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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Médicos cubanos causam problema em Portugal

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Médicos cubanos causam problema em Portugal

Em Portugal, médicos cubanos são um problema. Ninguém quer que eles se vão 

Se o caro amigo internauta fizer uma pesquisa rápida no Google verá que o que pode acontecer aqui no Brasil , no futuro, com os médicos cubanos que o Governo Federal está trazendo para atuar em municípios onde não há profissionais brasileiros dispostos a atuar.

Os problemas não são de incapacidade profissional ou de dificuldade de comunicação.

São que os contratos firmados pelo governo português estão acabando e alguns deles terão de ir embora, para desespero das populações e dos prefeitos do Alentejo, do Algarve e do Ribatejo, regiões pobres que estão ameaçadas de ficarem, outra vez, sem médicos.

O portal SulInformação noticia:

Os cinco médicos cubanos que prestavam serviço de consultas no concelho de Odemira terminaram os seus contratos e regressaram ao seu país, deixando mais de 14 mil utentes sem médico de família.
Esta situação, segundo denuncia, em comunicado, a Câmara Municipal de Odemira, «está a provocar a rotura dos serviços médicos em Odemira, S. Teotónio, Sabóia e Vila Nova de Milfontes e o descontentamento da população e da autarquia, que têm vindo a expressar o seu descontentamento junto dos responsáveis locais, regionais e governamentais sem qualquer sucesso».
A autarquia sublinha, no comunicado a que oSul Informação teve acesso, que no litoral Alentejano prestavam serviço 16 médicos cubanos, cinco dos quais no concelho de Odemira e não foram substituídos, isto apesar de há alguns meses os autarcas terem sido alertados pela direção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Litoral Alentejano para a necessidade de garantir a substituição dos médicos cubanos que terminavam contrato no final do ano de 2011.

As prefeituras são as maiores defensoras do trabalho dos profissionais cubanos, pelostrabalhos pró-ativos de saúde pública que realizam.

Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, apesar da cantilena de que os médicos estrangeiros são “superiores” em qualidade profissional, reconhece:

“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos. Porque até aí não tinham médico e passaram a ter. Não com as competências adequadas e desejáveis, mas passaram a ter um médico”

Pois é, né, doutor…

Agora, para quem quiser se aprofundar mais no “choque cultural” representado pelos médicos estrangeiros em Portugal, recomendo a leitura de um trabalho de duas sociólogas e uma psicóloga na Revista Iberoamericana de Salud y Ciudadanía, coordenada pela Universidade do Porto.

Ali, são ouvidos médicos cubanos, espanhóis e colombianos que foram trabalhar em Portugal e que falaram sobre essa experiência. Trascrevo apenas um pequeno depoimento, de uma médica uruguaia que está por lá:

Tú tienes que tener un segundo para mí, dos minutos aunque sea de
camino, de acercarte al primer familiar que está y decirle „señora, está 
así, hicimos esto, la cosa está así, lo voy a llevar a tal hospital, 
quédese tranquila, yo lo voy a acompañar‟. Es lo mínimo. Los 
médicos portugueses, entran, salen, meten el tipo y se van. Yo al 
principio decía „pero esto es inhumano!‟ […] Yo hablo con los 
familiares. Eso les llamó mucho la atención a los enfermeros y a los 
TAE [Técnicos de Ambulância de Emergência], yo siempre busco un 
minuto […]. Hay cosas que son de sensibilidad humana porque el 
paciente no es una cosa o un objeto. (E2, médica uruguaia)

Talvez tenhamos alguma coisa a aprender por aqui, não é?

Por: Fernando Brito

sábado, 3 de agosto de 2013

MARIA DA PENHA NELES: "Somos ricos, somos cultos, somos racistas": Diretor de hospital chama enfermeiras de "negra" e "porcas"

MARIA DA PENHA NELES: "Somos ricos, somos cultos, somos racistas": Diretor de hospital chama enfermeiras de "negra" e "porcas"

Presidente da Assoc. Médica Brasileira também é flagrado com emprego público suspeito

Presidente da Assoc. Médica Brasileira também é flagrado com emprego público suspeito.

Clique na imagem para ampliar

Oficialmente, o presidente da AMB, médico Florentino Cardoso, deveria estar trabalhando em Fortaleza. Estava em São Paulo fazendo campanha contra o programa "Mais Médicos" ao lado de José Serra.
O médico Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), com sede em São Paulo, é funcionário público em horário integral (40 horas semanais) na Universidade Federal do Ceará, onde ocupa o cargo de assessor especial da reitoria. Em maio, ele recebeu o salário bruto de R$ 6.284,22 por este cargo.

