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domingo, 29 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Pirando a madame | Blog da Cidadania
Pirando a madame | Blog da Cidadania: "© 2013 Blog da Cidadania • Powered by WordPress & Mimbo "
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
TODA MÃE MERECE O ADEUS DE SEU FILHO
Fabrício Carpinejar
TODA MÃE MERECE O ADEUS DE SEU FILHO
Friday, July 12, 2013, 1:24 pm
CULTURA
Sua filha tinha saído de casa sem se despedir.
Sua filha tinha pego todas as suas coisas enquanto ela estava comigo.
Sua filha não deixou nem um bilhete.
Sua filha aproveitou a ausência para chamar o caminhão de mudança e fazer o frete em segredo.
Sua filha limpou os armários e o quarto. Como uma ladra. Como uma desconhecida.
Sua filha foi morar com o marido e não deu um único abraço de tchau.
Toda uma vida sendo cuidada, sendo sustentada, sendo alimentada, sendo amada e nem um beijo de despedida.
Nem um pedido de desculpa, nem um pedido de agradecimento.
Nem um aceno de mão na janela.
Custava esperar a mãe voltar do serviço, custava explicar o que estava acontecendo, custava olhar nos olhos antes de seguir seu caminho?
Não há nada mais triste do que ser abandonado pelos filhos.
Os filhos pensam que os pais estão contra eles.
Os filhos pensam que os pais aguentam qualquer coisa.
Os filhos pensam que os pais superam tudo.
Os filhos pensam que os pais já estão ultrapassados.
Os pais só pensam diferente, mas continuam amando igual.
Por mais que doa, ninguém se torna adulto sem aprender a se despedir.
Toda mãe merece o adeus do filho.
Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (12/7) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:
sábado, 6 de julho de 2013
A primeira manifestação
Posted: 05 Jul 2013 08:00 PM PDT
— Senhor?
— Pois não?
— Adão na linha sete.
— Pode passar.
— Sim, Senhor.
— Alô?
— Tudo. E o Senhor?
— Tudo em ordem. Diga.
— Será que o Senhor pode me emprestar uma meia dúzia de anjos?
— Será que Eu posso emprestar o quê?
— Alguns dos seus anjos. Aqueles que andam com espadas de fogo. É só por algumas horas.
— Para que você precisa deles?
— Bem, é que a coisa está um pouco feia aqui embaixo, estou precisando de uma ajuda.
— O que aconteceu?
— Não sei se o Senhor tem acompanhado, mas estão acontecendo alguns protestos aqui no Paraíso.
— Protestos?
— Isso. Começaram há alguns dias, e estão cada vez piores.
— Mas quem está protestando? E contra o quê?
— Bem, são os macacos. Eles dizem que não concordam com a atual situação política do Paraíso.
— Isso não faz sentido.
— Então, eu não sei. Estou apenas repetindo o que eles ficam gritando. A primeira vez que eles protestaram, eu fui conversar com eles e foi isso o que eles me disseram.
— E o que você respondeu?
— Eu? Eu não respondi nada. Eu não sei o que é “situação política”. Mas se eu falasse isso para eles, a coisa iria ficar feia para o meu lado. Então eu disse que ia ver o que podia ser feito. Fui embora e fiquei torcendo para que, no dia seguinte, eles tivessem arrumado outra coisa para fazer.
— Mas não arrumaram.
— Não. Pelo contrário, os protestos aumentaram. Então, se o senhor puder me emprestar uns anjos por algumas horas, só para eu me garantir aqui…
— Mas eles não pediram nada específico?
— Pelo que eu entendi, eles querem o direito de cuidar do Paraíso.
— Eles querem o quê?
— Cuidar do Paraíso. Os macacos alegam que, como eu sou um primata igual a eles, eles também têm o direito de cuidar de tudo aqui embaixo.
— Mas você explicou a eles que cuidar do Paraíso não é um direito, mas sim um dever? É a sua tarefa?
— Sim, mas eles responderam que sabem que eu ganho vinte cocos por mês e querem isso também. Eu disse que se eles acham que eu estou aqui tomando conta do Paraíso por causa disso, estão muito enganados. Falei que não é apenas por causa de vinte cocos.
— Fez bem. Fez muito bem. O que mais você disse?
— Expliquei que eu não cuido do Paraíso apenas para ganhar vinte cocos, mas sim vinte cocos, três peixes e um cacho de bananas. E que eles deveriam se informar melhor antes de protestar.
— Você o quê?!
— Bom, eu não sabia o que dizer, eu estava meio nervoso. Um monte de macacos me cercando e gritando comigo, eu não ia ser louco de mentir ali. Mas eu sei que não ajudou muito, porque quando eu disse isso, eles enlouqueceram de verdade. Achei que fossem me matar, disseram que eu estou desviando recursos do Paraíso e que tenho privilégios demais.
— Adão…
— Bom, a coisa ficou feia. Por isso que estou pedindo Sua ajuda. Uma das facções dos macacos inclusive ameaçou tomar o poder à força.
— Uma das facções? Como assim, facções?
— Desde que os protestos começaram, os macacos se dividiram em duas facções diferentes. Antes, era um grupo só, com todos os macacos. Mas parece que os babuínos brigaram com os outros e se separaram. Então, não são mais apenas os macacos protestando. São dois grupos diferentes de macacos. Um tem somente os babuínos, e o outro é formado pelo resto dos macacos. Todos estão protestando contra mim, mas não são aliados.
— Não?
— Não. Aliás, parece que se odeiam. Ficam gritando para eu entregar meu cargo. Ao mesmo tempo, ficam brigando entre si, para ver qual grupo vai assumir meu cargo. Mas a coisa está ficando cada vez maior.
— Como assim?
— Ontem eles resolveram protestar aqui na frente da minha caverna. Passaram a tarde inteira aqui na porta, gritando que exigem uma reforma política e que chegou a vez deles cuidarem do Paraíso. A hora que eu olhei, tinha uma multidão aqui na frente, todos gritando e com folhas de bananeira com os nomes das facções escritos.
— Nomes?
— Isso. As duas facções tem nomes. Eles prendem as folhas de bananeira em galhos de árvores e ficam usando como se fossem bandeiras.
— Mas que nomes eles deram a isso?
— Aquela que tem todos os macacos chama Paraíso Total, mas como não cabe isso na folha de bananeira, eles desenham uma estrela e colocam as iniciais no meio. Fica escrito lá, PT, no meio da estrela. A outra, a dos babuínos, se eu não me engano, é PSDB.
— PS o quê?
— PSDB. Paraíso Somente Dos Babuínos. E, olha, acho que os babuínos estão com o apoio de alguns pássaros também, porque desde ontem eles têm um tucano pousado em cima de cada bandeira. Mas parece que só os tucanos aderiram a um dos grupos. Os outros animais não querem nem saber.
— Ainda bem.
— Mas, mesmo assim… acho que ontem todos os macacos do Paraíso estavam aqui. Nem sabia que tinha tanto macaco aqui embaixo. Ficaram horas aqui na frente, gritando… Como era mesmo? Ah sim, “Adão, fique esperto! Vamos tomar o Paraíso!”. Aí eu saí para falar com eles.
