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segunda-feira, 28 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Altamiro Borges: O colar de tucanos de Ana Maria Brega
Altamiro Borges: O colar de tucanos de Ana Maria Brega: Por Altamiro Borges Agora é oficial: a inflação em julho teve a menor alta mensal em três anos. O IPCA recuou de 0,26% para 0,03% no mê...
sábado, 3 de agosto de 2013
Crítica ao editorial da Folha de S.Paulo
DIÁLOGO FRÁGIL - RSS
Crítica ao editorial da Folha de S.Paulo
Noreply@blogger.com (dialogo Frágil)
Sábado, Agosto 03, 2013, 7:24 pm
BLOGS DE POLÍTICA
Da Folha de S. Paulo
Por fora dos trilhos
Editorial
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| de Osvaldo Ferreira |
Cartel delatado pela Siemens lança suspeita grave sobre governos tucanos em SP; PSDB acusa Cade de servir como instrumento político
As sucessivas administrações do PSDB em São Paulo, Estado governado pelo partido desde 1995, estão no epicentro de um escândalo milionário em torno do fornecimento de material ferroviário para linhas de metrô e de trens da CPTM.
O caso foi revelado nesta Folha. Reportagem de 14 de julho relatou a delação de um cartel por um de seus integrantes, a empresa alemã Siemens, ao Cade (agência federal antitruste) e ao Ministério Público, com os quais fizera acordo de imunidade em troca de colaboração.Não há ainda denúncia formal à Justiça. Por ora vieram à tona apenas documentos internos da Siemens que mencionam a combinação de resultados com as concorrentes Alstom (França), Bombardier (Canadá), CAF (Espanha), Mitsui (Japão) e outras empresas menos expressivas. Ao menos seis licitações teriam sido fraudadas.
Há que considerar a investigação com dupla cautela. Os detalhes ainda são nebulosos, mas o que transpirou até aqui indica um conluio entre fornecedores para repartir encomendas e elevar seus preços de 10% a 30%, sem provas de envolvimento das autoridades.
Observação: Não cabe a um jornal em seu editorial afirmar que não há provas contra autoridades de um partido político ou governo. Cabe a um jornal que mereça receber o nome de jornal exigir das autoridades que abram as suas contas à cidadania, de modo que esta com o respaldo do Ministério Público e da Polícia Estadual e, se for o caso Federal, averiguem qual foi o grau de envolvimento das autoridades públicas na grave denúncia, afinal, não há corruptores sem corruptos. Esta cautela excessiva da Folha de São Paulo com o PSDB jamais, repito, JAMAIS é repetida diante de acusações contra o PT, quando manchetes são postas em letras garrafais, repercutidas durante vários dias ou meses e reputações são assassinadas. Depois há o arquivamento das denúncias e a Folha nem sequer se dá ao trabalho de dar satisfações aos seus leitores sobre isso.
Essa hipótese, nada implausível, aparece em "diários" de executivos da Siemens entregues ao Cade que sugerem um suposto aval ao esquema dos governos tucanos de Mário Covas (1995-2001), Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2010).
Uma nota oficial de Alckmin, atual governador, afirma que surgiram apenas "comunicações entre empresas privadas, sem participação de servidor público estadual", e que será pedido ressarcimento aos cofres públicos.
Observação: Se o Governador não sabia, deveria saber. É sua obrigação. Se sabia e se aquietou prevaricou. Se sabia, se aquietou e continuou a manter contratos com essas empresas, é um corrupto protegido pela Folha de São Paulo. Como as obras e os serviços continuaram até hoje com pagamentos às empresas corruptoras, a defesa que este editorial safado faz do governo de São Paulo e do partido que está no poder, o PSDB, é simplesmente de dar ânsia de vômito!
Seu chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, saiu em ataque contra o governo federal do PT, acusando o Cade de se tornar "instrumento de polícia política". O ex-governador Serra agiu da mesma forma.
Já o secretário estadual de Transportes da administração Covas, Claudio de Senna Frederico, pronunciou-se em termos mais ambíguos. Ainda que negue ter tomado conhecimento do cartel, ele não o descarta. E afirma não se lembrar de "ter acontecido uma licitação de fato competitiva" no setor.
É uma declaração consternadora. Mesmo que o conluio sob investigação tenha permitido saltar a usual e custosa etapa de ações judiciais após licitações, seria excesso de pragmatismo --ou índice de coisa pior-- tolerar o sobrepreço e o desperdício de recursos públicos sob esse pretexto.
Observação: Consternadora é a situação de milhões de pessoas que dependem do transporte público no Estado de São Paulo e na Capital e não a declaração clara e evidente de um ex Secretário Estadual de Transportes confirmando não se lembrar da eficácia de alguma licitação no setor. O jornal em seu editorial, suave, suave, fala em tolerar sobrepreço, como se tolos fôssemos (seus leitores assíduos com certeza devem ser) e não soubéssemos que sobrepreços como os praticados dão azo a apropriação privada de recursos públicos, vale dizer, bola e bola ao PSDB!