Porém, na quarta-feira (31), o doutor Florentino estava a cerca de 2.400 quilômetros de distância de seu local de trabalho... Leia mais aqui.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Mais Médicos conta com inscrição de 46% dos municípios

Mais Médicos conta com inscrição de 46% dos municípios

André de Souza - O Globo
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BRASÍLIA — Até as 11h desta quarta-feira, 2.552 dos 5.564 municípios brasileiros (45,87% do total) aderiram ao programa Mais Médicos. Dentre os 1.290 municípios com alta vulnerabilidade social, considerados prioritários pelo governo, 887 — cerca de dois terços — se inscreveram. O prazo para as inscrições se encerra na quinta-feira.
Por região, a maioria está no Nordeste: 867, ou 34% de todos os municípios que se inscreveram. Em seguida vêm o Sudeste, com 652 municípios, Sul, com 620, Norte, com 207, e Centro-Oeste, com 206.
Qualquer município com uma unidade de saúde nos bairros mais pobres pode se inscrever no programa, mas há 1.557 cidades prioritárias para o preenchimento das vagas. Além dos 1.290 municípios de maior vulnerabilidade social, estão incluídos na lista outros 267, em geral capitais, municípios das regiões metropolitanas ou cidades-dormitório. Também são prioridade os 25 distritos sanitários especiais indígenas.
No Rio de Janeiro, 34 dos 92 municípios se inscreveram. Há no estado oito cidades na lista das prioritárias: Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Paracambi, Queimados, Seropédica e Rio de Janeiro. Apenas o município de Magé ainda não se inscreveu.
No balanço anterior, com as inscrições feitas até a última segunda-feira, 1.874 das 5.564 cidades brasileiras já tinham feito sua inscrição no Mais Médicos. Questionado sobre o balanço das inscrições feitas até segunda-feira — quando um terço dos municípios haviam aderido ao programa faltando três dias para o encerramento do prazo — o secretário de Saúde de Maringá (PR) e presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Antonio Carlos Nardi, disseram que ainda havia tempo para mais municípios se inscreverem.
— Essa informação está chegando a todos os municípios para que possam estar aderindo — afirmou Nardi, acrescentando:
— Os municípios foram quem trouxe essa demanda ao governo federal. A Frente Nacional de Prefeitos entregou e capitaneou o movimento "Cadê o médico" desde o mês de janeiro deste ano, trabalhando, dando resposta à maior demanda das eleições municipais do ano passado. que eram a melhoria das condições de saúde e a falta de médicos para trabalhar no Sistema Único (de Saúde).
O Mais Médicos foi lançado no dia 8 de julho pela presidente Dilma Rousseff. O programa tem por objetivo ampliar o número de médicos no país e levá-los a regiões onde há carência desse tipo de profissional. Mas enfrenta forte resistência das entidades médicas. Os pontos mais polêmicos são a possibilidade de trazer médicos formados no exterior sem passar pela revalidação do diploma; e a obrigatoriedade de os estudantes de medicina que começarem o curso a partir de 2015 terem de trabalhar por dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para obter o diploma.
Com o programa, as bolsas dos médicos serão pagas pelo Ministério da Saúde. Por outro lado, também serão exigidas contrapartidas dos municípios. Eles serão responsáveis por oferecer moradia e alimentação aos médicos. As prefeituras também terão de acessar recursos do ministério para a construção, reforma e ampliação das unidades básicas de saúde.
As inscrições para os médicos também vão até quinta. O último balanço feito pelo Ministério da Saúde mostra que, até a quinta-feira da semana passada, havia 13.857 médicos inscritos, dos quais 11.147 se formaram no Brasil e 2.710 no exterior. Por nacionalidade, são 12.701 brasileiros e 1.156, estrangeiros.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/mais-medicos-conta-com-inscricao-de-46-dos-municipios-9165937.html#ixzz2ZzyCVR4o

sábado, 13 de julho de 2013

Enquanto isso, as revistas na sala de espera estão repletas de "informação" [só que não]

 Blog do Mario - RSS

Enquanto isso, as revistas na sala de espera estão repletas de "informação" [só que não]


UM MÉDICA JOVEM, E RACISTA, AGRIDE FUNCIONÁRIO DE AEROPORTO

 para leitura - RSS

UM MÉDICA JOVEM, E RACISTA, AGRIDE FUNCIONÁRIO DE AEROPORTO

A jovem que protagoniza este vídeo é médica, mas tem preconceito contra pobres e negros.

É justo imaginar que a maioria dos médicos não tem estes defeitos. Médicos como esta moça, no entanto, devem ficar longe dos postos de saúde do SUS, seja nas periferias urbanas, seja no interior. Representam mais perigo do que as doenças.









PS>: A pergunta que não quer calar é: o que deve estar pensando este marido, que acabou de casar, estava embarcando para lua de mel, e descobriu que sua mulher é assim?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

É este tipo de gente que está saindo das faculdades de medicina?

 OLHOS DO SERTÃO - RSS

É este tipo de gente que está saindo das faculdades de medicina?



Esta foto é símbolo da rapaziada que ACORDOU AGORA. O símbolo da falta da incapacidade de processar informação em conhecimento. O símbolo do extremismo e da ignorância. 

Poucos sabem que a frase O GIGANTE ACORDOU, também foi gritado em prosa e verso nas marchas que antecederam o golpe de 1964. Infelizmente, em meio a falácia da SOCIEDADE DO CONHECIMENTO, a dificuldade da juventude em processar, contextualizar ou descontextualizar a informação é muito grande. Ademais, a capacidade de manipulação da Rede Globo durante as manifestações foi testada e aprovada. 

O conservadorismo tomou conta das ruas e das redes sociais em proporções jamais vistas neste país. E este tipo de gente que está saindo das faculdades, principalmente médicos. 

