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sexta-feira, 12 de julho de 2013

TODA MÃE MERECE O ADEUS DE SEU FILHO

 Fabrício Carpinejar

TODA MÃE MERECE O ADEUS DE SEU FILHO


Minha secretária Cléo chegou no trabalho chorando um dia desses. 

Sua filha tinha saído de casa sem se despedir.

Sua filha tinha pego todas as suas coisas enquanto ela estava comigo.

Sua filha não deixou nem um bilhete. 

Sua filha aproveitou a ausência para chamar o caminhão de mudança e fazer o frete em segredo. 

Sua filha limpou os armários e o quarto. Como uma ladra. Como uma desconhecida. 

Sua filha foi morar com o marido e não deu um único abraço de tchau. 

Toda uma vida sendo cuidada, sendo sustentada, sendo alimentada, sendo amada e nem um beijo de despedida. 

Nem um pedido de desculpa, nem um pedido de agradecimento.

Nem um aceno de mão na janela. 

Custava esperar a mãe voltar do serviço, custava explicar o que estava acontecendo, custava olhar nos olhos antes de seguir seu caminho?

Não há nada mais triste do que ser abandonado pelos filhos. 

Os filhos pensam que os pais estão contra eles. 

Os filhos pensam que os pais aguentam qualquer coisa.

Os filhos pensam que os pais superam tudo. 

Os filhos pensam que os pais já estão ultrapassados.

Os pais só pensam diferente, mas continuam amando igual. 

Por mais que doa, ninguém se torna adulto sem aprender a se despedir.

Toda mãe merece o adeus do filho. 

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (12/7) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:


sábado, 6 de julho de 2013

Se derem vez ao morro, toda cidade vai cantar

Se derem vez ao morro, toda cidade vai cantar

por Jânio de Freitas


Prejudicar manifestações de interesse público seria manifestar-se também, mas em marcha a ré
Se as arruaças de marginais forem motivo para opor-se à continuação das manifestações pacíficas, como se começa a perceber, estará dada aos governos e suas polícias a solução mais fácil contra os protestos e reivindicações. É só incentivar baderneiros. Ou, ainda mais simples, não os reprimir.

Os ataques a bens públicos e a quebradeira são revoltantes. Mas fazem parte da movimentação de protesto em sociedades com presença grande de marginalidade e delinquência. No Brasil temos vários outros casos de oportunismo arruaceiro na violência de torcidas violentas, em festas de massa como a Virada Cultural paulistana e mais. Nem por isso se acabaram os eventos.
As manifestações provocadas pelas passagens de ônibus já trouxeram resultados muito além de sua motivação. A partir dos R$ 0,20 nas passagens, estamos discutindo questões institucionais complexas. Seja o que for que daí resulte, esses temas não terão recuo, deles só se irá adiante, mais cedo ou mais tarde.
É difícil controlar as arruaças. Mas prejudicar, por isso, manifestações de interesse público seria manifestar-se também, mas em marcha a ré.
A CORRERIA
Uma gloriosa exibição de cinismo coletivo --assim se define a repentina eficiência da Câmara e do Senado, demonstrada até na quantidade de horas de atividade parlamentar, além das aprovações de projetos já amarelados pelo tempo e pela perversão política.
As duas Casas do Congresso cumprem o seu dever de ouvir as ruas, dizem os dirigentes do Senado e da Câmara, com ares de pessoas ocupadas. Nos plenários, amplíssimas maiorias aprovam o que frearam ou recusaram, como no episódio inigualável dos ruralistas dando votos favoráveis ao projeto, que os levava à ira, contra o trabalho análogo à escravidão no campo.
Até quando trabalha, o atual conjunto de congressistas é a negação de um Congresso ao menos minimamente respeitável.
O BOM-SENSO
Quatro helicópteros, inúmeros carros e motos da PM, contingentes de repórteres e fotógrafos, todos acompanhando metro a metro a passeata de moradores da Rocinha à moradia de Sérgio Cabral, na praia do Leblon. Tudo preparado pela certeza de uma baderna daquelas.
A PM não deixou que a passeata se aproximasse do acampamento montado, e permitido, por um grupo da classe média diante do prédio de Cabral. Agora, na certa viria o choque. Outra frustração: a passeata apenas tomou o caminho de volta, sob a mesma vigilância. Se alguma coisa foi quebrada, nos dois percursos, é o pé de quem pisou em um dos buracos da avenida Niemeyer recém-recapeada.
A Rocinha perdeu a viagem, mas quem não estava na passeata perdeu muito mais. A mensagem levada a Cabral era uma demonstração prática, e fundamental, da distância entre as alturas políticas e a realidade social: "Não precisamos de teleférico, use esse dinheiro para o saneamento de que nós precisamos". O planejado pelos governos estadual e federal é assim: no alto o bondinho suspenso, embaixo os valões de esgoto aberto entre as casas.
Não houve a baderna, logo, ninguém se interessou pelo que merecia interesse
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