Ainda não há como concluir se houve um caso grave de conspiração privada contra o princípio da concorrência ou se foi ultrapassado também o limiar da corrupção pública. Que o Cade e o Ministério Público concluam com o máximo de firmeza e celeridade sua investigação, de modo a confirmar ou afastar de vez a suspeita que paira sobre os trilhos paulistas.
Observação: Interessante como este benefício da dúvida que este editorial concede ao PSDB, partido no governo de São Paulo há 20 anos não é extensivo ao PT no Governo Federal. Muito interessante. Já há declarações de repasses de pelo menos 7% do sobrepreço cobrado a dirigentes do PSDB em cargos no metrô e nas ferrovias paulistanas e essas declarações são das empresas corruptoras, notadamente da Siemens. Logo, este editorial comprova o cinismo, o partidarismo e o desserviço que a imprensa brasileira presta ao cidadão, ocultando o que já é de conhecimento público nas redes sociais e tratando agremiações partidárias de forma absolutamente diferenciada conforme suas conveniências econômicas e políticas. Uma vergonha absoluta e um editorial repulsivo pelo cinismo escancarado!
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Mídia tenta abafar protestos na Globo
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Mídia tenta abafar protestos na Globo
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:
Era previsível que a grande mídia procurasse, de todas as formas, diminuir as manifestações organizadas pelas centrais sindicais. Mas fizeram pior: houve um esforço deliberado para denegri-las.
Não é de hoje que a mídia brasileira se assume como um partido político fundamentalmente antisindical e antitrabalhista.
O rancor da mídia contra sindicatos e centrais sindicais é fácil de entender. Com todos os seus problemas, eles são a expressão da classe trabalhadora organizada e constituem o único meio pelo qual os mais pobres podem ascender a posições políticas importantes.
Nenhum pobre jamais ganhará uma eleição sem apoio sindical. O núcleo duro de todos os partidos de esquerda é formado por sindicatos, centrais e movimentos sociais organizados.
Nota-se ainda um esforço, maquiavelicamente calculado, para criar uma polarização entre as manifestações de junho e as de ontem, 11 de julho. As comparações numéricas foram sempre no sentido de aumentar as primeiras e diminuir as últimas.
As manifestações de junho, de fato, foram monstruosas. Mas as de ontem ocuparam toda a Avenida Rio Branco. Não fosse o ataque covarde dos fascistas de preto aos manifestantes, cresceria ainda mais.
A mídia gosta de mencionar uma suposta realidade fantástica que o governo vende à população. Acontece que o governo não tem mídia. Quem vende uma realidade paralela à população é a nossa TV. Quem vende um mundinho encantado aos jovens é a TV. Não é o governo. Ao governo interessa, obviamente, fomentar o otimismo, visto que este é a mola do empreendedorismo, e incentiva o consumo, para acelerar as vendas e o crescimento econômico. Mas é a mídia que produz uma imagem esquizofrênica: por um lado, vende aos cidadãos uma fascinante fantasia de felicidade e consumismo; de outro, faz uma campanha sistemática contra o país, pintando-o sempre negativamente.
Há um estudo recente – este é um assunto do qual falaremos em breve – mostrando que a corrupção na sociedade, na esfera privada, é bem superior à da esfera pública. A corrupção individual, de médicos que faltam ao trabalho, empresários que sonegam, jornalistas que traficam informação, executivos que maquiam relatórios financeiros, é igual ou maior do que a de políticos. Temos ainda a corrupção na burocracia, no Judiciário e no Ministério Público.
Os cidadãos que protestam contra a corrupção deveriam sair às ruas com chicotes, flagelando-se a si mesmos, e gritando: Abaixo eu! Abaixo eu!
De qualquer forma, é apavorante constatar o poder da mídia de fazer prevalecer sua hegemonia na interpretação dos fatos sociais. Os jornais e a televisão esconderam acintosamente que a defesa pela democratização da mídia é uma demanda que constava nas grandes manifestações de junho, e que foram centrais nas desta quinta-feira.
A deficiência da representação política está ligada diretamente à questão da mídia. Congresso, Presidência da República, Ministério Público, STF, apenas são atingidos pelas demandas destacadas pela mídia. Isso é um erro. Talvez o principal erro da democracia brasileira. As instituições estão subestimando o que é a principal lacuna da nossa democracia. A mídia deve ser democratizada para que as demandas dos diferentes setores possam fluir de baixo para cima no corpo social.
Ontem, aconteceu uma grande manifestação diante da Globo. Saiu apenas uma notícia de segundos no SP-TV, e mais nada. Não há editoriais.
Merval Pereira, em sua coluna de hoje, menciona o tema de forma absolutamente cínica e mentirosa:
Pedir uma vaga democratização da mídia , por exemplo, é simplesmente tentar levar para as ruas a reivindicação de pequenos grupos de pressão, apoiados por blogs e revistas chapas-brancas, como se fosse uma aspiração da nacionalidade.
