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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Para refletir...

Ricardo Gondim recita “Mãos Dadas” de Carlos Drummond de Andrade | Ricardo Gondim http://www.ricardogondim.com.br/encontrocomasletras/ricardo-gondim-recita-%E2%80%9Cmaos-dadas%E2%80%9D-de-carlos-drummond-de-andrade/?maos-dadas%3F-de-carlos-drummond-de-andrade%2F

sábado, 20 de julho de 2013

semplicità ( 2003 )

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semplicità ( 2003 )

la semplicità è tutto.
peccato che appartenga a pochi.
essere complicati è più semplice.
confondere rende di più.
vorrei essere semplice.
la mia confusione non me lo consente.
Bingo__confusione-mentale_g

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Encantadas

 Tiago Rattes de Andrade

Encantadas


“(...)O mar como um livro rigoroso e gratuito como esse livro onde ele é absoluto de azul esse livro que se folha e refolha que se dobra e desdobra nele pele sob pele pli selon pli(...)” (Haroldo de Campos- Galáxias)


horizonte em linha, o sol atento
torna as marcas vivas,  usura.
retinto, o céu do cientista, (átimo
esfera em livro) fluido,  azuleia
a vida - sentido biológico.

respirar um oceano em suas
algas, e lábaros -  formados
por marés em choque, mar prisão.

dedilhar desenho à hora, grãos
de areia finita traçada a esperança.
em ondas fazer backsides de louvor.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

“Domínio do preto”, de Wallace Stevens

“Domínio do preto”, de Wallace Stevens

by Eduardo Coelho

De noite, à lareira,
As cores dos arbustos
E das folhas caídas,
Repetindo-se,
Redemoinharam na sala,
Como as próprias folhas
Redemoinhando na sala,
Como as próprias folhas
Redemoinhando ao vento.
Sim: mas a cor das pesadas cicutas
Veio a passos largos.
E recordei o grito dos pavões.
As cores das suas caudas
Eram como as mesmas folhas
Redemoinhando ao vento,
Ao vendo do crepúsculo.
Varreram a sala,
Tal como voaram dos ramos das cicutas
Para baixo, para o chão.
Ouvi-os gritar - os pavões.
Seria um grito contra o crepúsculo
Ou contra as próprias folhas
Redemoinhando ao vento,
Redemoinhando como as chamas
Redemoinhando na lareira,
Redemoinhando como as caudas dos pavões
Redemoinhando ao fogo ruidoso,
Ruidoso como as cicutas
Cheias do grito dos pavões?
Ou seria um grito contra as cicutas?
Da janela,
Vi como os planetas se juntavam
Como as mesmas folhas
Redemoinhando ao vento.
Vi como a noite veio,
Veio a passos largos como a cor das pesadas cicutas
Senti medo.
E recordei o grito dos pavões.
Poema de Wallace Stevens de Ficção suprema, em tradução de Luisa Maria Lucas Queiroz de Campos

quarta-feira, 22 de maio de 2013

“Canto de Orfeu” – Fiama Hasse Pais Brandão

“Canto de Orfeu” – Fiama Hasse Pais Brandão

by Eduardo Coelho


Pendurou no salgueiro a cítara,
caminhou diante dos seus passos,
sendo depois punido pelos Anjos.
Caminho sempre para o futuro
mesmo olhando para trás na memória
e por esse futuro foi punido
pois levaria consigo a imagem viva.
Não era Eurídice aquela que o seguia
mas a sua face figurada
pelos olhos de Orfeu ainda capazes
de criar o modelo e a imagem.
Depois da morte ela ainda vivia
pronta para o prender em espelhos dúplices
e ele que amava nela o corpo, a alma,
o suor, o aroma, a linha dos dedos,
levou-a, para sempre ascendida
ao Tempo do Espaço depois do futuro.
Foi punido por Anjos ciosos
da sua ciência da Origem,
enquanto outros Anjos doces coroavam
aquele Filho que também levara
na memória dos olhos a figura
da Mãe, que todos os filhos levam em si.
Um terrível canto de lamento humano
depois soou: "Che faró senza Uridice?",com o som das vogais mais dolorosas.
Mas o sábio Orfeu deixou a lira
somente ser tocada pelo vento
quando o canto perseguia a imagem.
11/11/93

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Paulo Leminski


Paulo Leminski ganhará exposição, reedições, songbook e até uma cinebiografia

  • Poeta morto em 1989 se mantém há oito semanas na lista de livros mais vendidos com ‘Toda poesia’
BOLÍVAR TORRES(EMAIL)
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Atualizado:

