Altamiro Borges: Nem Dilma salva governadora do DEM:
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domingo, 6 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Partidos representam grupos de interesse no poder - | Observatório da Imprensa | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
sábado, 28 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Prefeitos do Psdb
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=637372886284204&set=a.130467950308036.15617.100000344953418&type=1
POR QUE DILMA-2014 VAI PERDER A ELEIÇÃO!
POR QUE DILMA-2014 VAI PERDER A ELEIÇÃO!
O autor que deu título a postagem abaixo é Cesar Maia, um dos muitos jênios tucademos que existem. Em 2010 ele escreveu artigos, analíses, textos e mais textos afirmando que com certeza absoluta José Serra seria eleito no 1º turno da eleição. Bem...não vou nem comentar. A realidade fala por si. Leiam e divirtam-se com mais um delírio do carioca. kkkkk
2. Qualquer mapa georreferenciado mostra isso. Nem Lula em 2006, nem Dilma na garupa de Lula em 2010, se elegeriam sem o interior pobre somado à periferia social urbana. Mas numa democracia de público, o personagem é decisivo num processo eleitoral. Nesse sentido, ele deve representar, em sua coreografia, o eleitor que dá base à sua vitória.
3. Em 2010 Lula foi o candidato disfarçado de Dilma, a ponto de pesquisas identificarem percepções do eleitor que Dilma era a esposa de Lula. A democracia de bens de consumo e o crescimento do PIB pintaram o cenário eleitoral.
4. O ponto de inflexão agora é que, depois de 4 anos, Dilma não tem mais como vestir-se de Lula. Sendo ela um quadro político urbano de esquerda, firmou essa imagem, que procura aprofundar. Por isso vende tanto uma postura anti-ianque no episódio da espionagem. Reforça a imagem do ex-PT e do ex-Lula, exatamente onde o PT e Lula não têm mais hegemonia eleitoral. Reforça o passado.
5. As pesquisas atuais, uma vez georreferenciadas, mostram que os 35% de Dilma ainda sobrevivem pelas regiões do PT e de Lula pós-mensalão-2005. Mas assim mesmo numa curva declinante. Lula, Lula e Dilma, tiveram no primeiro turno 43% dos votos (2002, 2006, 2010). Esses 35% de intenções de voto um ano antes da eleição, sem que os adversários tenham sua visibilidade, com uma economia trôpega e com uma imagem outra vez urbana serão seu teto numa campanha eleitoral.
6. Mas ainda darão para chegar –mancando- no segundo turno. E –uma vez aí- qualquer um dos candidatos que passe para o segundo turno a vencerá, provavelmente com facilidade. Quem duvidar que teste em pesquisa trabalhando cenários e não o passado.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A luta permanente contra as desigualdades sociais
olhar diferente
A luta permanente contra as desigualdades sociais
Noreply@blogger.com (josé Claudio De Paula)
Segunda-feira, Agosto 05, 2013, 3:47 pm
BLOGS DE POLÍTICA
O Partido dos Trabalhadores é o depositário das esperanças e demandas da maioria da população brasileira, mais especificamente de todos os assalariados que possuem, como único bem, sua força de trabalho. Esta representação classista está na origem da existência do PT.
Foi o reconhecimento da limitação da luta sindical que levou os fundadores do nosso partido a iniciar um processo de construção partidária que superasse os limites e, assim, estendesse a todos os trabalhadores brasileiros os direitos restritos a algumas categorias profissionais.
O decorrer do tempo (o PT tem mais de três décadas de fundação) não resolveu todos os problemas dos trabalhadores brasileiros, especialmente porque a estrutura institucional brasileira é montada de modo a assegurar privilégios e manter (e ampliar) as desigualdades sociais e regionais.
Mesmo assim, desde a posse do presidente Lula em janeiro de 2003, o Brasil experimentou um período importante de crescimento econômico com distribuição de renda como nunca havia ocorrido na história de nosso país. Algumas mudanças importantes garantiram a inclusão social de milhões de pessoas e estancaram o processo capitalista de concentração de renda e de riquezas.
Os defensores dos interesses das classes dominantes, inconformados com a mudança de rumo de nossa economia, sempre se opuseram à implantação de mudanças mais profundas e permanentes, que mantivessem a tendência de redução das desigualdades sociais existentes em nosso país, ainda que a distância entre os mais pobres e os mas ricos ainda seja grande.