O que resta é pedir a Deus que nos livre deste tipo de médico ou médica em uma mesa de cirurgia. Muitos acharam bonito o cartaz dessa menina, mas muitos esquecem que podem está em mesa de cirurgia com este tipo de pessoa com formação discutível. Leia um texto em que a menina pede para apagar a sua foto em blogs e redes sociais. http://www.dimasroque.com.br/2013/07/a-menina-da-foto.html —

“Nos EUA, 25% dos médicos são estrangeiros”

 Revista Fórum

“Nos EUA, 25% dos médicos são estrangeiros”

Em entrevista exclusiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fala sobre a polêmica da contratação de médicos estrangeiros no Brasil
Por Renato Rovai
Esta entrevista faz parte da edição 124 de Fórum, a partir do dia 15 de julho, em bancas
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, viveu seu inferno astral nos últimos dias, por ter apresentado uma proposta de convênio com outros países para atrair médicos que queiram trabalhem em regiões distantes das áreas centrais e nas periferias dos grandes centros urbanos brasileiros. Nesses locais, prefeitos não conseguem contratar profissionais, mesmo oferecendo salários às vezes mais altos que a média.
A campanha contra essa iniciativa se tornou política. Entidades profissionais e a mídia tradicional apelidaram o projeto de “médicos cubanos”. E o desqualificaram, sem discuti-lo na essência. Nesta entrevista, concedida com exclusividade para a Fórum, Padilha explica o projeto e os motivos que o levaram a colocar essa pauta na mesa em caráter de emergência.
Fórum – Ministro, vamos começar pela polêmica do momento, a questão da abertura da contratação de médicos de outros países principalmente para atender nas periferias das grandes cidades e em localizações distantes, que a mídia resolveu denominar de “contratação de médicos cubanos”. Prefeitos falam que faltam de 10 a 15 mil médicos no Brasil. É isso mesmo?
Alexandre Padilha – Essa é uma polêmica que tem de ser enfrentada. Esse debate tem dois temas relacionados. Um, se o Brasil tem a quantidade de médicos que precisa para ser um país que quer ter um sistema nacional público, e por muitos anos se construiu uma imagem de que não faltavam médicos e que o problema era como distribuí-los e como estimulá-los a trabalhar no serviço público. E uma outra polêmica diz respeito a um certo tabu de que o Brasil não pode ter um programa de atração de  estrangeiros, de que atrair profissionais do exterior pode reduzir a qualidade do serviço ofertado. Isso não é um tabu em outros países do mundo, sobretudo nos sistemas nacionais públicos que são referência. Na Inglaterra, 40% dos médicos vêm de outros países; no Canadá, 17 %; na Austrália, 22%. Os Estados Unidos têm um sistema privado no qual 25% dos médicos são estrangeiros.
Essa polêmica, começamos no dia da minha posse. Na ocasião, o meu discurso já apontava esse problema. Nos primeiros cem dias, fizemos um seminário internacional, trouxemos gente do Canadá, da Inglaterra, de todas as entidades médicas e universidades… E, para mim, ficou muito claro ali que, pela diversidade do nosso país, pelo tamanho do Brasil, pelas características e desigualdades que existem, não é uma proposta isolada que vai ajudar a resolver esse grave problema. Temos de ter mais médicos próximos das pessoas, e com mais qualidade. Que entendam mais, que sejam formados para compreender os problemas da nossa população.
Vamos enfrentar isso de duas formas. Primeiro, o grande objetivo do governo é dar prioridade e oportunidade para o jovem brasileiro que quer fazer Medicina, o jovem da periferia, do município do interior, para o jovem brasileiro que já fez Medicina e quer ir para o interior ou fazer uma especialidade de que nós precisamos. O Brasil não precisa só de mais médicos, mas de mais especialistas, de mais pediatras. Hoje, o maior desafio do Ministério da Saúde para levar o tratamento de câncer para o interior é ter especialistas no tratamento da doença, radioterapeutas, oncologistas. Estamos expandindo os leitos de UTI adulta, UTI infantil, e o grande desafio é ter o pediatra, o neonatologista, o médico de UTI.
Então, a primeira ação é dar oportunidade para o médico brasileiro, e vamos abrir, sim, mais vagas no curso de Medicina, fortalecer a abertura de vagas na periferia das grandes cidades, universidades federais, públicas, estaduais, fazer parcerias com universidades privadas, por exemplo, com a Santa Marcelina na zona leste de São Paulo. Foi um grande enfrentamento abrir aquela faculdade, mas a cidade pode ter na zona leste, na zona sul, mais vagas para o curso de Medicina. Uma cidade como Guarulhos, por exemplo, que tem mais de 1 milhão de habitantes, não tem uma faculdade de Medicina. No ABC, a única faculdade para todos os moradores daquela região é a Fundação ABC.