Obra poética, ensaística e de ficção de Leminski já circula, mas surpresa de “Toda poesia” nas listas de livros mais vendidos do país fez aumentar interesse por novas reedições
Foto: Divulgação/Márcio Santos
Obra poética, ensaística e de ficção de Leminski já circula, mas surpresa de “Toda poesia” nas listas de livros mais vendidos do país fez aumentar interesse por novas reedições Divulgação/Márcio Santos
RIO - Responsável pelo espólio editorial de Paulo Leminski (1944-1989), a poeta e compositora Alice Ruiz, viúva do autor, se vê cercada por propostas. No momento em que “Toda poesia”, reunião da obra poética de Leminski pela Companhia das Letras, se mantém há oito semanas na lista de livros mais vendidos no país, editoras e produtoras intensificam suas buscas por materiais inéditos e reedições. Algumas expectativas, contudo, nem sempre correspondem à realidade.
— Foi aberta a temporada de caça a Leminski — brinca Alice. — Estou sofrendo assédio de todos os lados, e não apenas das editoras. Mas o que já temos programado ocupa todo nosso tempo, por enquanto.
A apreensão se justifica: já estava difícil organizar a fila de projetos mais antigos. Ainda em 2013, a Companhia das Letras deverá relançar as biografias de personalidades históricas, escritas por ele ao longo dos anos 1980. Ao mesmo tempo, Alice está envolvida no projeto de uma cinebiografia, enquanto sua filha, Áurea, cuida da itinerância da exposição “Múltiplo Leminski”, atualmente em exibição no Paraná. Mas, com a necessidade de definir prioridades, a iniciativa imperiosa no momento é a digitalização do vasto acervo de gravações em fita cassete deixadas pelo poeta, que deverá servir como base para a publicação de um livro de partituras com sua obra musical completa, em 2014. A ideia é mostrar uma faceta menos conhecida de Leminski, a de compositor, músico e cantor.
— Por causa da deterioração das fitas, a digitalização é o projeto que exige mais urgência — lembra Estrela Ruiz Leminski, filha mais nova do autor e responsável por seu acervo musical. — Algumas datam de 1972 e estão com muito bolor, outras eu sequer consigo ouvir. O acervo tem muita coisa que ninguém conhece, como Leminski musicando poemas de Shakespeare, uma versão muito diferente de “Verdura” (gravada por Caetano Veloso em 1981, no disco “Outras palavras”), além de uma dezena de canções inéditas.
Estimulado pelo sucesso de suas músicas na voz de outros cantores, Paulo Leminski redobrou seus exercícios caseiros de violão e composição a partir dos anos 1980. Gravador ligado, o poeta paranaense registrava ideias harmônicas e canções acabadas. Como não pretendia fazer carreira como cantor, enviava-as a seus amigos músicos. Algumas ganharam gravações de nomes como Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso; outras permaneceram inéditas, guardadas em fitas, por décadas.
Nascida em 1981, Estrela tem recordações precisas do processo de composição do pai. Durante a infância, ela o via sentado com o violão, concentrado por horas a fio. Começava com estudos e, em seguida, vinham as ideias. Nas fitas, é possível ouvir as músicas sendo construídas passo a passo.
— Era um violonista autodidata — explica Estrela, que como seu pai, é escritora e compositora. — Ele pegou um método de violão e passou a estudar sozinho, até o dedo sangrar. Começava buscando cadências harmônicas e quando aparecia a ideia de uma música, ia numa tacada só: música e letra sempre surgiam juntas. Era um cancionista, gostava de pensar letra e melodia como uma coisa única.
Além do material deixado pelo autor, a família conseguiu recuperar canções e poemas interpretados por outros cantores, não lançados em disco.
— Parcerias de meu pai com Itamar Assumpção, diversos poemas musicados que o Itamar registrou num gravador no fim da vida — diz Estrela.
Em gestação desde 2009, o projeto acaba de ser contemplado na Seleção Pública do Programa Petrobras Cultural, assim como a exposição “Múltiplo Leminski”, que reúne shows, filmes, debates e oficinas. Resultado de anos de pesquisa e catalogação por parte da família, a mostra já passou por São Paulo e Paraná, e em 2014 irá para Recife e Goiânia graças ao patrocínio.
O sucesso de “Toda poesia” ressuscitou o interesse pelo autor. A série “Uma vida”, originalmente lançada pela Brasiliense, na qual Leminski biografa as vidas de Jesus Cristo, do marxista Leon Trotski, e do poeta Cruz e Sousa, encabeça a fila das futuras reedições. Em 2012, os romances “Catatau” (1975) e “Agora é que são elas” (1984) também ganharam novas edições da Iluminuras.
— A verdade é que não sobrou muito para publicar, pois a obra já está circulando — diz Alice. — Mas existe a possibilidade de lançar as entrevistas dele em novo volume.
Em pareceria com Marcos Pamplona, Alice escreveu o roteiro da cinebiografia. O título provisório é “Alice e Paulo” e deverá ter direção do cineasta Gustavo Tissot (também corroteirista). Ambientado entre 1968 e 1988, o longa retratará o período da contracultura pelo olhar do casal. A produtora Abaporu aguarda patrocínio para começar as filmagens.
— O filme é sobre o que vivemos juntos nesse período marcante — adianta Alice. — Vários amigos dessa época serão representados também, como Caetano, Gil, Moraes Moreira, Itamar Assumpção.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/paulo-leminski-ganhara-exposicao-reedicoes-songbook-ate-uma-cinebiografia-8299968#ixzz2SVugqxDL
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terça-feira, 23 de abril de 2013

POESIA


Poema
Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)
Às Vezes Tenho Idéias FelizesÀs vezes tenho idéias felizes, 
Idéias subitamente felizes, em idéias 
E nas palavras em que naturalmente se despegam... 

Depois de escrever, leio... 
Por que escrevi isto? 
Onde fui buscar isto? 
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu... 
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta 
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Tema(s): Ideia Ler outros poemas de Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)
 
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