Em 2000, por exemplo, a renda média dos 20% mais pobres em cada município era de R$ 58. Uma década depois a mesma renda média passou a ser de R$ 103. No mesmo período, a renda média dos 10% mais ricos em cada município passou de R$ 1.484 para R$ 1.894. Ainda que a desigualdade tenha diminuído, a renda dos mais ricos ainda é mais 18 vezes maior do que a dos mais pobres. No ano 2000 essa diferença era de 26 vezes.
Para que a desigualdade tenha diminuído de tamanho foram essenciais as políticas públicas de distribuição de renda promovidas pelo governo federal. Ainda temos muito que avançar. A luta contra as desigualdades sociais deve ser permanente e não pode depender apenas de políticas governamentais. O PT e os trabalhadores brasileiros têm um compromisso com o aprofundamento das mudanças. O futuro, certamente, será de mais justiça social do que os dias atuais e as desigualdades podem ser totalmente eliminadas. Para isso, ainda que as vitórias eleitorais sejam importantes, será essencial a mobilização da parte de baixo da pirâmide social de nosso país em defesa das demandas e reivindicações que reduzam as injustiças sociais ao ponto de elas não mais existirem.
sábado, 13 de julho de 2013
Brasil dará refúgio a 58 colombianos
Agência Brasil
Brasil dará refúgio a 58 colombianos
Nfranco
Saturday, July 13, 2013, 4:45 pm
BRASIL
Da Agência Brasil
Brasília – O Brasil dará refúgio a 58 colombianos, atualmente residentes no Equador, que foram ameaçados de morte em seu país de origem – alguns pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Essas famílias apresentaram o pedido de refúgio no Brasil ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
No Rio Grande do Sul, ficarão assentados 33 refugiados, encaminhados com apoio da Associação Antônio Vieira. Por meio do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Guarulhos (CDDH), o estado de São Paulo receberá os demais colombianos.
Os pedidos foram acolhidos pelo Acnur, cujo programa mundial de reassentamento e refúgio tem participação do Brasil, explicou o coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Virginius Franca Lianza. “O Conare verifica as possibilidades de integração de cada caso em separado. O primeiro ano de moradia das famílias reassentadas é custeado pelo próprio Acnur. Já a sociedade civil realiza a integração local dos refugiados, e o governo brasileiro trata da legalização e proteção dessas pessoas no Brasil.”
O presidente do Conare, Paulo Abrão, destacou que a agenda prioritária do Conare está centrada não somente na análise de mérito dos pedidos de refúgio, mas também na formulação de políticas de integração. De acordo com Abrão, o Conare é responsável pela articulação do sistema de proteção ao refugiado, em todas as suas dimensões, incluindo a formulação de políticas e serviços de atendimento e de integração social.
O primeiro reassentamento de refugiados no Brasil foi feito em 2002, com a chegada de 23 afegãos ao Rio Grande do Sul. Segundo o Conare, atualmente, 467 refugiados estão reassentados em território brasileiro: 324 colombianos, 96 palestino, 27 equatorianos, nove afegãos, três venezuelanas, três apátridas, um congolês, uma costarriquenha, uma iraquiana, uma jordaniana e uma libanesa.
Edição: Nádia Franco
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. É necessário apenas dar crédito à Agência Brasil
sexta-feira, 12 de julho de 2013
O homem que deu o furo da funcionária da Receita que sumiu com o processo contra a Globo
O TERROR DO NORDESTE - RSS
O homem que deu o furo da funcionária da Receita que sumiu com o processo contra a Globo
Friday, July 12, 2013, 4:02 pm
BLOGS DE POLÍTICA
As causas do advogado carioca Eduardo Goldenberg.
O advogado carioca Eduardo Goldenberg, 44 anos, morador da Tijuca, tem algumas dúvidas na vida, mas pelo menos duas certezas: “1) Quem começou a foder o Brasil foi a Globo; 2) O que a Globo quer eu não quero”.
Foi ele quem descobriu a ação do Ministério Público que condenava a funcionária da Receita Cristina Maris Meinick Ribeiro por sumir com o processo contra a Globopar. “Eu vi os artigos sobre a dívida de 600 milhões. Quando disseram que o processo havia desaparecido, fui atrás. Pesquisei no site Consultor Jurídico e em outros lugares até encontrar a história do sumiço”, diz.