Não só precisamos ampliar mais o número de vagas das universidades públicas federais e estaduais como também nas privadas. Porque hoje, por meio do Fies, um jovem que não tem condição de estudar em uma faculdade privada tem todo o seu curso custeado pelo Ministério da Educação, e o tempo em que ele for trabalhar no SUS, depois de formado, desconta da sua dívida. Em primeiro lugar, temos essa prioridade de ampliar muito a formação de vagas de especialistas. Todos os estudos mostram que o principal motivo de fixação de um médico em uma cidade é o local em que ele fez a residência médica, o período de formação do especialista. Depois que se formou como médico, se quiser, vai fazer uma especialidade. Em segundo lugar, o investimento forte é na abertura de mais vagas de formação de especialistas nas áreas em que nós mais precisamos.
Fórum – A formação do médico não é muito elitista?
Padilha – No começo, a profissão tinha um ideário liberal, o médico era aquele que tinha consultório privado. Quando o País  opta por ter um sistema nacional público e gratuito, tem de programar o aluno que se forma, onde se forma, o conteúdo curricular, a especialidade que vai se oferecer na faculdade para uma perspectiva cada vez mais pública. Estamos nesse momento crítico porque precisamos expandir o serviço de saúde e temos de trabalhar no sentido de mudar a perspectiva da carreira. Nos últimos dez, 15 anos, a Inglaterra optou por uma mudança no currículo médico. Lá, o profissional tem seis anos de formação e, depois de formado, é obrigado a trabalhar dois anos como médico de família ou na emergência do sistema médico público de saúde antes de fazer uma especialidade.
(Foto Fernando Ramos Silva)
Padilha – No México, é algo como o serviço civil obrigatório, para quem fez a faculdade pública. Na Suécia, a cada um ano e meio, o médico fica três meses no serviço de saúde mental para aprender a cuidar da depressão e de dependência química, que são problemas de saúde pública que vão se tornar cada vez mais presentes. No começo de 2011, conversando com meu colega ministro da Saúde inglês, discutia a formação médica no Brasil e a necessidade de mudá-la, e ele achou que eu tinha falado algo errado. E me disse: “Espera aí, não estou entendendo, como que é? O individuo não paga a faculdade, não paga a residência médica, e o sistema público de saúde não tem nenhum fator de indução de regulação para onde vai esse profissional?”
Então, estamos em um momento decisivo que é de o país planejar, pela primeira vez, quantos médicos são formados e dizer que 1,9 médico por habitante é pouco. A Argentina tem 3,2; Espanha e Portugal, 4; a Inglaterra tem 2,7 hoje e quer chegar a 3,2 até 2020. Os EUA têm 2,5 e abriu mais 25% de vagas nos cursos de Medicina. Precisamos ter mais médicos e cada vez mais mecanismos indutores e de estímulo de regulação para onde esse profissional vai. O debate da formação dos especialistas é esse na Espanha. Metade das vagas ofertadas para residência é de médico de família. Porque você tem de construir um sistema público mais próximo de onde as pessoas vivem. Formamos 600 anestesiologistas por ano no país, para uma população de 200 milhões de habitantes. A Inglaterra forma 3,2 mil para uma população de 60 milhões de habitantes.
Esse debate sobre o número de médicos que se forma no país deve estar baseado nas necessidades de saúde da população. Chegamos em um momento critico para fazê-lo. Ou não se se consolida o sistema público.
Fórum – Não há também problemas nessa lógica da municipalização da saúde?
Padilha – O processo de municipalização é um processo inconcluso, ainda temos três grandes desafios relacionados a ele. São desafios que precisam se aprimorar, e algumas coisas têm mudanças de marco legal, estamos debatendo isso no Congresso.
O Brasil é singular por dois motivos. Primeiro, é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que resolveu assumir o desafio de ter um sistema público de saúde universal e gratuito para toda a sua população. Nenhum outro tem, nem o Japão, que tem o formato de seguros. Alguns deles são totalmente custeados pelo Estado e outros são seguros de co-pagamento. Pelo seguro saúde de um idoso no Japão,  quando ele vai em um atendimento, tem de pagar uma parte. Segundo, além de buscar ser um sistema público para uma população desse tamanho, é o único que tem três níveis de governo. Na nossa lei do SUS, sua lei orgânica, não aprimoramos um mecanismo legal que estabeleça claramente as responsabilidades de saúde do município, do estado e da União. É isso que está sendo feito agora, conseguimos aprovar na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] do Senado uma lei de responsabilidade sanitária, nos moldes do que foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, só que estabelecendo responsabilidade com a universalização, com o atendimento à saúde, metas a serem acompanhadas pelo município e pelo estado, compromisso que une o estado ao município e que compromete o chefe de governo. Porque nós temos situações. Não vou falar qual é o estado, mas tem um que, em dois anos, teve sete secretários estaduais de Saúde. Então, você comprometer o chefe de governo com a responsabilidade da área o vincula a esse processo de conclusão do SUS. Isso representa maior autonomia para as unidades de saúde, hospitais, fundações públicas etc. Hoje, há hospitais que ficam com a sua autonomia administrativa engessada, porque o orçamento, a execução, a licitação é da secretaria municipal ou da secretaria estadual. Um outro desafio é o do financiamento, que também está inconcluso. E existe o terceiro desafio que é o da oferta de profissionais, como garantir a formação e a fixação dos profissionais nas áreas mais distantes do país e nas periferias dos centros urbanos.