Como não é uma manifestação da nacionalidade? Como assim: “pequenos grupos de pressão”? A democratização da mídia era uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e centrais que ontem saíram às ruas. Não só ontem. Nas manifestações de junho, foi uma das demandas mais importantes, embora expressa de maneira genérica, em cantorias, cartazes e faixas contra a Globo.
Mas os ministros do STF, o procurador-geral, e os clipeiros do Congresso e da Presidência, preferem ler Merval Pereira do que ouvir a voz das ruas.
Que imprensa é essa, que vem abafando um dos maiores escândalos fiscais do século? Porque nenhum jornal aborda o “mensalão” da Globo, e seus desdobramentos holliwoodianos? Porque nem a Agência Brasil parece ter coragem de mencionar o tema? Eu fui entrevistado pela Rádio Nacional argentina, principal rádio pública daquele país, para falar da sonegação da Globo. Todos os sites, blogs e jornais alternativos no Brasil têm abordado o caso. Porque a Agência Brasil e a TV Brasil não entram no assunto? Por que o sistema público de comunicação sempre fica a reboque da grande mídia?
Tudo bem, a gente está na luta para isso mesmo. Confira o vídeo abaixo, com cenas da manifestação realizada em frente à Globo. Veja se isso é coisa de “pequenos grupos de pressão”…
Nada disso. O que vimos ontem, em frente à Globo, foi uma das maiores manifestações da história brasileira contra uma emissora de TV que apoiou a ditadura e se consolidou financeiramente durante o regime militar, com dinheiro dos Estados Unidos. E que até hoje se caracteriza pelo mais abjeto golpismo. Uma manifestação criativa, jovem, e de massa. E apoiada por milhões de brasileiros em todo país.
Quem sabe o gigante não esteja, de fato, acordando? Num primeiro momento, ele se espreguiçou, e espalhou os braços, confusamente, quebrando tudo ao redor. Aos poucos, porém, começa a lembrar onde está, o que fez no dia anterior, e seus pensamentos clareiam-se.
Agora sim, a coisa está ficando boa.




PS: A Folha fez uma menção na capa, tão escondido que demorei muito tempo para descobrir. Mas foi pior que abafar. Distorceu negativamente. A menção vem numa nota em que se fala dos vândalos de preto no Rio. E diz que a manifestação foi de “400 black bocs”, quando na verdade foram duas mil pessoas e com participação de vários movimentos sociais.
Na edição nacional, veio sem foto. Na edição de São Paulo, teve uma foto de um grupo de mascarados segurando paus. Muito pior que abafar!

Era previsível que a grande mídia procurasse, de todas as formas, diminuir as manifestações organizadas pelas centrais sindicais. Mas fizeram pior: houve um esforço deliberado para denegri-las.
Não é de hoje que a mídia brasileira se assume como um partido político fundamentalmente antisindical e antitrabalhista.
O rancor da mídia contra sindicatos e centrais sindicais é fácil de entender. Com todos os seus problemas, eles são a expressão da classe trabalhadora organizada e constituem o único meio pelo qual os mais pobres podem ascender a posições políticas importantes.
Nenhum pobre jamais ganhará uma eleição sem apoio sindical. O núcleo duro de todos os partidos de esquerda é formado por sindicatos, centrais e movimentos sociais organizados.
Nota-se ainda um esforço, maquiavelicamente calculado, para criar uma polarização entre as manifestações de junho e as de ontem, 11 de julho. As comparações numéricas foram sempre no sentido de aumentar as primeiras e diminuir as últimas.
As manifestações de junho, de fato, foram monstruosas. Mas as de ontem ocuparam toda a Avenida Rio Branco. Não fosse o ataque covarde dos fascistas de preto aos manifestantes, cresceria ainda mais.
A mídia gosta de mencionar uma suposta realidade fantástica que o governo vende à população. Acontece que o governo não tem mídia. Quem vende uma realidade paralela à população é a nossa TV. Quem vende um mundinho encantado aos jovens é a TV. Não é o governo. Ao governo interessa, obviamente, fomentar o otimismo, visto que este é a mola do empreendedorismo, e incentiva o consumo, para acelerar as vendas e o crescimento econômico. Mas é a mídia que produz uma imagem esquizofrênica: por um lado, vende aos cidadãos uma fascinante fantasia de felicidade e consumismo; de outro, faz uma campanha sistemática contra o país, pintando-o sempre negativamente.
Há um estudo recente – este é um assunto do qual falaremos em breve – mostrando que a corrupção na sociedade, na esfera privada, é bem superior à da esfera pública. A corrupção individual, de médicos que faltam ao trabalho, empresários que sonegam, jornalistas que traficam informação, executivos que maquiam relatórios financeiros, é igual ou maior do que a de políticos. Temos ainda a corrupção na burocracia, no Judiciário e no Ministério Público.
Os cidadãos que protestam contra a corrupção deveriam sair às ruas com chicotes, flagelando-se a si mesmos, e gritando: Abaixo eu! Abaixo eu!