Uma vez com o número do processo, escreveu um post no Twitter avisando alguns blogueiros, que deram a notícia. Goldenberg é um farejador incansável e que trabalha sozinho (embora tenha boas fontes). A revelação teve ampla repercussão — mas ele nem sempre foi creditado como autor. “Meus amigos ficaram putos com isso. Eu não. Como não sou pavão, deixei para lá. Muitos desses blogueiros progressistas têm os mesmos vícios dos caras do PIG”.
Eduardo tem um ídolo absoluto: Leonel Brizola. (“Mito”). Se declara brizolista desde os 13 anos. Cita o político gaúcho com fervor e devoção. Conheceu-o depois de pregar uma peça na repórter Renata Ceribelli, que entrevistava a plateia num festival de música em 2000. Renata perguntava às pessoas o que elas estavam achando dos shows, quando chegou a vez de Goldenberg. Ele saca um boné e grita o slogan da campanha de Brizola para a prefeitura do Rio: “Faz um 12, Brizola!”
“Te filie ao PDT!”, disse Brizola para ele no dia seguinte. “Eu nunca quis me filiar. Mas foram conversas que mudaram o rumo da minha cabeça. Quero honrar o sentimento de independência dele”.
Herdou do “Velho”, como o chama, a ojeriza pela Globo. “Os governos têm uma relação promíscua com a Globo. Só o Leonel peitou a Vênus Platinada”. Define essa bronca como ira santa. “A Globo é uma potência mundial. Tenho orgulho de ser bloqueado por eles no Twitter. Nós somos um país dominado pela Globo. Havendo uma chance de contribuir para que os podres dela venham à tona, eu o farei. Por que o Ministério Público não correu atrás da Cristina Maris? Parece que ela teria se valido do direito constitucional de ficar em silêncio. Por quê?”
Não foi a primeira vez que Goldenberg deu um furo. Num domingo, há dois anos, estava tomando cerveja quando um conhecido lhe telefonou contando que Aécio Neves fora parado numa blitz da Lei Seca. Ele pôs no Twitter. “Em 25 minutos, aquilo estava nos jornais do país todo.” Em 2010, publicou em seu blog Buteco do Edu cópias dos editais do Diário Oficial em que as filhas de Soninha Francine eram nomeadas para cargos públicos na prefeitura de São Paulo.
Seu blog tem crônicas, memórias, Brizola, entrevistas, denúncias, Brizola, boas histórias (algumas com o amigão e cliente Aldir Blanc, gênio letrista e outro “indignado permanente”). Goldenberg gosta de advogar e avisa não é colunista, blogprog ou ativista. “A rede, bem usada, mudou a relação de forças. Eu não quero mudar o mundo”, diz. “Só quero fazer um barulhinho”.
KIKO NOGUEIRA
Fonte: DCM
KIKO NOGUEIRA
Fonte: DCM
A arte cínica de fazer o povo de bobo
A arte cínica de fazer o povo de bobo
DIARIO DO CENTRO DO MUNDO 12 DE JULHO DE 2013
Ao longo dos tempos, uma pequeno grupo sempre tenta apresentar como interesse público o que é interesse privado.
O texto abaixo é uma condensação de um ensaio intitulado “Consentimento sem consentimento: a teoria e a prática da democracia”, de um dos maiores intelectuais modernos, o americano Noam Chomsky. O Diário chama a atenção especial para um trecho em que Chomsky fala, apoiado em documentos confidenciais americanos, do golpe militar no Brasil em 1964.
UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA decente deveria ser baseada no princípio do consentimento dos governados. Essa idéia ganhou aceitação geral, mas pode ser contestada tanto por ser muito forte quanto por ser muito fraca. Muito forte, porque sugere que as pessoas devem ser governadas e controladas. Muito fraca, porque mesmo os governadores mais brutais precisam, em certa medida, do consentimento dos governados, e geralmente o obtêm não apenas à força.
Estou interessado aqui em como as sociedades mais livres e mais democráticas têm tratado tais problemas. Durante anos as forças populares têm procurado obter uma fatia maior na administração de seus interesses, com algum sucesso ao lado de muitas derrotas. Entretanto, desenvolveu-se um corpo de pensamento para justificar a resistência da elite à democracia.