Fórum – Conversando com prefeitos, a gente sempre ouve que eles gostariam de fazer com que os médicos cumprissem suas jornadas de trabalho, mas que se o fizerem perdem os profissionais. Como é possível esse tipo de coisa?
Padilha – Quando a gente assumiu o Ministério, descobriu que existiam situações que um médico, o seu CRM [registro profissional no Conselho Regional de Medicina], estava sendo utilizado em três estados diferentes, 15 cidades diferentes. Montamos um cadastro eletrônico que cruza os CRMs e permite inclusive que o médico possa entrar nesse cadastro e, se o CRM dele estiver sendo utilizado em outro município, tirá-lo do cadastro. Só para você ter uma ideia, isso gerou por mês o descredenciamento de 3 mil, 3,5 mil médicos do Programa de Saúde da Família. É isso que você falou, como faltam médicos, os prefeitos fazem negociações…
Fórum – E se submetem a esse tipo de situação.
Padilha – Há situações de leilão entre os prefeitos. Um médico começa a trabalhar aqui e outro prefeito vai lá e oferece mais. É por isso que precisamos de mais médicos no país.  Mas o ciclo de formação de um médico é de seis a oito anos. Por conta dessa situação, essa política do Ministério da Saúde, como outros países fazem também, de, nesse período transitório, contratar médicos estrangeiros.
Fórum – Quando esses médicos vão chegar, ministro?
Padilha – Quero que seja o mais rápido possível, agora o tempo é de desenhar isso com muita seriedade e responsabilidade. Por que isso? Nós temos uma forma só, hoje, de trazer o médico estrangeiro para o país, que é a forma do exame de revalidação. Que é uma forma, um instrumento importante, que precisa ser aprimorado, ano a ano e está se aprimorando. A vantagem com a revalidação é que você tem esse médico permanente aqui. Só que não há um programa específico para fixá-lo em alguma área específica. Então, ele pode vir para disputar mercado na clínica privada, no centro da cidade de São Paulo, porque o mercado está muito aquecido. Geramos para médicos, nos últimos dois anos, 50 mil primeiros empregos. Não formamos isso nos últimos dez anos. E há mais 26 mil empregos em postos para médicos no próximo biênio, só com investimentos do Ministério da Saúde.
Fórum – E não vai ter médico para ocupar.
Padilha – Não vai ter, o mercado está muito aquecido. O Revalida [Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos] é um instrumento importante, permite que o médico possa trabalhar onde quiser. Por isso, em paralelo ao Revalida, temos de criar um programa de intercâmbio com os países, igual ao já existente em universidades, pelo qual você faz uma avaliação desse médico que vem, mas ele só pode atender no Brasil com autorização exclusiva para periferias das grandes cidades e para municípios do interior, em programas específicos de intercâmbio. E vão ficar aqui por três anos nesse programa. Depois, se ele quiser trabalhar no Brasil, ficar por aqui, presta o Revalida e atua onde quiser. Mas naquele período, pelo menos, a gente consegue garantir médicos para essas regiões. Estamos fechando esse desenho do programa, vendo inclusive o que é necessário, se precisa de mudança legal ou não. A pressão dos prefeitos é para colocarmos isso no segundo semestre, para que aconteça o mais rápido possível. Essa é a pressão que os prefeitos e prefeitas fazem.
Fórum – E já existem países que têm se mostrado interessados?
Padilha – A Espanha e Portugal estão ganhando prioridade, há países da América do Sul, como a Argentina, por exemplo, que têm mais médicos por habitantes e que também temos interesse em atrair. Não vamos disputar com quem tem menos como, por exemplo, a Bolívia, o Peru, Equador, que têm menos médicos do que o Brasil por habitante. A Itália tem uma possibilidade por conta da crise econômica europeia, e também temos interesse em trazer médicos bem formados de Cuba.
Fórum – Por que esse preconceito todo contra Cuba?
Padilha – Da nossa parte, não tem preconceito nenhum, e acho nocivo à saúde pública qualquer ideologização sobre esse debate. Não é bom para a saúde pública. Acho que há alguns setores que querem fazer a discussão em um grau de politização que não deve ser feito, em um debate tão essencial para população brasileira. Temos unidades de saúde prontas, montadas e sem médicos. E a culpa não é dos médicos brasileiros. É porque existe um mercado muito aquecido nos grandes centros e oportunidades muito claras neles, que fazem com que os nossos médicos disputem essas vagas. E nós não podemos perder a oportunidade de fazer parcerias e trazer médicos de outros países para atender a população brasileira para municípios que querem expandir seus serviços.