— Certo. E aí?
— Eu disse a eles que, se fossem protestar, ao menos encontrassem um grito que rimasse, para não ficar tão ridículo.
— Oi?
— Na verdade, eu fiz uma proposta: se eu mostrasse a eles palavras que rimam com “Paraíso”, eles poderiam usá-las à vontade, desde que fossem protestar longe da caverna. E, para mostrar que eu estava disposto mesmo a negociar, disse que confiaria neles e, para mostrar minha boa fé, contei que “Paraíso” rima com “juízo” e também com “aviso”. E que se eles concordassem em ir gritar lá perto do lago, eu mostraria outras palavras.
— Essa foi sua proposta?!
— Sim.
— E eles?
— Começaram a me bater com as bandeiras e gritar que eu sou ladrão. Tive que entrar correndo na caverna.
— Sabe, Adão, às vezes você não se ajuda muito.
— Bom, achei que se eu mostrasse que estou disposto a ajudá-los, eles poderiam entender que eu estou do lado deles… Mas não deu certo. E pior que passaram a usar minha rima. O pessoal dos babuínos ficou gritando que “Queremos juízo, em todo Paraíso!” e os outros macacos respondiam que “Adão, um aviso: este é o nosso Paraíso!”.
— Parabéns, Adão. Parabéns. Você lidou extremamente bem com a situação.
— O Senhor acha?
— Evidente que não!
— Bem, o protesto acabou logo em seguida, de qualquer maneira. Eles começaram a competir para ver quem gritava mais alto, até que começaram a brigar entre eles, como sempre. Acho que acabaram se esquecendo de mim. Ficaram umas duas horas brigando aqui na frente da caverna.
— Entendi.
— Aí quando eles foram embora, eu que tive que limpar tudo, claro. Porque é assim: todo mundo quer tomar conta do Paraíso, mas na hora de recolher as coisas do chão, sobra para quem? Para mim, claro.
— Claro.
— Os macacos nem se importam com a sujeira que fazem. Acho que é por isso que os outros animais nem querem chegar perto disso. Sabem que os macacos se importam somente com eles.
— Sim.
— Na verdade… bem…
— Diga.
— Eu não entendo muito de política, mas a impressão que tenho é que os dois grupos são exatamente iguais. A sensação eu tenho é que cada um quer mandar no Paraíso somente para impedir que a outra facção esteja no poder.
— Talvez você esteja certo.
— E eles não parecem muito preocupados com o Paraíso. Eles ficam tentando usar os protestos para conquistar o apoio dos outros animais. Mas, ao mesmo tempo, cada grupo fica o tempo inteiro acusando o outro de fazer justamente isso.
— Sim.
— Mas, como eu disse, eles devem voltar hoje, então estou precisando de uns anjos aqui. Com espadas de fogo e tudo mais. Se algum deles souber fazer aquele lance de transformar em sal também, pode ser uma boa.
— Adão, eu não vou emprestar anjo algum. Não é assim que se controla uma manifestação.
— Mas eles ficam gritando aqui na frente da caverna, dizendo que estou roubando o Paraíso. Não tenho como ignorar isso!
— Eu não vou reprimir um protesto com violência.
— Bem, o que eu faço então? Eles vão vir aqui todos os dias, até conseguirem o que querem.
— Você sabe se as facções têm um líder?
— Não faço ideia. Quer dizer, devem ter. Mas não posso imaginar quais macacos ali são os chefes.
— Certo. Eis o que Eu quero que você faça.
E, no dia seguinte, Adão fez exatamente o que Deus havia falado. Assim que os manifestantes apareceram na frente da caverna, ele convocou os líderes para uma conversa.
Logo, um babuíno e um chimpanzé se apresentaram. Sentados dentro da caverna, Adão explicou que conversara com Deus e estava disposto a entregar o cargo a um dos dois grupos. Os dois macacos se agitaram, mas foram interrompidos por Adão, que avisou: o cargo seria entregue à facção que estivesse mais comprometida com o Paraíso. E que a única maneira de provar isso seria administrar o Paraíso sem nenhuma regalia. Nada de cocos, nada de peixes.
E, principalmente, nada de bananas.
Os líderes não pareceram muito felizes com a proposta de cuidar do Paraíso inteiro sem ganhar nada em troca. Ambos saíram para conversar com os respectivos companheiros e, menos de dez minutos depois, tanto os macacos do PT como os do PSDB comunicaram que estavam desistindo da manifestação e que não tinham mais interesse em governar o Paraíso. Enrolaram suas bandeiras e partiram de volta para a floresta, cuidar de suas vidas.
No dia seguinte, ninguém lembrava mais de facções ou dos protestos no Paraíso.
A não ser, claro, a serpente.
Desde que as manifestações começaram, a serpente havia discretamente fundado uma terceira facção, batizada de Pecado no Paraíso (ou PP) e que vinha ganhando cada vez mais poder nos bastidores. Isso porque, no início dos protestos, a serpente secretamente se tornou aliada das duas facções maiores. Assim, passou os últimos dias aconselhando os líderes das principais facções — nenhum deles, claro, sequer desconfiava que ela fazia o mesmo do outro lado — e aumentando o ódio de um grupo pelo outro.
Seu plano era perfeito. Na pior das hipóteses, uma das facções assumiria o poder e ela conseguiria um cargo de secretário; na melhor das hipóteses, os dois grupos se desgastariam tanto com os outros animais que criaria o cenário perfeito para que ela se lançasse como candidata ideal a governar o Paraíso.
Contudo, com a desistência dos macacos em tomar o poder, teve que adiar seus planos. Mas não desistiria. A política era o modo ideal de aumentar o seu poder. Se não no Paraíso, em outro lugar, no futuro.
Além disso, tinha certeza de que o slogan da sua campanha política — “rouba, mas faz” — era bom demais para ser jogado fora.

— Pois não?
— Adão na linha sete.
— Pode passar.
— Sim, Senhor.
— Alô?
— Oi, Adão. Tudo bem?
— Tudo em ordem. Diga.
— Será que o Senhor pode me emprestar uma meia dúzia de anjos?
— Será que Eu posso emprestar o quê?
— Alguns dos seus anjos. Aqueles que andam com espadas de fogo. É só por algumas horas.
— Para que você precisa deles?
— Bem, é que a coisa está um pouco feia aqui embaixo, estou precisando de uma ajuda.
— O que aconteceu?
— Não sei se o Senhor tem acompanhado, mas estão acontecendo alguns protestos aqui no Paraíso.
— Protestos?
— Isso. Começaram há alguns dias, e estão cada vez piores.
— Mas quem está protestando? E contra o quê?
— Bem, são os macacos. Eles dizem que não concordam com a atual situação política do Paraíso.
— Isso não faz sentido.
— Então, eu não sei. Estou apenas repetindo o que eles ficam gritando. A primeira vez que eles protestaram, eu fui conversar com eles e foi isso o que eles me disseram.
— E o que você respondeu?