Essas questões foram tratados há 250 anos por David Hume em obra considerada clássica. Hume estava intrigado com “a facilidade com que os muitos são governados pelos poucos e a submissão implícita com que os homens cedem os seus destinos aos seus governantes”. Achava tal fato surpreendente, pois “a força sempre está do lado dos governados”. Se as pessoas se dessem conta disso, sublevar-se-iam e derrubariam seus governantes. Chegou à conclusão de que o governo está baseado no controle de opinião.
Os governados têm o direito de consentir, mas nada mais além disso. A população é deespectadores, e não de participantes. Assim é a arena política. A população deve ser inteiramente excluída da arena econômica, na qual em grande parte se determina o que acontece na sociedade.
Tais questões só ganharam força especial a partir do primeiro levante democrático na Inglaterra do século XVII. A agitação da época é freqüentemente descrita como um conflito entre Rei e Parlamento, mas na verdade parte significativa da população não queria ser governada por qualquer dos concorrentes ao poder, mas “por cidadãos como nós, que conhecem nossas necessidades, e não por fidalgos e cavalheiros, que desconhecem as necessidades do povo e irão somente nos oprimir”, como declaravam em seus panfletos.
Tais idéias perturbaram os homens da melhor qualidade, como eles mesmos se intitulavam. Estavam preparados para conceder direitos ao povo, mas dentro de limites e ancorados no princípio de que “por povo não queremos dizer a ralé confusa e ignorante”, explicavam.
Mas como esse princípio fundamental da vida social poderia ser reconciliado com a doutrina do consentimento dos governados, doutrina que já não era então fácil de ser suprimida?
Uma solução para o problema foi proposta por Hutcheson, famoso filósofo moral contemporâneo de Hume. O filósofo argumentava que o princípio do consentimento dos governados não é violado quando os governantes impõem planos que são rejeitados pelo público, se mais tarde as massas “estúpidas e preconceituosas” consentirem calorosamente com o que foi feito em seu nome. Podemos adotar o princípio do consentimento sem consentimento.
Este ponto foi aprimorado nos Estados Unidos. Na Guerra das Filipinas, a imprensa afirmou que o americano estava massacrando os nativos à moda inglesa. Para dar a isso um tom adequadamente civilizado, um ensaísta americano engendrou seu próprio conceito deconsentimento sem consentimento: “Se em anos vindouros [o povo conquistado] vier a admitir que a disputa fora pelo mais alto interesse de todos, será possível sustentar razoavelmente que a autoridade foi imposta com o consentimento dos governados, da mesma forma quando um pai impede a criança de correr para uma rua movimentada”.
A enorme indústria de Relações Públicas tem se dedicado ao controle da mente pública, como os líderes do mundo dos negócios descrevem a tarefa.
Alguns anos depois de Hume e Hutcheson os descreverem, os tumultos da massa popular na Inglaterra estenderam-se às colônias rebeldes da América do Norte. Os Pais da Pátria (Founding Fathers) também se sentiram perturbados, como os britânicos da melhor qualidade e quase com as mesmas palavras. Como um deles disse: “Quando menciono o público, eu quero dizer que aí incluo só a parte racional. O vulgar ignorante é tão incapaz de julgar os modos [do governo] como é incapaz de manejar suas rédeas”.
“O povo é uma grande besta que precisa ser domada”, declarou Alexander Hamilton. Fazendeiros rebeldes e independentes tinham de ser ensinados, às vezes à força, que os ideais dos panfletos revolucionários não deveriam ser levados demasiadamente a sério. O povo comum não poderia ser representado por cidadãos como eles mesmos [do povo], que sabem de suas agruras, mas por homens responsáveis.
A doutrina reinante foi expressa claramente por John Jay, presidente da Corte Suprema e do Congresso: “As pessoas que possuem o país deveriam governá-lo”. Resta uma questão: quem é o dono do país?
Os Estados Unidos são certamente o caso mais importante para se analisar, se quisermos entender o mundo de hoje e de amanhã. Uma razão é o seu poder incomparável. Outra, as suas instituições democráticas estáveis. Ao estudar história, não se pode construir experimentos, mas os Estados Unidos estão tão próximos quanto possível de um caso ideal de democracia capitalista de Estado.