Fórum – Sobre a questão da gripe, essa incidência do H1N1, e também existe a dengue, com inúmeros casos em várias regiões do país…
Padilha – São dois tipos de infecção e epidemias que convivem muito com o modo de vida do ser humano hoje, da população brasileira. O mosquito do vírus da dengue, chamamos  de mosquito antropofílico, que gosta de conviver com o ser humano. Se o ovo do mosquito da dengue é colocado em um copo seco, e esse copo fica seco, ainda assim é viável durante 300 dias, ou seja, um ano depois, se cai uma chuva, ele eclode. A dengue tem tudo a ver com a realidade das nossas cidades, há a necessidade de melhorarmos o saneamento, e também de ter o cuidado em relação ao ambiente da sua casa. Na região Sudeste do país, mais de 80% dos focos do mosquito da dengue estão dentro das casas das pessoas.
Assim, o grande esforço da área da Saúde é mesmo com o número de casos da dengue, reduzir o número de óbitos e de casos graves, e isso nós temos conseguido fazer. Tivemos uma forte redução, a gente compara o número de óbitos e casos graves que tivemos em 2011 e 2012 com o que tivemos em 2010 e nos anos anteriores e há uma grande redução, muito melhor do que as grandes epidemias de dengue que tivemos no começo de 2000, 2001 e 2002.
Uma das questões que havíamos apontado no final do ano passado é de avaliar detalhadamente o que aconteceu em Minas Gerais, Goiás, Paraná e algumas regiões do estado de São Paulo, que foram as que tiveram maior crescimento de casos de dengue em 2013. Mato Grosso do Sul também. Acreditamos que a mudança dos gestores municipais interromperam as ações de prevenção, inclusive teremos reuniões com esses estados agora em julho, agosto, para avaliar detalhadamente o que aconteceu.
Em relação à gripe, desde 2009 vivemos com a pandemia do vírus H1N1, e houve um número muito elevado de óbitos comparado com o que temos hoje.  Nós não vivemos a situação de 2009 e 2010 com a gripe H1N1, é um outro momento. Mas tivemos no estado de São Paulo uma antecipação dos casos que preocupam o Ministério da Saúde e o governo estadual, porque esse número deveria ser maior no inverno. O que nos preocupou muito é que hoje quase 90% dos casos de óbito da H1N1 no Brasil inteiro estão concentrados no estado de São Paulo. Suspeitamos que o principal motivo é o uso muito tardio do remédio Tamiflu, o Brasil é um dos poucos lugares do mundo que oferece vacina de graça para todos  os grupos recomendados pela OMS [Organização Mundial de Saúde], inclusive este ano ampliamos bastante para pessoas de qualquer faixa etária e que tenham doenças no coração ou doença pulmonar. Todos esses grupos recebem a vacina da gripe de graça.
Fórum – Seria um erro abrir para toda a população ou o problema é o custo?
Padilha – A vacina contra a gripe não tem o papel de impedir a transmissão, mas sim de reduzir os casos graves, porque tem gripe motivada por outros tipos de vírus, não existe a força de proteção para impedir a transmissão. O foco, em uma campanha de vacinação como essa, tem de ser nos grupos em que podem ocorrer casos graves, porque, qual é o risco? Em 2009 e 2010, por exemplo, quando se fez a vacinação com um público maior, os óbitos foram dentro dos grupos de risco, porque às vezes se amplia a vacinação para todo mundo e quem mais precisa acaba não tomando a vacina, porque não chega no posto de saúde, ou fica excluído.
Por isso que o Brasil vacina oque a OMS orienta, e a questão aqui não são os recursos. Mesmo nos anos em que houve ampliação dos grupos, os números de óbitos continuaram acontecendo nos grupos de riscos.
Então, por isso que o foco é nesses grupos. E, combinada com a vacinação, a principal ação para evitar mortes e casos graves é o uso precoce do Tamiflu. E aí tem uma mudança de cultura para os profissionais de Saúde, porque, por muitos anos, a visão foi de que a gripe não tinha remédio especifico, seria tomar medicamentos para febre, hidratação e descansar. Há alguns anos descobriu-se que existe uma medicação que age contra esse tipo de vírus, gratuita, e está sendo distribuída em todos os lugares. Os casos que vimos no Rio Grande do Sul ano passado, dos óbitos – menos de 5% tiveram uso do Tamiflu antes das primeiras 48 horas, ou seja, no momento em que é indicado fazer uso. O que aconteceu aqui em São Paulo nos primeiros casos foi a mesma coisa. A maior parte é de pessoas que ou tinham faixa etária para tomar vacina ou possuíam outras doenças associadas que indicavam o uso da vacina de graça e o uso do Tamiflu foi tardio, não aconteceu nas primeiras 48 horas. Nesse momento,  o nosso grande reforço para os profissionais de saúde e secretarias municipais e estaduais é colocar o Tamiflu o mais perto possível da população.
Esta entrevista faz parte da edição 124 de Fórum, a partir do dia 15 de julho, em bancas