De qualquer forma, é apavorante constatar o poder da mídia de fazer prevalecer sua hegemonia na interpretação dos fatos sociais. Os jornais e a televisão esconderam acintosamente que a defesa pela democratização da mídia é uma demanda que constava nas grandes manifestações de junho, e que foram centrais nas desta quinta-feira.
A deficiência da representação política está ligada diretamente à questão da mídia. Congresso, Presidência da República, Ministério Público, STF, apenas são atingidos pelas demandas destacadas pela mídia. Isso é um erro. Talvez o principal erro da democracia brasileira. As instituições estão subestimando o que é a principal lacuna da nossa democracia. A mídia deve ser democratizada para que as demandas dos diferentes setores possam fluir de baixo para cima no corpo social.
Ontem, aconteceu uma grande manifestação diante da Globo. Saiu apenas uma notícia de segundos no SP-TV, e mais nada. Não há editoriais.
Merval Pereira, em sua coluna de hoje, menciona o tema de forma absolutamente cínica e mentirosa:
Pedir uma vaga democratização da mídia , por exemplo, é simplesmente tentar levar para as ruas a reivindicação de pequenos grupos de pressão, apoiados por blogs e revistas chapas-brancas, como se fosse uma aspiração da nacionalidade.
Como não é uma manifestação da nacionalidade? Como assim: “pequenos grupos de pressão”? A democratização da mídia era uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e centrais que ontem saíram às ruas. Não só ontem. Nas manifestações de junho, foi uma das demandas mais importantes, embora expressa de maneira genérica, em cantorias, cartazes e faixas contra a Globo.
Mas os ministros do STF, o procurador-geral, e os clipeiros do Congresso e da Presidência, preferem ler Merval Pereira do que ouvir a voz das ruas.
Que imprensa é essa, que vem abafando um dos maiores escândalos fiscais do século? Porque nenhum jornal aborda o “mensalão” da Globo, e seus desdobramentos holliwoodianos? Porque nem a Agência Brasil parece ter coragem de mencionar o tema? Eu fui entrevistado pela Rádio Nacional argentina, principal rádio pública daquele país, para falar da sonegação da Globo. Todos os sites, blogs e jornais alternativos no Brasil têm abordado o caso. Porque a Agência Brasil e a TV Brasil não entram no assunto? Por que o sistema público de comunicação sempre fica a reboque da grande mídia?
Tudo bem, a gente está na luta para isso mesmo. Confira o vídeo abaixo, com cenas da manifestação realizada em frente à Globo. Veja se isso é coisa de “pequenos grupos de pressão”…
Nada disso. O que vimos ontem, em frente à Globo, foi uma das maiores manifestações da história brasileira contra uma emissora de TV que apoiou a ditadura e se consolidou financeiramente durante o regime militar, com dinheiro dos Estados Unidos. E que até hoje se caracteriza pelo mais abjeto golpismo. Uma manifestação criativa, jovem, e de massa. E apoiada por milhões de brasileiros em todo país.
Quem sabe o gigante não esteja, de fato, acordando? Num primeiro momento, ele se espreguiçou, e espalhou os braços, confusamente, quebrando tudo ao redor. Aos poucos, porém, começa a lembrar onde está, o que fez no dia anterior, e seus pensamentos clareiam-se.
Agora sim, a coisa está ficando boa.
PS: A Folha fez uma menção na capa, tão escondido que demorei muito tempo para descobrir. Mas foi pior que abafar. Distorceu negativamente. A menção vem numa nota em que se fala dos vândalos de preto no Rio. E diz que a manifestação foi de “400 black bocs”, quando na verdade foram duas mil pessoas e com participação de vários movimentos sociais.
Na edição nacional, veio sem foto. Na edição de São Paulo, teve uma foto de um grupo de mascarados segurando paus. Muito pior que abafar!
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Barões da mídia e editores deveriam votar?
Brasil 24/7
Barões da mídia e editores deveriam votar?
Monday, July 08, 2013, 9:36 am
BLOGS DE POLÍTICA
quinta-feira, 4 de julho de 2013
terça-feira, 2 de julho de 2013
Começou a verdadeira guerra da mídia
Começou a verdadeira guerra da mídia
Enviado por luisnassif, ter, 02/07/2013 - 08:00
Autor:
Luis Nassif
Coluna Econômica
Estourou a guerra Google x Globo.
Antes de entrar nos detalhes, vamos entender melhor o que ocorreu no universo midiático nos últimos anos.
Desde meados dos anos 2000 estava claro, para os grandes grupos de mídia, que o grande adversário seriam as redes sociais.
Rupert Murdoch, o precursor, deu a fórmula inicial na qual se espelharam grupos de mídia em países periféricos.
Compra de redes sociais.
Acesso ao mercado de capitais para alavancar o crescimento.
Adquiriu jornais em vários países e fez a aposta maior adquirindo uma rede social bem colocada na época. Falhou. A rede foi derrotada pelos puros-sangues Google e Facebook.