O seu principal designer foi um astuto pensador político: James Madison. Madison salientou, nos debates sobre a Constituição, que se as eleições na Inglaterra “fossem abertas a todas as classes da população, o patrimônio dos proprietários de terra seria inseguro”. Uma lei agrária logo teria lugar, “dando terra aos sem-terra”. A responsabilidade primeira do governo é “proteger a minoria dos opulentos contra a maioria”, declarou Madison.
Madison previu que a ameaça da democracia provavelmente se tornaria mais aguda com o tempo devido ao aumento na “proporção daqueles que trabalham sob todas as agruras da vida e, secretamente, desejam uma distribuição mais eqüitativa de suas bênçãos”. Madison temia que esse contingente pudesse se tornar influente. Ele estava preocupado com os “sintomas de um espírito de nivelamento”, que já aparecera e advertiu sobre o “perigo futuro”, se o direito de voto colocasse o “poder sobre a propriedade nas mãos dos que não tinham parte nela”. Não se pode esperar que “aqueles sem propriedade ou com esperança de adquiri-la concordem suficientemente com seus direitos”, explicou Madison. Sua solução era manter o poder político nas mãos daqueles que “procedem da e representam a riqueza da nação, o conjunto de homens mais capazes”, em suas palavras, com o povo fragmentado e desorganizado.
O problema do espírito de nivelamento surge também no exterior, naturalmente. Aprendemos um bocado sobre a teoria democrática realmente existente, vendo como tal problema é percebido, especialmente em documentos internos secretos, nos quais os líderes podem ser mais francos e mais abertos.
Tomem o exemplo importante do Brasil, o colosso do Sul. Em visita realizada ao país em 1960, o presidente Eisenhower assegurou aos brasileiros que “o nosso sistema de empreendimento privado socialmente cônscio beneficia o povo todo, donos e trabalhadores igualmente. Em liberdade, o trabalhador brasileiro fica feliz, com as alegrias da vida dum sistema democrático”.
Mas os brasileiros reagiram rispidamente às boas novas trazidas pelos seus tutores do norte. As elites latino-americanas são “como crianças”, informou o secretário de Estado John Foster Dules ao Conselho Nacional da Segurança, “praticamente sem capacidade para autogoverno”. Pior ainda, os Estados Unidos estão “muito mais atrasados que os soviéticos no controle sobre as mentes e emoções de povos não-sofisticados”.
Em outras palavras, achavam difícil induzir as pessoas a aceitar a doutrina americana de que os ricos devem pilhar os pobres, um problema de relações públicas ainda não resolvido.
O governo Kennedy enfrentou o problema mudando a missão das Forças Armadas da América Latina, que era de defesa hemisférica, para segurança interna, decisão que gerou conseqüências fatais, a começar pelo golpe militar no Brasil. As Forças Armadas brasileiras tinham sido consideradas por Washington como uma ilha de sanidade no país, e o golpe foi saudado pelo embaixador de Kennedy, Lincoln Gordon, como uma rebelião democrática.
“É a única vitória mais decisiva da liberdade na metade do século XX”, disse ele. Economista pela Universidade de Harvard, Gordon acrescentou que a vitória deveria “criar um clima muito melhor para investimentos privados”, dando uma visão mais aprofundada do sentido dos termos liberdade e democracia. Proteger o investimento privado dos Estados Unidos e o comércio é a raiz econômica que está no âmago do interesse político dos Estados Unidos na América Latina.
O exposto foi extraído de documentos secretos. O discurso público é, naturalmente, bem diferente. Se nos ativermos a ele, entenderemos pouco sobre o significado real de democracia, ou sobre a ordem global dos anos passados, bem como sobre o futuro, uma vez que as mesmas mãos continuam segurando as rédeas.
O padrão continua hoje. A violadora campeã dos direitos humanos no hemisfério é a Colômbia, também a principal destinatária da ajuda e do treino militar dos Estados Unidos nos anos recentes. O pretexto usado é a guerra às drogas, mas isso é um mito, como regularmente relatam grupos de direitos humanos que têm investigado o chocante número de atrocidades e os laços estreitos entre traficantes de narcóticos, proprietários de terras, militares e paramilitares. O terror estatal devastou organizações populares e virtualmente destruiu o único partido político independente, assassinando milhares de ativistas, inclusive candidatos à presidência. Não obstante, a Colômbia é saudada como uma democracia estável, revelando mais uma vez o que significa democracia.
