Etnodiversidade da Universidade Federal do Pará

Foto: Pedro Krum/cc . Pés de criança kaingang

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Alibaba To Invest $1.25B In Restaurant Delivery Service Ele.me, Says Report

Alibaba To Invest $1.25B In Restaurant Delivery Service Ele.me, Says Report:

alibaba
 Alibaba will reportedly invest $1.25 billion in Ele.me, a food delivery service based in Shanghai, says financial news site Caixin (link via Google Translate). The deal would Alibaba the startup’s biggest shareholder, with a 27.7 percent stake. Read More


Original enclosures:
139477700.jpg
139477700.jpg?w=150
f80a0e0a6502b4ec4f97f5b3bbd6ac25?s=96&d=identicon&r=G

domingo, 20 de dezembro de 2015

Altamiro Borges: FHC será chamado a depor sobre “petrolão”?

Altamiro Borges: FHC será chamado a depor sobre “petrolão”?: Por Altamiro Borges Na quinta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou a chamada Operação Sangue Negro, que investiga pagamentos de propin...

sábado, 19 de dezembro de 2015

Fachin é a grande decepção do ano no cenário jurídico, por Brenno Tardelli

Fachin é a grande decepção do ano no cenário jurídico, por Brenno Tardelli:

Categoria: 

Justiça




do Justificando

Infelizmente, Fachin é a grande decepção do ano no cenário jurídico

Brenno Tardelli

Foi um ano de muitas surpresas, sem dúvida.

No campo jurídico, no entanto, nada foi mais surpreendente do que a postura do ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal. Para quem não se lembra, o ministro passou por uma das mais difíceis sabatinas da história, com forte oposição e largo apoio de juristas de renome e de movimentos sociais, que buscavam alguém na Corte com um pensamento mais progressista. Ele já havia se candidato algumas vezes e despontava com alguns posicionamentos inovadores, principalmente na área de Direito de Família.

Eis que, depois de tanto desgaste, logo nos seus primeiros meses de corte, Fachin começou a estranhar quem havia lutado tanto para que ele ocupasse a vaga.

Após assistir votos do ministro extremamente complicados do ponto de vista dos Direitos Humanos, especialmente em matérias relativas a Direito Penal e Processual Penal, escrevi um texto “A que veio o Ministro Edson Fachin?”. Naquela época, já destaquei alguns votos de Sua Excelência, como na discussão sobre princípio da insignificância e a constitucionalidade da vaquejada, onde fora a "vanguarda do atraso". Eram momentos de apreensão no Supremo com o julgamento sobre a inconstitucionalidade da criminalização do porte de drogas. O ministro havia pedido vista no julgamento - devolvera o processo semanas depois, quando foi menos decepcionante e votou pela descriminalização da maconha (poderia ter votado por todas, como fez Gilmar, mas, enfim, seria esperar muito).

leia mais

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

dez filmes para quem não tem preguiça de pensar-parte 10

dez filmes para quem não tem preguiça de pensar-parte 10:

dez-filmes-para-quem-nao-tem-preguica-de




Você deve estar imaginando que esta será a última parte pois 100 é um número bem redondo e cheira àquelas listas de jornal ou revistas famosas sobre os 100 filmes mais assustadores de todos os tempos ou os 100 filmes que renderam maiores bilheterias etc
Não! As listas continuarão! Não sei até quando, mas continuarão enquanto houver leitores inflamados e sedentos por filmes para quem não tem preguiça de pensar.




Ler o artigo completo

os dispostos se atraem

os dispostos se atraem:

os-dispostos-se-atraem.html.jpg&w=550&h=




"É preciso que nos entreguemos à paixão que arrepia a pele, gela a espinha, dilata as pupilas, acende fagulhas, pois esses momentos é que eternizarão em nós as lembranças que acalentarão o nosso partir tranquilo. E, se não der certo, sempre haverá novas oportunidades, novos caminhos, novos amores."




Ler o artigo completo

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ser Cunha ou não ser: eis a questão

Ser Cunha ou não ser: eis a questão:

por Tadeu Porto

Sei da heresia. Sei, também, das maldições que o próprio Shakespeare deve me lançar, sabe-se lá da onde, por eu ter ligado o nome do Eduardo Cunha a sua célebre frase… Mas convenhamos: pelo menos com a caveira de Yorick dá uma boa combinação.