Percebendo a derrota, Murdoch decidiu levar a guerra para o campo da política. Explorou alguns recursos ancestrais de manipulação da informação para estimular um clima de intolerância exacerbada, apelando para os piores sentimentos de manada, especialmente na eleição em que Barack Obama saiu vitorioso.
Não é por outro motivo que uma das primeiras reuniões de Obama, depois de eleito, foi com os capitães das redes sociais - Apple, Google e Facebook.
O caso brasileiro
No Brasil, sem condições de terçar armas com as grandes redes sociais, os quatro grandes grupos de mídia - Globo, Abril, Folha e Estado - montaram o pacto de 2005, seguindo a receita política de Murdoch.
Exploração da intolerância. Nos EUA, contra imigrantes; aqui, contra tudo o que não cheirasse classe média. Nos EUA, contra a ascendência de Obama; no Brasil, contra a falta de pedigree de Lula.
Exploração da dramaturgia. Um dos recursos mais explorados pela mídia de todos os tempos é conferir a personagens reais o mesmo tratamento dado à dramaturgia: transformando adversários em entidades superpoderosas, misteriosas, conspiratórias. O "reino de Drácula", no caso brasileiro, foi a exploração do tal bolivarianismo, a conspiração das FARCs.
Manipulação ilimitada do produto notícia. É só conferir minha série "O caso de Veja" ou a sucessão de capas da revista em sua parceria com Carlinhos Cachoeira. Ali, rompeu-se definitivamente os elos entre notícias e fatos. Instituiu-se um vale-tudo que matou a credibilidade da velha mídia.
Pressão contra a mudança do perfil da publicidade. Historicamente, os grandes veículos sempre se escudaram no conceito de "mídia técnica" para impedir a pulverização da publicidade. Por tal, entenda-se a mídia que alcance o maior número possível de público leitor. Em nome desse conceito vago, investiu contra a Secom (Secretaria de Comunicação do governo) quando esta passou a diversificar sua verba de publicidade, buscando publicações fora do eixo Rio-São Paulo e, timidamente, ousando alguma coisa na Internet.
Quadro atual
Agora, tem-se o seguinte quadro.
A velha mídia montou uma estratégia de confronto-aliança com o governo. Mas suas vitórias resumiram-se a dificultar o acesso de blogs e da mídia regional às verbas públicas.
Na grande batalha, perdeu. O Google entrou com tudo no país. Este ano deverá faturar R$ 2,5 bilhões, tornando-se o segundo maior faturamento do país, através apenas da Globo, e na frente da Abril.
Tem se valido de duas das ferramentas que a velha mídia utilizava contra concorrentes menores: o BV (Bônus de Veiculação), para atrair as agências; e o conceito de "mídia técnica" (a de maior abrangência).
A Globo reagiu, atuando junto ao governo, e denunciando práticas fiscais do Google, de recorrer a empresas "offshore" para não pagar impostos. Agora, constata-se que a própria Globo também se valeu desse subterfúgio fiscal. E a denúncia é veiculada pelo\ blog de Miguel do Rosário, um dos mais brilhantes blogueiros oriundo dos novos tempos.
E a velha mídia descobre que, em sua estratégia tresloucada para dominar o ambiente política, queimou todos os navios que poderiam levar a alianças com setores nacionais. Apostou no que havia de mais anacrônico, criou um mundo irreal para combater (cheio de guerrilheiros, bolivarianismo, farquismo etc.) e, quando os inimigos contemporâneos entraram em cena, não conseguiu desenvolver um discurso novo.
É o bolor contra o mundo digital.
Dissidências internas
À medida em que a guerra avança, surgem os conflitos de interesse entre os próprios grupos da velha mídia.
O grupo Folha sentiu-se abandonado pelos demais grupos na sua luta para impedir que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabasse com a obrigatoriedade de se ter um provedor para ter acesso à Internet.
Por outro lado, a divulgação dos dados de publicidade do governo mostra que a estratificação das verbas beneficiou as emissoras de TV (especialmente a Globo), em detrimento das publicações impressas.
Em breve, a Secom deverá se posicionar nessa disputa.
Há três tendências se consolidando:
O fim do conceito da "mídia técnica" que, antes, beneficiava os grupos nacionais e agora os prejudica.
O aumento de participação na Internet.
A suspensão de qualquer publicidade pública nas redes sociais.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
PARA A MÍDIA NACIONAL, O POVO JÁ FOI LONGE DEMAIS
PARA A MÍDIA NACIONAL, O POVO JÁ FOI LONGE DEMAIS
As "lindas" manifestações de rua, que emparedavam o governo Dilma, já não são mais tão belas; pelo menos, na visão dos meios de comunicação, que, até ontem, as incensavam; Estadão, de Francisco Mesquita Neto, condena a "demofilia" dos governantes; Globo, de João Roberto Marinho, teme que o PT se aproprie da agenda das ruas; Folha, de Otávio Frias Filho, fala em populismo e seus colunistas já reclamam do trânsito; Valor Econômico, associação entre Globo e Folha, diz que o pacote de bondades já custa R$ 115 bilhões por ano; enquanto isso, a presidente Dilma diz que seu governo "vai disputar a voz das ruas"
27 DE JUNHO DE 2013 ÀS 08:46
247 - A mídia brasileira se cansou do povo. E as manifestações de rua, que até ontem eram lindas expressões democráticas, uma vez que emparedavam o governo Dilma, hoje são um transtorno à população, um custo para a economia e um risco à democracia.