Perguntar ao médico ou ao paciente?

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Perguntar ao médico ou ao paciente?

Se formos perguntar às categorias, o corporativismo fala mais alto. E não é só a dos médicos. Portanto, discurso corporativista do médico é igual ao do político. Nem a máfia faz diferente. A razão não comparece com medo de dar vexame em público.
Quando a questão é saúde, por que não vale a opinião do paciente? Se o médico, para receitar, vai pedir  raio X e/ou exame sangue por que não pode pedir a opinião dos pacientes a respeito da vinda de médicos do exterior para atender onde hoje eles não querem ir? Dos pacientes que hoje não tem acesso à médicos!
O acamado lá no interior de Cacimbinhas está preocupado com a estrutura hospitalar ou acesso a um profissional de saúde que pudesse prestar as primeiras informações? Se estrutura fosse condicionante, não haveria médico de família.
O que me espanta nesta questão dos médicos é que há muito doutor em rebimboca da parafuseta mas nenhuma palavra na linha da ética médica. Ao que parece, pelos cartazes e vozes que se levantam na internet, a formação humanística tem medo dos bisturis. Cortar na carne dos outros parece até prazeroso. É evidente que o lado mais sensível do ser humano continua sendo o bolso. Os médicos brasileiros ao levarem à rua seus discursos doentios estando explicitando conceitos mercantilistas que eram de domínio público mais cheirava à inveja. Hoje a população tem a respeito da categoria médica mais elementos que confirmam, não só o mercantilismo mais retrógrado, mas, pelo nível das manifestações de rua, um desequilíbrio emocial evidente.
Talvez o Brasil, de fato, precise importar não só médicos para a população desassistida, mas também psiquiatras para médicos e professores de ética e humanismo para não aparecem nus em público…
Até aqui, pelo que tenho lido, o diagnóstico indica degenerescência prematura da uma boa parte da classe médica. Verifico que ainda precisam aprender viabilizar receita de boa educação.  Falece-lhes, por contaminação monetária, a saúde da ética mais elementar.
Quem tergiversa pela falta de estrutura nunca esteve com problema de saúde sem poder consultar, por falta de acesso geográfico, um médico.
Médico de Dilma reforça coro contra vinda de estrangeiros
Kalil Filho diz ser ‘terminantemente’ contrário a programa lançado por governo
Não adianta jogar profissional importado em hospitais do interior se não existe estrutura, afirma cardiologista
CATIA SEABRANATUZA NERYDE BRASÍLIA
Em pelo menos um ponto a presidente Dilma Rousseff não seguiu as recomendações de seu cardiologista: a "importação" de médicos estrangeiros para o Brasil.
Médico de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardiologista Roberto Kalil Filho se opõe à contratação de estrangeiros para atendimento em hospitais no interior do Brasil.
"Sou terminantemente contra", diz Kalil.
Segundo ele, o maior problema da transferência de médicos para regiões distantes está na falta de condições de trabalho. Em alguns casos, afirma, o profissional "não tem nem acomodação".
"Não adianta jogar os médicos [num hospital] se não houver estrutura. O médico pode ser da China, da Lua. Se não tiver seringa, se não tiver raio x, ele não vai conseguir atender ao paciente", diz.
Dilma oficializou anteontem um programa para fixar médicos no interior do país e nas periferias. Na falta de interessados brasileiros, serão abertas vagas para estrangeiros. Entidades médicas criticam a proposta, defendendo melhoria de estrutura na rede e a criação de uma carreira federal do médico.
Embora reconheça que a priorização de brasileiros atenue suas críticas, Kalil afirma que existem "outros caminhos para melhorar o atendimento" do SUS.
"Se os governos não conseguem há 30 anos melhorar as condições de trabalho, não é mandando médico para o extremo norte que vão resolver o problema", afirmou.
Segundo Kalil, a temporariedade da contratação e a garantia de que os estrangeiros não poderão ser transferidos amenizam sua resistência –por não tirar "emprego do médico brasileiro".
Citando reportagens que mostram falta de médicos em hospitais bem equipados, Kalil até reconhece que, em alguns casos, é necessário enviar médicos para lugares onde exista rede hospitalar.
Mas acrescenta que esse não é o cenário na maior parte da rede pública.
Kalil conta já ter manifestado sua contrariedade para o ministro Alexandre Padilha (Saúde). A Folha apurou que ele chegou a participar de pelo menos uma reunião com a própria presidente Dilma para discussão do modelo.
Seu papel, segundo integrantes do governo, foi estabelecer canal de interlocução com representantes médicos contrários ao programa.
Ao longo da negociação, o governo admitiu alterações no projeto, como a regra que prioriza a opção por médicos brasileiros. Essas mudanças, no entanto, não contemplaram as entidades médicas.
Kalil é doutor e professor livre-docente pela USP com especialização nos EUA. Ocupa atualmente a direção do centro de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. Eles não quis comentar a exigência para que alunos de medicina trabalhem dois anos no SUS.

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Futuros médicos reprovados em exame vão poder exercer profissão

 Com Texto Livre

Futuros médicos reprovados em exame vão poder exercer profissão

Conte-me como é ser reprovado no CREMESP e sair às ruas num ato promovido pelo CRESMESP contra a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil exigindo que ele faça provas. Seriam as mesmas nas quais você mesmo sendo reprovado/a poderá exercer a medicina?
Pena que o CREMESP que valoriza tanto a meritocracia não publique a lista dos reprovados pra gente não correr o risco de ser atendidos por eles. Só estou cuidando da meritocracia, sem ressentimentos doutores com narizes de palhaço e cartazes esquisitos.
A! Sim, a matéria é do JN daquela mesma emissora confiável que como você odeia os 'petralhas' e este governo da 'terrorista' que quer trazer médicos cubanos para dar o 'golpe comunista no Brasil'.
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Jornal Nacional
 06/12/2012   
Dos 2400 formandos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de SP, 54,5% não atingiram a nota mínima. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas.
Mais da metade dos recém-formados nas faculdades de medicina de São Paulo foi reprovada em um exame do Conselho Regional de Medicina do estado. Mesmo assim, esse grupo vai poder exercer a profissão.
Obrigatório pela primeira vez, o exame do Cremesp, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, teve este ano seis vezes mais participantes do que no ano passado. Mas o resultado continua ruim. Dos 2400 formandos do estado que fizeram a prova, 54,5% não atingiram a nota mínima. E ela nem era tão alta: seis. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas, como saúde pública e clínica médica, que ensina como atender um paciente.
“É uma prova de nível fácil para médio. Aquele aluno que não consegue acertar 60% de uma prova desse tipo tem sérios problemas na sua formação e vai ter dificuldades para atender as pessoas”, aponta o presidente do Conselho Regional de Medicina-SP, Renato Azevedo Júnior.
O Cremesp não divulga os nomes e os resultados das faculdades, mas informa que os erros foram maiores em alunos de escolas privadas.
Os principais objetivos do Cremesp, com essa prova, são avaliar as faculdades de medicina do estado, tanto públicas quanto privadas, e mostrar ao MEC que em vez de autorizar a abertura de novas escolas, o Ministério da Educação tem que ser mais rigoroso na fiscalização dos cursos já existentes.
O Brasil é o segundo país do mundo em número de cursos de medicina, são 196. Só perde para a Índia, que tem uma população seis vezes maior. Apenas em São Paulo, são 36 faculdades, das quais sete foram abertas no último ano.
O mau resultado na prova não impede o registro profissional do formando. Alguns alunos são contrários a prova e boicotaram o exame.
“A gente defende é uma avaliação que seja feita em vários pontos da graduação, seriada, de dois em dois anos. Uma avaliação que englobe a faculdade como um todo e que não caia todo o peso da instituição em cima do estudante”, defende a diretora-executiva nacional dos estudantes de Medicina, Erika Plascak Jorge.
“O Ministério da Educação também tem que assumir sua responsabilidade nessa história e tem que tomar providência no sentido, inclusive, de fechar escolas de medicina que não tem condições de formar médicos”, ressaltou Renato Júnior.
O Ministério da Educação declarou que desconhece as bases em que foram aplicadas as provas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo e que avalia, constantemente, as faculdades de todo o país. Segundo o ministério, o ciclo de avaliação do ensino superior é de três anos e as faculdades de medicina que já receberam notas baixas, no passado, poderão ser descredenciadas em 2013, se mantiveram o nível baixo de ensino.
No Maria Frô