— Eu? Eu não respondi nada. Eu não sei o que é “situação política”. Mas se eu falasse isso para eles, a coisa iria ficar feia para o meu lado. Então eu disse que ia ver o que podia ser feito. Fui embora e fiquei torcendo para que, no dia seguinte, eles tivessem arrumado outra coisa para fazer.
— Mas não arrumaram.
— Não. Pelo contrário, os protestos aumentaram. Então, se o senhor puder me emprestar uns anjos por algumas horas, só para eu me garantir aqui…
— Mas eles não pediram nada específico?
— Pelo que eu entendi, eles querem o direito de cuidar do Paraíso.
— Eles querem o quê?
— Cuidar do Paraíso. Os macacos alegam que, como eu sou um primata igual a eles, eles também têm o direito de cuidar de tudo aqui embaixo.
— Mas você explicou a eles que cuidar do Paraíso não é um direito, mas sim um dever? É a sua tarefa?
— Sim, mas eles responderam que sabem que eu ganho vinte cocos por mês e querem isso também. Eu disse que se eles acham que eu estou aqui tomando conta do Paraíso por causa disso, estão muito enganados. Falei que não é apenas por causa de vinte cocos.
— Fez bem. Fez muito bem. O que mais você disse?
— Expliquei que eu não cuido do Paraíso apenas para ganhar vinte cocos, mas sim vinte cocos, três peixes e um cacho de bananas. E que eles deveriam se informar melhor antes de protestar.
— Você o quê?!
— Bom, eu não sabia o que dizer, eu estava meio nervoso. Um monte de macacos me cercando e gritando comigo, eu não ia ser louco de mentir ali. Mas eu sei que não ajudou muito, porque quando eu disse isso, eles enlouqueceram de verdade. Achei que fossem me matar, disseram que eu estou desviando recursos do Paraíso e que tenho privilégios demais.
— Adão…
— Bom, a coisa ficou feia. Por isso que estou pedindo Sua ajuda. Uma das facções dos macacos inclusive ameaçou tomar o poder à força.
— Uma das facções? Como assim, facções?
— Desde que os protestos começaram, os macacos se dividiram em duas facções diferentes. Antes, era um grupo só, com todos os macacos. Mas parece que os babuínos brigaram com os outros e se separaram. Então, não são mais apenas os macacos protestando. São dois grupos diferentes de macacos. Um tem somente os babuínos, e o outro é formado pelo resto dos macacos. Todos estão protestando contra mim, mas não são aliados.
— Não?
— Não. Aliás, parece que se odeiam. Ficam gritando para eu entregar meu cargo. Ao mesmo tempo, ficam brigando entre si, para ver qual grupo vai assumir meu cargo. Mas a coisa está ficando cada vez maior.
— Como assim?
— Ontem eles resolveram protestar aqui na frente da minha caverna. Passaram a tarde inteira aqui na porta, gritando que exigem uma reforma política e que chegou a vez deles cuidarem do Paraíso. A hora que eu olhei, tinha uma multidão aqui na frente, todos gritando e com folhas de bananeira com os nomes das facções escritos.
— Nomes?
— Isso. As duas facções tem nomes. Eles prendem as folhas de bananeira em galhos de árvores e ficam usando como se fossem bandeiras.
— Mas que nomes eles deram a isso?
— Aquela que tem todos os macacos chama Paraíso Total, mas como não cabe isso na folha de bananeira, eles desenham uma estrela e colocam as iniciais no meio. Fica escrito lá, PT, no meio da estrela. A outra, a dos babuínos, se eu não me engano, é PSDB.
— PS o quê?
— PSDB. Paraíso Somente Dos Babuínos. E, olha, acho que os babuínos estão com o apoio de alguns pássaros também, porque desde ontem eles têm um tucano pousado em cima de cada bandeira. Mas parece que só os tucanos aderiram a um dos grupos. Os outros animais não querem nem saber.
— Ainda bem.
— Mas, mesmo assim… acho que ontem todos os macacos do Paraíso estavam aqui. Nem sabia que tinha tanto macaco aqui embaixo. Ficaram horas aqui na frente, gritando… Como era mesmo? Ah sim, “Adão, fique esperto! Vamos tomar o Paraíso!”. Aí eu saí para falar com eles.
— Certo. E aí?
— Eu disse a eles que, se fossem protestar, ao menos encontrassem um grito que rimasse, para não ficar tão ridículo.
— Oi?
— Na verdade, eu fiz uma proposta: se eu mostrasse a eles palavras que rimam com “Paraíso”, eles poderiam usá-las à vontade, desde que fossem protestar longe da caverna. E, para mostrar que eu estava disposto mesmo a negociar, disse que confiaria neles e, para mostrar minha boa fé, contei que “Paraíso” rima com “juízo” e também com “aviso”. E que se eles concordassem em ir gritar lá perto do lago, eu mostraria outras palavras.
— Essa foi sua proposta?!
— Sim.
— E eles?
— Começaram a me bater com as bandeiras e gritar que eu sou ladrão. Tive que entrar correndo na caverna.
— Sabe, Adão, às vezes você não se ajuda muito.
— Bom, achei que se eu mostrasse que estou disposto a ajudá-los, eles poderiam entender que eu estou do lado deles… Mas não deu certo. E pior que passaram a usar minha rima. O pessoal dos babuínos ficou gritando que “Queremos juízo, em todo Paraíso!” e os outros macacos respondiam que “Adão, um aviso: este é o nosso Paraíso!”.
— Parabéns, Adão. Parabéns. Você lidou extremamente bem com a situação.
— O Senhor acha?
— Evidente que não!
— Bem, o protesto acabou logo em seguida, de qualquer maneira. Eles começaram a competir para ver quem gritava mais alto, até que começaram a brigar entre eles, como sempre. Acho que acabaram se esquecendo de mim. Ficaram umas duas horas brigando aqui na frente da caverna.
— Entendi.
— Aí quando eles foram embora, eu que tive que limpar tudo, claro. Porque é assim: todo mundo quer tomar conta do Paraíso, mas na hora de recolher as coisas do chão, sobra para quem? Para mim, claro.
— Claro.
— Os macacos nem se importam com a sujeira que fazem. Acho que é por isso que os outros animais nem querem chegar perto disso. Sabem que os macacos se importam somente com eles.
— Sim.
— Na verdade… bem…
— Diga.
— Eu não entendo muito de política, mas a impressão que tenho é que os dois grupos são exatamente iguais. A sensação eu tenho é que cada um quer mandar no Paraíso somente para impedir que a outra facção esteja no poder.
— Talvez você esteja certo.
— E eles não parecem muito preocupados com o Paraíso. Eles ficam tentando usar os protestos para conquistar o apoio dos outros animais. Mas, ao mesmo tempo, cada grupo fica o tempo inteiro acusando o outro de fazer justamente isso.
— Sim.
— Mas, como eu disse, eles devem voltar hoje, então estou precisando de uns anjos aqui. Com espadas de fogo e tudo mais. Se algum deles souber fazer aquele lance de transformar em sal também, pode ser uma boa.
— Adão, eu não vou emprestar anjo algum. Não é assim que se controla uma manifestação.