É o que se depreende da leitura de grandes jornais. O Estadão, por exemplo, condena o excesso de "demofilia" dos governantes. "Na ânsia de reverenciar o povo, os poderes federais competem, às cotoveladas, para fazer da noite para o dia o que a rua subitamente se pôs a cobrar com veemência nos quatro cantos do País em mobilizações que surpreenderam cobradores e cobrados pela amplitude e difusão", diz o editorial do jornal comandado por Francisco Mesquita Neto (leia mais aqui).
Na Folha, o editorial "Brasília se agita" também condena o que o jornal de Otávio Frias Filho classifica como populismo. "De forma frenética, Poderes buscam dar respostas aos protestos, mas correm o risco de se perder em medidas de caráter inócuo ou populista", diz o texto, que defende que uma resposta mais adequada dos políticos seria o cancelamento do projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo. Também na Folha, o artigo de Rogério Gentile já critica os transtornos que as manifestações de São Paulo têm causado ao trânsito da metrópole (leia aqui). E a coluna de Vinícius Torres Freire sugere que investidores podem desistir das concessões de serviços públicos, com os congelamentos das tarifas (leia aqui).
O Globo, de João Roberto Marinho, aponta até riscos à democracia e diz que o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff só favorece o PT. "Pesquisas feitas entre manifestantes, antes da reunião de segunda, não detectaram o desejo por uma reforma política", diz o editorial do jornal, que condena a iniciativa proposta pela presidente Dilma. O jornal, no entanto, finge ignorar que a demanda por menos corrupção – presente em todas as manifestações – está diretamente ligada ao tema do financiamento de campanhas políticas.
Além disso, o Valor Econômico, fruto de uma associação entre Globo e Folha, calculou que as medidas já anunciadas pelos governantes terão um custo fiscal de R$ 115 bilhões ao ano. A principal delas – condenada pelo jornal – seria a elevação dos gastos com educação para 10% do PIB, o que custaria R$ 71 bilhões a mais até 2020.
Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff, que ontem se reuniu com centrais sindicais, parece cada vez mais disposta a retomar a iniciativa. "Vou disputar a voz das ruas", disse ela.
Pelo jeito, as manifestações de rua irão gradativamente perder o apoio dos meios de comunicação. A menos que se voltem contra o PT e o governo Dilma.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Movimentos de comunicação marcam ato na sede da Rede Globo em São Paulo
POR MAIS VOZES
Movimentos de comunicação marcam ato na sede da Rede Globo em São Paulo
Protesto deve ser realizado na próxima quarta-feira (3). Plenária realizada ontem debateu agenda unificada. Ideia é aproveitar efervescência política para pautar democratização da mídia
por Gisele Brito, da RBA publicado 26/06/2013 10:46, última modificação 26/06/2013 11:01
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CC/MÍDIA NINJA
São Paulo – Movimentos que defendem a democratização dos meios de comunicação realizaram na noite de ontem (26) uma plenária no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para traçar uma estratégia de atuação. A ideia é aproveitar o ambiente de efervescência política para pautar o assunto. Concretamente, cerca de 100 participantes, decidiram realizar uma manifestação diante da sede da Rede Globo na cidade, na próxima quarta-feira (3).
A insatisfação popular em relação à mídia foi marcante nas recentes manifestações populares em São Paulo. Jornalistas de vários veículos de comunicação, em especial da Globo, foram hostilizados durante os protestos. No caso mais grave, um carro da rede Record, adaptado para ser usado como estúdio, foi incendiado.
Na plenária de ontem, o professor de gestão de políticas públicas da Universidade de São Paulo, Pablo Ortellado, avaliou que os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, a revista Veja e a própria Globo, por meio de editoriais, incentivaram o uso da violência para reprimir os manifestantes. Mas em seguida passaram a colaborar para dispersar a pauta de reivindicações que originaram a onda de protestos, ao incentivar a adoção de bandeiras exteriores à proposta do MPL – até então restrita à revogação do aumento das tarifas de ônibus, trens e metrô de R$ 3 para R$ 3,20.
Os movimentos sociais, no entanto, ainda buscam uma agenda de pautas concretas para atender a diversas demandas, que incluem a democratização das concessões públicas de rádio e TV, liberdade de expressão e acesso irrestrito à internet.