Meus comentários sobre as raízes madisonianas dos conceitos predominantes de democracia foram injustos num aspecto importante. Assim como Adam Smith e outros fundadores do liberalismo clássico, Madison foi pré-capitalista, e anticapitalista em espírito. Esperava que os governantes fossem “estadistas iluminados” e “filósofos benevolentes”, cuja sabedoria saberia discernir os verdadeiros interesses de seu país.
Madison, porém, logo percebeu o contrário: a minoria opulenta prosseguiu usando seu recém-adquirido poder, como Adam Smith havia descrito alguns anos atrás. Eles estavam decididos a perseguir o que Smith chamou de máxima vil dos patrões: “Tudo para nós e nada para o povo”. Por volta de 1792, Madison advertiu sobre o crescente estado capitalista em evolução estar “colocando a motivação de interesse privado no lugar do dever público”, levando à “real dominação dos poucos sob a aparente liberdade dos muitos”.
“É a minoria inteligente de homens responsáveis que deve controlar a tomada de decisões”, afirmou em meados do século passado o jornalista Walter Lippmann, em seus influentes ensaios sobre democracia. Lippmann foi também a figura mais respeitada do jornalismo norte-americano e célebre comentarista de assuntos públicos durante meio século. “A minoria inteligente é uma classe especializada, responsável pelo estabelecimento da política e pela formação de uma sólida opinião pública”, postulou Lippmann. “Ela deve estar livre de interferência do povo, que é de estranhos intrometidos e ignorantes”.
O público tem de ser “posto no seu lugar”, continuou Lippmann: “sua função é ser espectador de ação e não de participante, a não ser em práticas eleitorais periódicas, quando ele escolhe entre a classe especializada“.
Na Enciclopédia de Ciências Sociais, Harold Lasswell, um dos fundadores da ciência política moderna, advertiu que “a minoria dos inteligentes” precisa reconhecer a “ignorância e estupidez das massas” e não “sucumbir aos dogmatismos democráticos de os homens serem os melhores juizes de seus próprios interesses. Eles não são os melhores juizes, nós é que somos. As massas precisam ser controladas para seu próprio bem, e em sociedades mais democráticas, nas quais a força não é disponível, os gerenciadores sociais precisam se voltar amplamente para uma técnica de controle completamente nova, grandemente através da propaganda”.
Mas a grande besta é difícil de ser domada. Repetidamente tem-se pensado que o problema foi resolvido e que o fim da história foi alcançado, numa espécie de utopia dos patrões.
Isso lembra um momento notável das origens da doutrina liberal no começo do século XIX, quando Ricardo e Malthus , entre outras grandes figuras da economia clássica, anunciaram que a nova ciência tinha provado, com a certeza das leis de Newton, que os pobres só eram prejudicados quando tentávamos ajudá-los; e o melhor presente que poderia ser oferecido às massas sofredoras seria libertá-las da ilusão de que têm direito à vida.
Perto da década de 1830 parecia, na Inglaterra, que tais doutrinas tinham vencido. Mas surgiu um problema imprevisto: as massas não-inteligentes começaram a inferir: “Se não temos o direito de viver, então vocês não têm o direito de governar”. O exército britânico teve de enfrentar tumultos e desordem, e logo uma ameaça ainda maior se esboçou, quando os trabalhadores começaram a se organizar exigindo leis de fábrica e legislação social para protegê-los.
Mais para o fim do século, parecia a muitos que a ordem havia sido restabelecida, embora alguns discordassem. O famoso artista William Morris ultrajou a opinião respeitável ao declarar-se socialista numa palestra em Oxford. Ele reconhecia que “era opinião aceita que o sistema competitivo, ou salve-se quem puder, é o último sistema de economia que o mundo verá; é um sistema perfeito e, portanto, a finalidade foi com ele atingida”. “Mas se realmente a história está no fim”, continuou ele, “então a civilização morrerá”. Morris recusava-se a acreditar nisso, a despeito de proclamações confiantes dos homens mais doutos. Ele tinha razão, como as lutas populares o demonstraram.
Jamais houve e nem haverá motivo para acreditar que somos coagidos por leis sociais misteriosas e desconhecidas, e não por decisões simplesmente tomadas dentro de instituições sujeitas ao desejo humano – instituições humanas que têm de enfrentar o teste da legitimidade e que, se forem reprovadas, podem ser substituídas por outras, mais livres e mais justas, como freqüentemente ocorreu no passado.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
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