— Mas eles ficam gritando aqui na frente da caverna, dizendo que estou roubando o Paraíso. Não tenho como ignorar isso!
— Eu não vou reprimir um protesto com violência.
— Bem, o que eu faço então? Eles vão vir aqui todos os dias, até conseguirem o que querem.
— Você sabe se as facções têm um líder?
— Não faço ideia. Quer dizer, devem ter. Mas não posso imaginar quais macacos ali são os chefes.
— Certo. Eis o que Eu quero que você faça.
E, no dia seguinte, Adão fez exatamente o que Deus havia falado. Assim que os manifestantes apareceram na frente da caverna, ele convocou os líderes para uma conversa.
Logo, um babuíno e um chimpanzé se apresentaram. Sentados dentro da caverna, Adão explicou que conversara com Deus e estava disposto a entregar o cargo a um dos dois grupos. Os dois macacos se agitaram, mas foram interrompidos por Adão, que avisou: o cargo seria entregue à facção que estivesse mais comprometida com o Paraíso. E que a única maneira de provar isso seria administrar o Paraíso sem nenhuma regalia. Nada de cocos, nada de peixes.
E, principalmente, nada de bananas.
Os líderes não pareceram muito felizes com a proposta de cuidar do Paraíso inteiro sem ganhar nada em troca. Ambos saíram para conversar com os respectivos companheiros e, menos de dez minutos depois, tanto os macacos do PT como os do PSDB comunicaram que estavam desistindo da manifestação e que não tinham mais interesse em governar o Paraíso. Enrolaram suas bandeiras e partiram de volta para a floresta, cuidar de suas vidas.
No dia seguinte, ninguém lembrava mais de facções ou dos protestos no Paraíso.
A não ser, claro, a serpente.
Desde que as manifestações começaram, a serpente havia discretamente fundado uma terceira facção, batizada de Pecado no Paraíso (ou PP) e que vinha ganhando cada vez mais poder nos bastidores. Isso porque, no início dos protestos, a serpente secretamente se tornou aliada das duas facções maiores. Assim, passou os últimos dias aconselhando os líderes das principais facções — nenhum deles, claro, sequer desconfiava que ela fazia o mesmo do outro lado — e aumentando o ódio de um grupo pelo outro.
Seu plano era perfeito. Na pior das hipóteses, uma das facções assumiria o poder e ela conseguiria um cargo de secretário; na melhor das hipóteses, os dois grupos se desgastariam tanto com os outros animais que criaria o cenário perfeito para que ela se lançasse como candidata ideal a governar o Paraíso.
Contudo, com a desistência dos macacos em tomar o poder, teve que adiar seus planos. Mas não desistiria. A política era o modo ideal de aumentar o seu poder. Se não no Paraíso, em outro lugar, no futuro.
Além disso, tinha certeza de que o slogan da sua campanha política — “rouba, mas faz” — era bom demais para ser jogado fora.
terça-feira, 25 de junho de 2013
FRASE DO DIA... PENSE...
As pessoas que, desgostosas e decepcionadas, não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de atividades sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre atividades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política, pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política existente continue tal qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política.
Marilena Chaui
quinta-feira, 20 de junho de 2013
BRILHANTE TEXTO...
Texto lúcido e fantástico!
Ei, reaça, vaza dessa marcha!
(Nata Castro)
Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso…"
Começou a disputa pelos sentidos da efervescência:
“Não é nem um pouco fácil entender a proporção que as coisas estão tomando no Brasil. Os protestos estão cada vez mais heterogêneos, e amanhã (hoje) vai ser um dia gigante e imprevisível. Protestos são convocados por desde movimentos libertários e autogestionados (que se encontram na gênese das manifestações) até pelas páginas ufanistas/moralistas/ udenistas como a antipetista Acorda Brasil, que dissemina desinformação e preconceito de classe. Se esse choque de alteridades pode ser potente, também pode gerar desmobilização numa questão de semanas. Começou a disputa pelos sentidos da efervescência. Reacionários estão determinados a também sair do facebook e transformar a insatisfação coletiva numa versão inchada do elitista Movimento Cansei, com sua pauta moralista e antipetista. Por outro lado, governistas estão mais preocupados em deslegitimar as manifestações e em blindar os governos petistas, que não se pronunciam sobre o que acontece por não conseguirem compreender o novo, e quando se pronunciam, não conseguem romper com o emcimadomurismo. A multiplicidade de pautas que desaguam nessa insatisfação generalizada torna impossível vislumbrar os rumos que as coisas irão tomar. Será árdua a tarefa de disputá-los.”
quarta-feira, 19 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
EMPODERADOS E DESILUDIDOS
EMPODERADOS E DESILUDIDOS
CHICO CAVALCANTE
Os milhares de manifestantes que marcharam ontem nas ruas de grandes metrópoles e hoje geram imenso tráfego de dados nas redes sociais não darão em lugar nenhum. Chegaram a um beco sem saída
Na contramão das análises apressadas e romantizadas, posso afirmar sem sombra de dúvidas que os milhares de manifestantes que marcharam ontem nas ruas de grandes metrópoles e hoje geram imenso tráfego de dados nas redes sociais não darão em lugar nenhum. Chegaram a um beco sem saída.Não derrubarão governo algum, não indicarão um novo caminho, nem significam, em si, nenhuma mudança substancial no tecido político visível. Ao contrário do que pensa a ultra-esquerda retórica, os ventos da revolução proletária não sopram ao som do mar e à luz do céu profundo na pátria amada Brasil.Toda a barulheira feita nas redes sociais que parecem contagiar a todos não chega nos grotões desse país melhor que surgiu a partir de 2003 e que está infenso a impressões de segunda mão, que indicam um país pior onde a realidade revela a melhoria dos indicadores sociais a começar pela renda e pelo trabalho.A marcha dos empoderados pelos acertos de 10 anos de governo democrático e popular no Brasil encontrará o vazio depois da curva e refluirá como refluíram todos os movimentos recentes de igual ou maior magnitude em todo o mundo ocorridos onde as instituições eram sólidas, a democracia era estável e o governo não era totalitário, como é o caso do Brasil.Nos Estados Unidos, mobilização similar um ano antes das eleições gerou análises apressadas que davam Obama como o virtual perdedor em seu intento de permanecer na Casa Branca. E isso não aconteceu. Porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.O descaminho dessa multidão que parece caminhar para algum lugar e ruma para lugar algum tem a ver com a lógica interna desse tipo de movimento, baseada em pautas difusas, contraditórias até, e na ausência de direção política e organicidade, únicas formas de tornar uma mobilização constante ao ponto de produzir o efeito “água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”.Foram anos e anos de mobilização e enfrentamentos comandados pelo Conselho Nacional Africano que levaram ao fim da Apartheid. Foram anos e anos de mobilização e enfrentamento, inclusive armado, que enfraqueceram a ditadura no Brasil, no Chile e na Argentina.Não é isso que está acontecendo aqui. Movidos mecanicamente por um sentimento de rebeldia sem causa definida, esses movimentos que começaram