“Devíamos beber da experiência do MPL (Movimento Passe Livre) aqui em São Paulo, que além de ter uma meta geral, o passe livre, conseguiu mover a conjuntura claramente R$ 0,20 para a esquerda”, exemplificou Pedro Ekman, coordenador do Coletivo Intervozes. “A gente tem que achar os 20 centavos da comunicação. Achar uma pauta concreta que obrigue o governo federal a tomar uma decisão à esquerda e não mais uma decisão de conciliação com o poder midiático que sempre moveu o poder nesse país”, defendeu.
"A questão é urgente. Todos os avanços democráticos estão sendo brecadas pelo poder da mídia, que tem feito todos os esforços para impedir as reformas progressistas e para impor uma agenda conservadora, de retrocesso e perda de direitos", afirmou Igor Felipe, da coordenação de comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A avaliação é que apesar de outras conquistas sociais, não houve avanços na questão da democratização da mídia. "Nós temos dez anos de um processo que resolveu não enfrentar essa pauta. Nós temos um ministro que é advogado das empresas de comunicação do ponto de vista do enfrentamento do debate público", disse Ekman, referindo-se a Paulo Bernardo, da Comunicação.
Bernardo é criticado por ter, entre outras coisas, se posicionado contra mecanismos de controle social da mídia. "Eu não tenho dúvida que tudo isso passa pela saída dele. Fora, Paulo Bernardo!", enfatizou Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e coordenador do programa Praças Digitais da prefeitura de São Paulo.
Amadeu acusa o ministro de estar "fazendo o jogo das operadoras que querem controlar a Internet" e trabalhar para impedir a aprovação do atual texto do Marco Civil do setor. "Temos uma tarefa. Lutar sim, para junto dessa linha da reforma política colocar a democratização", afirmou.
Rosane Bertotti, secretária nacional de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, enfatizou a importância da campanha de coleta de assinaturas para a proposta de iniciativa popular de uma nova lei geral de comunicação.
O projeto trata da regulamentação da radiodifusão e pretende garantir mais pluralidade nos conteúdos, transparência nos processos de concessão e evitar os monopólios. "Vamos levá-lo para as ruas e recolher 1,6 milhão de assinaturas. Esse projeto não vem de quem tem de fazer – o governo brasileiro e o Congresso –, mas virá da mão do povo", disse.
domingo, 16 de junho de 2013
Folha de S.Paulo - Cotidiano - Servi�o secreto da PM diz que PSOL 'recruta' punks para protestos - 16/06/2013
Folha de S.Paulo - Cotidiano - Servi�o secreto da PM diz que PSOL 'recruta' punks para protestos - 16/06/2013 - O PIG CRIOU O MEDO E A REPRESSÃO E AGORA NÃO SABE O QUE FAZER...
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O futuro das empresas de mídia é um pesadelo
O futuro das empresas de mídia é um pesadeloby bloglimpinhoecheiroso |
Mas para a sociedade isso vai ser muito bom.
Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo
Um
ditado, que afirmavam ser muito citado por Tancredo Neves, estabelece o
seguinte: “A esperteza, quando é demais, come o dono.”
A
frase se aplica às famílias que controlam as grandes empresas de
jornalismo do Brasil num momento especialmente dramático para elas. Há
uma troca de gerações, como se observou pela morte, com poucos dias de
distância, de Ruy Mesquita e Roberto Civita.
O
crescimento avassalador da internet tornará complicado gerir as
companhias que se tornaram gigantes sob circunstâncias completamente
diferentes. Todo dia – melhor, todo segundo – diminui o número de
leitores e o volume de anúncios.
Não
há volta. No seriado “The Office”, passado numa empresa que vende
papel, uma das melhores piadas aparece quando um vendedor diz a outro,
diante das quedas constantes nas vendas: “A gente recupera quando a moda
da internet passar.”
Haverá
uma transferência cada vez mais rápida de leitores, anunciantes, verbas
publicitárias e bons jornalistas rumo ao mundo digital.
Diante
do cenário desanimador, é provável que muita gente, nas novas gerações
que controlam as grandes empresas jornalísticas, desejasse simplesmente
vender o negócio. Você faz dinheiro e se livra, no ócio milionário, dos
capítulos duros da agonia inevitável.
Seria
uma alternativa excelente – não fosse a reserva de mercado que os
barões da mídia trataram de garantir para si próprios, num passado em
que nada fazia prever o surgimento da concorrência destruidora da
internet.
A
reserva é assim. Os estrangeiros podem ter apenas 30% do capital das
empresas brasileiras. Não vou discutir aqui quanto isso agride as leis
básicas de concorrência capitalista pelas quais as empresas
jornalísticas se batem tanto exceto para elas mesmas. Vou falar apenas
da ironia que essa situação esdrúxula trouxe agora.
Se
você não pode vender a compradores internacionais, e eles sim têm
recursos, está condenado a negociar com um universo bem menos opulento –
o dos compradores brasileiros.