Todavia, não vejo oração que se adapte melhor com o contexto atual. Uma indagação filosófica que entra como uma luva de lã numa mão a ser aquecida num inverno que está pra chegar. Afinal, é impossível dissociar o presidente da câmara do processo de golpeachment (créditos para o José Simão da Folha), portanto, a angustia de escolher o caminho do impedimento passa, inclusive, em levar de brinde uma imagem full HD do deputado carioca.

Ou melhor: a alternativa do golpe é irmã siamesa do presidente da câmara.

Esconder Cunha do impeachment, é o mesmo que tentar camuflar um elefante adulto atrás do um eucalipto: é impossível se livrar desse traste. Arrisco dizer que se o George R.R. Martin inventasse um personagem no seu clássico Game of Thrones com nome Eduardo, da casa Cunha - a ratazana branca do Rio de Janeiro - ele terminaria 100 livros sem conseguir matar o mesmo (É engraçado, pois Aécio Neves da Cunha faria parte dessa casa).

E esse, talvez, seja o grande problema da oposição: querer golpear a presidenta escondendo o Cunha do processo, pois ele é sabidamente uma figura nefasta e imoral do nosso espectro político (nojenta mesmo, pra resumir. Confesso que faço careta quando penso nas atitudes dele). Ninguém, em sã consciência, quer qualquer associação aparente com ele.

Mas, afinal, porque é impossível separar Cunha do impedimento?

Vejamos: Quem deu início ao processo, numa movimento mais descarado de chantagem e vingança que essa república talvez tenha visto? Cunha. Ou seja, já colocou suas digitais desde o início.

“Ahhhh sei lá... Temos que investigar mesmo assim. Ele começou, mas é previsto por lei: vamos analisar o crime de responsabilidade pelo impeachment sem ele”, diria alguém a favor do impedimento.

Garanto: ele estará lá mesmo assim.

Pois o segundo passo é montar uma comissão proporcional aos partidos da câmara. Oras, uma comissão parlamentar de inquérito também é montada de maneira semelhante! E adivinha quem colocou aliados em todas as CPI’s construídas esse ano? Cunha! (Se alguém duvida, dê uma olhadinha na relação dele, ou da filha, com Hugo Motta, presidente da CPI da Petrobrás, que deveria investigar os crimes dele mesmo).

[detalhe: tô me sentindo em um daqueles infográficos de impeachment da mídia tradicional dando esse passo a passo]

Então: passada a parte da comissão, se continuar avançando, vamos para os votos da casa. E adivinhem só quem foi acusado de achacar mais de 300 deputados da câmara? Quem manobrou duas votações que perdeu para votar de novo e ganhar? Quem “derrotou” o governo (comemorado pela mídia) em dezenas de seções? De novo, Cunha!

Até aí, se Dudu continuar com a força e a influência do primeiro semestre desse ano, a oposição já vai ter conseguido afastar Dilma por 180 dias. Temer assume e - tchãn, tchãn, tchãn, tchãããn - vai poder barganhar com Cunha o futuro deste no legislativo.

Resumindo: Cunha está inserido do início ao fim no golpechment! Para ele, vai ser como mais um atraso na comissão de ética, mais uma votação no apagar das luzes, mais um achaque para conseguir votos… Cunha vestirá a armadura de Cunha e terá voz e poder num processo que interessa a ele diretamente.

Portanto, querido amigo ou amiga, se você deseja mesmo tirar a Dilma do poder contente-se em abraçar e beijar Eduardo Cunha! Você estará lado a lado com ele, de mãos dadas, caminhando pelos jardins da imoralidade e da ilegalidade!

Quem escolher o caminho “ser impeachment”, “ser golpe”, enfim, “ser Cunha”, vai dar ao nosso futuro cenas mais trágicas que o final de Romeu e Julieta, sem qualquer glamour shakespeariano.

Tá certo, fatos como esses são frutos da árvore democrática, por mais irônico que seja: temos que lidar, inclusive, com a livre expressão do desejo golpista. Mas bem no fundo, no pré-sal das minhas esperanças sonhadoras, tenho convicção que o Brasil construído até aqui não vai permitir que tal coisa seja feita. Não deixaremos que uma figura como Cunha seja protagonista de uma página de qualquer livro decente de história que iremos produzir.

Por isso, vamos trabalhar com afinco, com ou sem dilema, para o golpeachment não passar.

No fim, acredito que até Shakespeare e Martin vão me perdoar por usar referências deles num texto que leva a palavra Cunha dezoito vezes! Foi por uma boa causa :)

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Reuters: Top News

Reuters: World News

Reuters: Arts

Reuters: Sports News

Reuters: People News

Reuters: Entertainment News

Reuters: Technology News