com demanda econômica (redução da tarifa do transporte urbano em São Paulo) e não evoluíram para uma pauta qualificada, têm sua origem profunda no desencanto, na desilusão política e na falta de perspectiva que contaminam a juventude nos dias atuais, imersa no poder aparente das redes sociais e na falta de espaço político nos partidos tradicionais.Essa juventude está contaminada pelo discurso plantado de modo sistemático e recorrente pela Rede Globo, segundo o qual, vivemos no pior país do mundo, mal administrado, precário, aquele onde a corrupção sobrevive, já tendo sido exterminada em todas as outras paragens do planeta.A percepção desfocada, gerada por uma leitura distorcida dos fatos, leva a uma ausência de pauta efetiva e unitária e este não é um fator menor na análise do cenário presente.Afinal, todas as revoluções se fizeram em torno de uma consigna, de uma palavra de ordem que indicava ruptura; seja do status quo, seja fomentando a independência de uma colônia, pela distribuição de riqueza material e imaterial para os desvalidos, pela democracia política para os oprimidos ou mesmo pela autoafirmação nacional para nações submetidas aos ditames de outras nações.Alguns analistas da hora comemoram o fato de que nenhuma legenda partidária conseguiu capitalizar a seu favor os protestos. Mas esse é justamente o primeiro sintoma de que esse movimento espontâneo não se tornará orgânico e, portanto, perene. Sem direção política, dispersará do mesmo modo que surgiu se a polícia - que no dia 17/06 no Rio foi submetida ao seu maior teste de paciência - não criar um mártir para a multidão chamar de seu.A ideia tola de que seria Dilma Rousseff (PT) quem estaria na berlinda desses movimentos e que os beneficiários primeiros dessa onda de rebeldia seriam Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (ex-PV) e Eduardo Campos (PSB), carece de comprovação factual. A vaia que Dilma tomou em estádio de futebol apenas serve para provar uma antiga tese que defendo: políticos não devem comparecer a eventos esportivos, onde a ingestão de bebida alcoólica antecede as partidas e entorpece a razão.Como carece de comprovação também que a pré-candidata à Presidência Marina Silva, que está organizando um partido estranhamente chamado de “Rede”, seria aquela cujo discurso mais se identifica com os manifestantes. Todos e nenhum dos discursos flertam com manifestantes, já que estes lutam contra o aborto e a favor do aborto simultaneamente.A imprensa destaca como bandeira principal das mobilizações a luta “por um mundo melhor”. Mas isso não é uma pauta, mas sim uma evasiva ou, quando muito, verso de uma canção ruim. A rigor, todos querem um mundo melhor. Mas o mundo melhor dos nazistas não era o mundo melhor dos judeus. A perspectiva muda tudo.Movimentos horizontais e espontâneos tendem a rejeitar lideranças tradicionais, mas são, também, incapazes de criar novos interlocutores e tendem a refluir ao limbo, como aconteceu com Occupy Wall Street, que depois de contagiar os Estados Unidos e o mundo refluiu para se tornar mais um objeto de estudo acadêmico.Há, portanto, tendência nada desprezível de os protestos ficarem órfãos de pai e mãe ou, na pior das hipóteses, de serem adotados pela direita, já que movimentos como estes tendem mais para a retórica conservadora do que para a ruptura revolucionária Golpes militares como o Brasil de 1964 no e de 1973 no Chile começaram com mobilizações de massas fomentadas pela CIA, calcadas em sentimentos reais de largos estratos sociais.Também vale lembrar que, em 1988, vencida a ditadura, um difuso sentimento de insatisfação, similar ao atual, se espalhou pelo Brasil. As pessoas pareciam insatisfeitas com tudo, ainda mais com a hiperinflação – que agora não existe embora a mídia insista em reconstruí-la.Naquele cenário cinzento emergiu um político nordestino desconhecido, jovem, de boa aparência, cuja proposta principal era combater a corrupção e os marajás. O simulacro Fernando Collor de Mello venceu a corrida ao Palácio do Planalto em 1989 com amplo apoio das ruas. Caiu em 1992 da mesma forma, fruto de descalabros e desmandos.A desilusão é e sempre será má conselheira.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
DILMA É VAIADA PELOS MIAMIPLAYBOYS DE BRASÍLIA
DILMA É VAIADA PELOS MIAMIPLAYBOYS DE BRASÍLIA
DAVIS SENA FILHO
A verdade é que vaia de playboy não vale. Conheço muito bem os miamiplayboys de Brasília, que nunca passaram trabalho na vida, bem como conheço os do Rio de Janeiro e de muitas outras capitais e estados brasileiros
Os barões da imprensa de mercado sabem e os jornalistas que formulam as suas manchetes e opinam em seus espaços compreendem muito bem, apesar da proposital manipulação e dissimulação, o que aconteceu, de fato, no belíssimo e magnífico Estádio Nacional de Brasília, quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi anunciado pelos alto-falantes para dar início à cerimônia de abertura dos jogos da Copa das Confederações e foi vaiado, por um público em festa, e, portanto, irreverente e açodadamente mal-educado.
Enquanto vaiado, Blatter reclamou e pediu "fair play" à torcida, que, evidentemente, não o atendeu, bem como não representa a maioria do povo brasileiro, até porque as quase 70 mil pessoas presentes ao estádio pagaram pelos ingressos, em média, R$ 280,00, sendo que os assentos mais caros foram vendidos por R$ 800,00. Preços, como se percebe, altamente “salgados”.
Além do mais, cerca de dez mil torcedores foram agraciados com entradas gratuitas concedidas pelos patrocinadores do evento esportivo, que adquiriram os ingressos junto à Fifa, o que significa que a maioria do público do jogo Brasil e Japão era composta por pessoas da classe média tradicional e da classe média alta, sendo que muitos deles convidados VIP e acostumados a viver nas altas rodas sociais.
O que se esperar de uma torcida com esse perfil, que admira o Brasil em jogos de futebol, veste a camisa amarela, canta o hino com a mão no peito, pinta o rosto com as cores amarela e verde ao tempo em que, no seu dia a dia, ou seja, na sua rotina detesta o Brasil, despreza o povo pobre, trata mal seus empregados e os cidadãos mais humildes, pois considerados por essa gente sub-raças, mestiços e que insistem em não ficar “no seu lugar”.
Quero dizer com isso, obviamente, que a torcida que esteve presente no espetacular Estádio Nacional de Brasília não reflete o povo brasileiro, que aprova o Governo Dilma Rousseff e que não participou do rega-bofe destinado, naquele momento, a uma torcida conservadora, reacionária, branca, e que, seguramente, foi contrária à Copa do Mundo no Brasil e à construção dos estádios.
A presidenta trabalhista Dilma Rousseff ou o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, deveriam ter combinado com o governador petista Agnelo Queiroz e seus secretários, com a participação dos promotores do evento de futebol, a viabilização de conceder ingressos ou vendê-los a preços populares à população mais pobre, porque o que percebi é que o público que se divertiu no Estádio Nacional de Brasília era majoritariamente branco, bem nutrido e disposto a vaiar os responsáveis por trazer eventos grandiosos, lucrativos, midiáticos e que, sem sombra de dúvida, colocam o Brasil em um patamar igual aos dos países considerados desenvolvidos.