segunda-feira, 20 de maio de 2013

E OS CUBANOS?

Apenas 20% dos médicos estão interessados em trabalhar em áreas carentes

by bloglimpinhoecheiroso

Medicos09_Amazonia
Poucos médicos querem fora das regiões Sul e Sudeste do País. Às vezes, ocorrem mutirões para regiões mais inóspitas.
Mesmo a peso de ouro, prefeituras enfrentam dificuldades para contratar médicos no interior e até na periferia das grandes cidades. Nada menos do que 1.228 municípios pediram ajuda ao Ministério da Saúde para atrair recém-formados neste ano. A intenção era preencher 7.193 vagas, mas só 1.460 médicos demonstraram interesse, o equivalente a 20% da demanda.
Os números são do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), iniciativa do Ministério da Saúde para levar médicos a rincões do País e áreas carentes nas capitais e regiões metropolitanas. O Provab oferece bônus de 10% nas provas de ingresso em residências médicas a recém-formados que trabalhar por um ano em cidades do programa.
Balanço do Ministério da Saúde mostra que 233 cidades não atraíram nenhum interessado. Todos os 1.640 médicos inscritos foram selecionados em fevereiro, isto é, ficaram aptos a fechar contrato imediatamente com as prefeituras. Até a semana passada, porém, só 460 profissionais já tinham começado a trabalhar, enquanto outros 140 estavam em processo de contratação.
A formação e a distribuição de médicos em território brasileiro entraram na agenda do Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff determinou aos ministérios da Saúde e da Educação que preparem um plano para aumentar o número de médicos no País. O governo está convencido de que faltam profissionais e estuda criar ou ampliar faculdades, assim como facilitar a validação de diplomas de quem se formou no exterior, em países como Cuba, Bolívia e Argentina. Outro projeto é abrir mais 4 mil vagas de residência.
Alta rotatividade entre os problemas
A movimentação do governo desperta reações negativas nas corporações médicas. O Conselho Federal de Medicina divulgou, em novembro, o estudo “Demografia Médica no Brasil”, que apontou 371.788 profissionais em exercício naquele ano, o correspondente a uma taxa de 1,95 médico por mil habitantes. O governo quer elevar essa taxa para 2,5 até 2020 — ou até mesmo 2,7. O CFM, porém, considera o atual número suficiente, e diz que o problema está na má distribuição.
O Ministério da Saúde identificou 2.130 municípios com dificuldade de manter ou expandir o Programa Saúde da Família. As cidades têm direito a um número de equipes proporcional à população. Cada equipe é chefiada por um médico. Segundo o ministério, boa parte das cidades tem direito a mais equipes, mas não consegue criá-las por falta de profissionais.
Outro problema é a alta rotatividade. Em 1.190 cidades, mais de 75% das equipes trocam de médico pelo menos uma vez por ano, o que o governo considera excessivo. Em março, o ministério listou 26 municípios que não tinham médico da Família e outros quatro que não tinham nenhum profissional, conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O cadastro revela que apenas 2% dos municípios possuíam taxa superior a 2,5 médicos por mil habitantes, no ano passado.
Sempre que um profissional deixa o emprego, é comum que cidades fiquem semanas ou meses sem médico. Com pouca procura, é preciso elevar salários. Em geral, quanto mais longínquo e precário o município, maior o valor pago ao médico.
No Amapá, o governo do estado cede seus profissionais aos municípios. Sem isso, pequenas cidades ficariam desassistidas. Só que, além do salário estadual, os médicos recebem pagamento das prefeituras, com dinheiro repassado pelo ministério ao Saúde da Família. O Portal da Transparência estadual revela que há médicos ganhando R$39 mil brutos por mês. Um deles recebe mais R$5 mil da prefeitura de Marzagão (AP) por só um dia de trabalho na semana.
Em Pracuúba (AP), com 3 mil habitantes, a secretária de Saúde, Marly Gomes Vilhena, conta que a cidade passou oito meses sem médico ano passado. Nesse período, dois enfermeiros cuidavam da população. Hoje, há só uma médica, com salário bruto de R$28 mil do estado e R$5.500,00 da prefeitura.
“Por causa de nossa carência, o médico está supervalorizado”, resume o secretário de Saúde de Macapá, Otacílio Barbosa.
No Pará, a situação não é diferente. Em Santa Maria das Barreiras (PA), o único médico em atividade no mês passado era cubano.
“Os médicos vêm com interesse de ganhar dinheiro. Depois de juntar uma boa quantia, vão em busca de conforto. Não querem ficar a vida inteira aqui”, reclamou o assessor da Secretaria de Saúde Charles Lopes Peres.
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