Não se pode esperar nada de uma classe média branca, titular de bons empregos e salários e que tem em sua memória genética a escravidão e tudo o que é desumano que deriva dela. Esperar uma atitude assertiva e de compreensão das mudanças que estão a acontecer no Brasil nos últimos 11 anos, por parte de tal classe, é como acreditar que algum dia a imprensa corporativa e seus áulicos vão deixar o País crescer em paz. Um país que busca conquistar sua total independência, por intermédio de projetos e ações de um governo trabalhista que tirou o País da estagnação econômica, do desemprego e livrou o povo brasileiro de seu incômodo complexo de vira-lata. Uma verdadeira revolução silenciosa, a respeitar o estado democrático de direito.
Temos uma classe média que em pleno século XXI, diferentemente dos povos dos países considerados desenvolvidos, que ainda tem em suas casas empregadas domésticas tratadas como “animais” de estimação, como observei no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, sendo que no Sul e no Sudeste o maltratar é disfarçado, porque a fiscalização do estado é presente, bem como os empregados têm mais consciência de seus direitos trabalhistas, talvez por morarem em regiões mais desenvolvidas.
A vaia foi dada por uma classe média reacionária, que habita os melhores lugares de Brasília, a exemplo do Plano Piloto. Lagos Sul e Norte, Águas Claras, Taguatinga e condomínios privados, que existem às centenas ou, quiçá, aos milhares. A classe média de Brasília, para quem não sabe, é uma das mais privilegiadas do Brasil, ocupa cargos bem remunerados na iniciativa privada e no setor público, por intermédio de concurso, além de ser titular de cargos de relevância, com salários altos, bem como tem o poder de deliberar, conforme o cargo que ocupa.
Eis que esta classe, consumidora de revistas como a Veja e a Época, de jornais como o Estadão, a Folha e O Globo e telespectadora de jornais televisivos, como os da Globo News, além de evidentemente do Jornal Nacional, resolve vaiar a mandatária que trabalhou pela realização da Copa e que, juntamente com o ex-presidente Lula, é responsável pelo Brasil ser respeitado no mundo como nunca foi, além de o País experimentar um ciclo econômico virtuoso, que está classe média despolitizada, rancorosa e preconceituosa nunca vivenciou em toda a sua existência.
Por seu turno, tal classe recalcitrante no que tange a ser negativa, sempre foi beneficiada pelos governos trabalhistas, no que concerne à sua vida melhorar, pois teve facilitado o seu acesso ao consumo, aos empréstimos bancários, à compra de carros, de casas e apartamentos, bem como passou a viajar mais e a comprar como nunca comprou produtos de informática, eletroeletrônicos, da linha branca, além de ter o acesso facilitado para comprar automóveis e viajar de avião e navio, a trabalho ou simplesmente a fazer turismo.
E sabe por que a classe média, inquestionavelmente, melhorou de vida? Porque o Brasil vive uma época de pleno emprego e as classes média tradicional e alta estão também empregadas, como nunca estiveram, porque no tempo do ex-presidente que vendeu o Brasil, Fernando Henrique Cardoso, o Neoliberal I, essa classe reacionária e que acha que o mundo se resume a Miami e Orlando, ficava à mercê da boa vontade do governo tucano, que no máximo lhe doava migalhas, no que diz respeito ao seu desenvolvimento social, à sua autoestima e até mesmo ao seu direito de estudar. Era uma dura lida, só para dar um único exemplo, conseguir uma bolsa para estudar no exterior.
No decorrer do Governo Lula e agora com o intermédio do Governo Dilma, a classe média e média alta passaram também a ter facilitado o acesso para entrar na faculdade, fazer cursos técnicos, cursos complementares e estudar no exterior, aos milhares de indivíduos. Se alguém duvidar, que tenha o trabalho de pesquisar nos portais do Ministério da Educação e das universidades públicas federais, e, consequentemente, levar um choque de realidade e de verdade sistematicamente sonegadas pela imprensa corporativa e alienígena, para talvez assim passar a questionar o que ouve, vê e lê, além de parar de acreditar piamente em tudo o que diz a imprensa colonizada e de negócios privados, inimiga do Brasil e golpista por tradição histórica.
A verdade é que vaia de playboy não vale. Conheço muito bem os miamiplayboys de Brasília, que nunca passaram trabalho na vida, bem como conheço os do Rio de Janeiro e de muitas outras capitais e estados brasileiros. Chega a ser ridículo ver aquelas pessoas brancas, bem alimentadas, donas de bons empregos, carros e moradias, com dinheiro no bolso a vaiar a presidenta trabalhista, porque tais “patricinhas” e “mauricinhos” têm em seus DNA o germe da escravidão, mesmo sem saber ou ter noção do que é o passado real deste País.
Por instinto e, evidentemente, por serem politicamente conservadores, vaiam tudo aquilo e todos aqueles que representem mudanças, mesmo se os novos tempos não os prejudiquem. A verdade é que existe uma grande parte da classe média que odeia ver e perceber a ascensão da classe pobre, no que tange a ter acesso ao consumo e às coisas boas da vida, como, por exemplo, ocupar as cadeiras dos restaurantes, os bancos das universidades públicas ou os saguões dos aeroportos à espera de viajar de avião.
Aliás, o fato de o pobre viajar de avião me leva a relembrar uma das socialites deste País — a senhora Danuza Leão. A “dama” e colunista demitida recentemente da Folha de S. Paulo retratou, indelevelmente e fidedignamente, o preconceito que viceja nas almas de alguns seres presunçosos e por isto ignorantes. Danuza disse certa vez que ir a Paris e a Nova Iorque não tinha mais graça, porque ela poderia encontrar o porteiro do seu prédio nas ruas das duas cidades. Não há nada mais brega e babaca do que as palavras de uma das representantes da nossa colonizada, subserviente e moralmente decadente “elite”. Ponto.
A verdade é que a vaia a Dilma não traduz, de forma alguma, uma possível insatisfação do povo com a mandatária, uma das responsáveis, volto a afirmar, pelo visível e concreto desenvolvimento do Brasil nos últimos 11 anos, queiram ou não queiram os pessimistas, os intolerantes, os fracassomaníacos e os mentirosos. O Brasil vai seguir o seu destino, que é tão grande quanto o seu tamanho geográfico, pois País influente no mundo, de economia e moeda fortes e que tem um povo trabalhador, que é a melhor coisa do Brasil, porque é um luxo, enquanto a “elite” é retrógada, reacionária, subserviente aos desmandos do establishment, além de traidora, entreguista, colonizada, e, por fim, gigolô do povo brasileiro.
Os estádios espetaculares brasileiros, para o desgosto dos que detestam o Brasil, têm de ter ingressos populares, com preços baixos. O futebol sempre foi popular e os estádios sempre foram ocupados pelo povo. Nessas rodadas já iniciadas, ver cidadãos negros nos estádios é como procurar agulha no palheiro. Os governos e as prefeituras têm a obrigação de observar com responsabilidade essa importante questão social. Já assisti a três jogos pela televisão e verifiquei, quando as câmeras mostram as arquibancadas, que a presença de negros é um número irrelevante.
Além disso, muitos podem pensar: “Nem todos da classe média vão a Miami ou são colonizados ou detestam o Brasil”. Contradigo: É verdade. Porém, grande parte das diferentes classes médias pensa e age de forma arrogante, mesmo a parte que não tem tanto dinheiro, mas que é igualmente portadora dos princípios e dos valores dos ricos que detestam o Brasil. Ser e proceder dessa maneira é também uma questão ideológica, porque as ideologias ainda existem, e, por conseguinte, diferentemente do que apregoam os direitistas e os fundamentalistas do mercado, a fim de se darem bem, não acabaram. O Brasil se tornou, definitivamente, um dos países protagonistas de grandes eventos mundiais.
Alô! Alô!, lorpas e pascácios: vaias de miamiplayboys não vale! Torcer pela Seleção agora e a vida inteira contra o desenvolvimento do País e a emancipação do povo brasileiro também não vale. Nacionalismo mequetrefe e alienado não dá para aturar. E viva o Brasil! É isso aí.
COMENTÁRIOS
13 comentários em "Dilma é vaiada pelos miamiplayboys de Brasília"
- Eleitor pobre 17.06.2013 às 08:26Podem vaiar como quiserem... Aqui em casa os votos são da Dilma. Vaia não ganha a eleição. Só satisfaz o ego por alguns instantes.
- Vitor Santiago 17.06.2013 às 08:16Presidenta Dilma: Saiba V. Excia., que a vaia de ontem tenho todo a certeza que não partiu de nenhum brasileiro pobre e sim dos bens aquinhoados que tem bons saláriso, com alto poder aquisitivo, pois o pobre tenho certeza, não foi ao Estádio Mané Garrinhcha pelo simples fato: pois os ingressos mais baratos custavam 280.00. Quem ganha de 3 a 4 salários Mínimos não iria deixar de assistir o jogo confortavelmente em sua casa para ir num tumulto daqueles. De modo que os vaiadores são pessoas que acham que o mundo é deles e quando descobrem que não é, vaiam quem o está fazendo ficar melhor.
- joao de deus 17.06.2013 às 08:15e a copa do mundo nao deveria ser um evento de acesso para todos? ai eu te pergunto se foi um evento elaborado para elite como a presidenta de veria reagir.
- Adair A. Barros 17.06.2013 às 08:09Davis, não há reparos no que você diz. E mais, isso só vem corroborar com as declarações recentes da filosofa Marilena Chauí sobre eles. Cai como uma luva.
- David Sereno 17.06.2013 às 08:07Vi ontem um vídeo no Terror do nordeste falandoque vaiou e vaiaria mais! Em primeiro lugar foi uma injustiça com a nossa Presidenta e segundo lugar foi uma falta de educação sem tamanho. São os tais Playbois que nunca sentiram falta de nada e sempre tiveram seus "papais" para lhes entregar nas mãos, nunca trabalharam e nem sabem o que dificuldades. De modo que Presidenta Dilma chegou a hora do acerto de Contas com esta Mídia porca.
- leandro ribeiro de Freitas 17.06.2013 às 08:03Devia ficar calado. Ou viajar um pouco conhecer os problemas que temos no Brasil, de como é sofrido manter o que temos ,que conseguimos trabalhando e pagando imposto, e o governo comprando votos com bolsas de todo jeito
- Aldenor Santiago 17.06.2013 às 08:02Enquanto as briguinhas derivavam de Jornalecos e Revistas de Esgotos, ainda dava pra ir disfarçando! Mas, ontem uma meia dúzia (digo meia dúzia (Somos quase 200 Milhões) de bem nutridos e com altos salários) vaiaram a Nossa Presidenta Dilma e hoje os mesmos jornalões estão esfregando as mãos e dando risadas pela falta de educação dos bens nutridos, então Presidenta, chegou a hora de V. Excia, partir pra lei do talião (Ólho por olho dente por dente) Mande esta Helena Chagas caçar a turma dela e coloque no lugar dela um Collor ou um Requião e vamos cortar estas verbas gordas destes Jornalecos e Revista de Esgoto igual a InVeja e Isto É da vida. Melhor motivo que este Presidenta! não há. Chegou a hora do acerto de Contas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Gladys Moreira 17.06.2013 às 07:58Concordo com o Davis Sena Filho. Realmente, o estádio foi ocupado por gente que vive bem e vaia por conservadorismo.
- Acorda Antonio José... 17.06.2013 às 07:56... você já esta no primeiro mundo, basta você enxergar e aceitar. Você dever ser um daqueles caras que chama de "ativistas" os manifestantes da Europa e "bandeireiros" os ativistas da qui.
- Antonio José 17.06.2013 às 07:54Fiquei com uma dúvida... Será que a presidenta Dilma, foi vaiada porque, junto com Lula ajudou a RETIRAR 40 milhões da pobreza (com o programa Bolsa Família), REDUZIU drasticamente o índice de desemprego (5,7%) com a geração de 20 milhões de empregos com carteira assinada, TIROU da escuridão cerca de dois milhões de famílias (com o programa Luz para Todos), por estar promovendo uma revolução na construção civil (programa Minha Casa minha Vida), melhorado com o programa Viver Melhor, por ser a responsável na construção de plataformas e navios, por permitir que o filho do pobre possa ter a esperança de entrar numa universidade privada, através do PROUNI e FIES, entre outras políticas sociais, ou porque reduziu drasticamente A BOLSA SELIC... Alguém pode me explicar?
domingo, 16 de junho de 2013
O MELHOR TEXTO DA SEMANA... PARA LER E COMPARTILHAR...
FALA, PROFESSOR!
Do Twitter do jornalista e professor Nilson Lage a leitura mais clara dos fatos da última semana:
1 - Grupos de rapazes de classe média, partidos universitários e esquerdas excluídas do poder planejam protestos urbanos. Normal, previsível.
2 - A infiltração de provocadores e a ação descabida da polícia ampliam incidentes que não mobilizam mais que 0,05% da população paulista.
3 - A esquerda robô formula e a direita esperta repete a tese de que há uma insatisfação genérica no país. A mídia estrangeira rejubila-se.
4 - A todos esses interessa esse quadro de desencanto popular: enfraquece posições externas e políticas internas que desagradam ao Império.
5 - No entanto, essa insatisfação não aparece em cifras, dados ou pesquisa de opinião. É uma distorção e um factoide.
E ainda:
600 pessoas "espalharam o caos" em Brasília contra a Copa que atraiu ao Estádio Nacional 67 mil espectadores.
Acrescento: "revolução", "despertar do povo"... Menos, pessoal. O que ficou da "Primavera do Oriente" do início de 2011? Ou do Occupy Wall Street? Que mudanças estruturais promoveram? Não vi nenhuma, e me corrijam, por favor. É fato que em diversos cantos do mundo, hoje, a facilidade de mobilização pelas redes sociais viabiliza que manifestações saiam do mundo virtual e cheguem à ruas . Há este dado novo na esfera pública do mundo dito "pós-industrial". É isto, apenas. Chegou a vez de São Paulo na tela do espetáculo globalizado, frenesi midiático, que já teve seu centro na Praça Tahrir do Cairo, depois em Wall Street, em NY, e capitais européias. Acontecem, bombam e passam, sem mudar nada. Importante se manifestar, ordeiramente. Dar no PT um susto de "voz rouca das ruas", como dizia o dr. Ulysses Guimarães, ok. Pode fazer bem ao partido no poder se ele for capaz de assimilar. Não acredito que seja, embora pense que o ajudaria a não se tornar a coisa patética em que se transformou o PSDB que um dia foi de Mário Covas, seu primeiro presidente.
O quadro que vejo é esse. Ingenuidade de quem acredita que vai mudar o mundo com passeatas. E cinismo de quem capitaliza passeatas idealistas para a luta ideológica acirrada. Aos ingênuos, a condescendência preocupada de que não se tornem massa de manobra. Aos cínicos, o recado de que sobrevivem os que pensam com perspectiva histórica e se lembram de 1954, 1961 e 1964.
1 - Grupos de rapazes de classe média, partidos universitários e esquerdas excluídas do poder planejam protestos urbanos. Normal, previsível.
2 - A infiltração de provocadores e a ação descabida da polícia ampliam incidentes que não mobilizam mais que 0,05% da população paulista.
3 - A esquerda robô formula e a direita esperta repete a tese de que há uma insatisfação genérica no país. A mídia estrangeira rejubila-se.
4 - A todos esses interessa esse quadro de desencanto popular: enfraquece posições externas e políticas internas que desagradam ao Império.
5 - No entanto, essa insatisfação não aparece em cifras, dados ou pesquisa de opinião. É uma distorção e um factoide.
E ainda:
600 pessoas "espalharam o caos" em Brasília contra a Copa que atraiu ao Estádio Nacional 67 mil espectadores.
Acrescento: "revolução", "despertar do povo"... Menos, pessoal. O que ficou da "Primavera do Oriente" do início de 2011? Ou do Occupy Wall Street? Que mudanças estruturais promoveram? Não vi nenhuma, e me corrijam, por favor. É fato que em diversos cantos do mundo, hoje, a facilidade de mobilização pelas redes sociais viabiliza que manifestações saiam do mundo virtual e cheguem à ruas . Há este dado novo na esfera pública do mundo dito "pós-industrial". É isto, apenas. Chegou a vez de São Paulo na tela do espetáculo globalizado, frenesi midiático, que já teve seu centro na Praça Tahrir do Cairo, depois em Wall Street, em NY, e capitais européias. Acontecem, bombam e passam, sem mudar nada. Importante se manifestar, ordeiramente. Dar no PT um susto de "voz rouca das ruas", como dizia o dr. Ulysses Guimarães, ok. Pode fazer bem ao partido no poder se ele for capaz de assimilar. Não acredito que seja, embora pense que o ajudaria a não se tornar a coisa patética em que se transformou o PSDB que um dia foi de Mário Covas, seu primeiro presidente.
O quadro que vejo é esse. Ingenuidade de quem acredita que vai mudar o mundo com passeatas. E cinismo de quem capitaliza passeatas idealistas para a luta ideológica acirrada. Aos ingênuos, a condescendência preocupada de que não se tornem massa de manobra. Aos cínicos, o recado de que sobrevivem os que pensam com perspectiva histórica e se lembram de 1954, 1961 e 1964.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
XICO SÁ - LEIA E COMPARTILHE...
“Não há um só desdentado, só gente com saúde dentária de artista de cinema”.
Óbvio que a saúde bucal do brasileiro melhorou um pouco desde a morte do tio Nelson, em 1980. A visão rodriguiana, no entanto, está valendo, certíssima, justíssima -só a turma bacana teve acesso ao Brasil 2×2 Inglaterra.
N.R. usou essa imagem inicialmente para falar da histórica “passeata dos cem mil”, em 1968, um dos maiores protestos contra a ditadura militar, aqui no Rio. Depois aplicou a mesma em variadas situações e entrevistas. Tio Nelson era um escritor de geniais e repetidíssimos mantras.
Voltemos aqui ao Maraca, ô psit.
Só gente com saúde dentária de artista de cinema, meu caro amigo Halley (Bó) Maroja, o melhor odontólogo de Caruaru, portanto de Pernambuco, logicamente do Brasil, ora pois.
Pior é saber que a política sorridente de exclusão não é um pecado exclusivo da praça esportiva carioca. É e será a lógica excludente não só do MaracanaX –o “x” fica por conta da administração do Eike Batista.
É o esquema Fifa que vale para todas as novas arenas: Pernambuco, Mineirão, Castelão, Fonte Nova, Beira Rio, Brasília, Itaquerão etc.
Do velho estádio Mário Filho, homenagem ao irmão e guru do supracitado e amado Nelson Rodrigues, o Maracanax não tem nada. Minto. Reapareceu aqui hoje, lindamente, a bandinha dos Fuzileiros Navais executando o hino do lábaro estrelado. Gostei. Foi bonito. Palmas.
O estádio, digo, a arena, é uma beleza, claro que uma beleza na nossa visão colonizada do que convencionamos a imitar os europeus em matéria de futebol e arquitetura etc. Coisa de primeiro mundo, como o Brasil aprendeu a dizer na Era Collor.
Por que imitar os projetos de arenas, ops, estádios de Itália e Alemanha, por exemplo? O que acham meus leitores arquitetos, é bonito?
Só voltando mesmo ao velho N.R.: O subdesenvolvimento não se improvisa. É fruto de séculos”.
Maracanã, adeus.
Se fosse só o ingresso a mais de 100 por hora, a 500…
Pense no cachorro quente, um bicho frio da peste que não chega aos pés do “comeu-morreu” da Pracinha do Diário, no Recife, a quase dez mirréis. Sequer alcança a excelência do hot-dog da Cascatinha, na rua 7, no mesmo Hellcife.
Pense num mate, como reclamavam os cariocas que amam essa bebida, na mesma pegada da carestia da moléstia. Água, então, caro Monsueto, só na hora da sede extrema amorosa, só pra agradar a donzela… a fonte secou!
Cadê o ladrão que não vê uma polícia dessas!?
Existo, logo dialogo aqui com o amigo Marcus Galiña. Tudo que o governo federal conseguiu incluir de Lula para cá foi excluído com a política das Arenas. Quem sempre frequentou estádios, adeus, está fora doravante. O futebol como simbólico. Tem algo mais representativo para o brasileiro?
Perdeu, nova classe C, ganhou playboy. Nas arenas a moral é essa. Se liga gerência simbólica do governo!
Repito: levando em conta que o futebol representa o que há de mais popular na cultura brasileira… Puta derrota da massa!
Será? É apenas um cutucão que recebi do tio Nelson, nesta tarde no ex-Maraca. Começa agora, com vocês, damas & cavalheiros, a verdadeira mesa redonda ai nos comentários.
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