Existe
uma justiça poética, nisso, inegavelmente. Décadas depois, a esperteza
parece estar comendo as famílias que a usaram para promover a reserva de
mercado na mídia. Porque ela, a reserva, só é, ou foi, boa para os
acionistas, protegidos de uma concorrência que haveria de resultar em
produtos melhores para os leitores e um mercado de trabalho mais pujante
para os jornalistas.
Quanto
ela é indefensável, você avalia por um artigo do novo ministro do STF,
Luís Barroso, escrito nos tempos em que ele era advogado da associação
que defende os interesses da Globo, a Abert.
No
artigo, Barroso disse que a reserva tinha a virtude de preservar as
novelas, “patrimônio cultural brasileiro”, e evitar que Mao Tsé-Tung
irrompesse nos lares brasileiros com sua pregação subversiva.
O
ajuste de contas com a esperteza chegou primeiro para a mídia impressa,
a vítima inicial da internet. Mas logo chegará também ao reino da tevê:
cada vez menos pessoas veem televisão, como se constata na generalizada
queda de audiência da Globo. Tudo converge para a internet, e já se
formou um consenso entre os estudiosos de que a televisão será a próxima
vítima.
Marcas
como a Netflix, o YouTube e a Amazon – que já anunciou que vai produzir
conteúdo de entretenimento – tomarão inexoravelmente o lugar de marcas
de outra era, como a Globo no Brasil. A famosa grade da Globo morrerá
com os consumidores que verão os programas quando quiserem, onde
quiserem e se quiserem.
E
então o serviço da esperteza ficará completo. Quando os herdeiros dos
três filhos de Roberto Marinho eventualmente pensarem em vender um
negócio que vai valer cada vez menos e doer cada vez mais, vão topar com
o mesmo quadro que massacra hoje as esperanças vendedoras das novas
gerações das famílias da mídia impressa.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
O esquema Globo de publicidade
O esquema Globo de publicidade
Comuns no mercado, Bonificações por Volume direcionam anunciantes aos maiores grupos de mídia; especialistas criticam prática criada pela Rede Globo
Patrícia Benvenuti
Mais de 16 milhões de comerciais por ano e um relacionamento com 6 mil agências. Esse é um resumo do desempenho da Rede Globo junto ao mercado publicitário brasileiro, orgulhosamente exibido na página de internet da emissora.
Líder na arrecadação de verbas publicitárias entre todos os meios de comunicação, a Globo também mostra sua força em cifrões. Somente em 2012, os canais de TV (abertos e por assinatura) das Organizações Globo arrecadaram R$ 20,8 bilhões de reais em anúncios, segundo informe divulgado pela corporação.
Por trás dos números, porém, se esconde uma prática que os grandes grupos de mídia preferem ocultar: o pagamento das Bonificações por Volume (BV), apontado por especialistas como um dos responsáveis pelo monopólio da mídia no país.
Monopólio
Desconhecidas pela grande maioria da população, as Bonificações por Volume são comissões repassadas pelos veículos de comunicação às agências de publicidade, que variam conforme o volume de propaganda negociado entre eles.
A prática existe no Brasil desde o início da década de 1960. Criada pela Rede Globo, seu objetivo seria oferecer um “incentivo” para o aperfeiçoamento das agências. Com o tempo, outros veículos aderiram ao mecanismo, que hoje é utilizado por todos os conglomerados midiáticos no Brasil.
O pagamento dos bônus, no entanto, é alvo de críticas de militantes do direito à comunicação, que argumentam que a prática impede a concorrência entre os meios de comunicação na busca por anunciantes. Isso porque, quanto mais clientes a agência direcionar a um mesmo veículo, maior será o seu faturamento em BVs.
Para o professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Venício Artur de Lima, a prática fortalece os grandes grupos, já que leva anunciantes aos meios que recebem publicidade. “Exatamente por terem um volume alto de publicidade é que eles [meios] podem oferecer vantagens de preço”, explica.
O resultado desse processo, segundo o professor, é a dificuldade de sobrevivência dos veículos de menor capacidade econômica, que não têm recursos para as bonificações. “Você compara um blog ou um portal pequeno com um portal da UOL, por exemplo. Não tem jeito de comparar, são coisas desiguais”, afirma.
Antes restrita às mídias tradicionais, as bonificações vão ganhando novos nichos. De acordo com agências de publicidade e com o presidente do Internet Advertising Bureau (IAB), Rafael Davini, atualmente o Google também utiliza BVs. Segundo informações do mercado, o Google seria hoje o segundo grupo em publicidade no Brasil, ficando apenas atrás da Rede Globo.
Líder em BVs
O exemplo mais forte da relação entre bônus e concentração, para o jornalista e presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, é o caso da televisão. “Todos os canais fazem isso, é uma forma de manter a fidelidade da agência de publicidade com o veículo. Só que, como a Globo é muito poderosa, a propina é muito maior”, diz.
De acordo com dados do Projeto Inter-Meios, da publicação Meio & Mensagem, a publicidade destinada à TV aberta em 2012 foi de R$ 19,51 bilhões. Cerca de dois terços desse valor ficaram com a Globo.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) e editor da Revista Fórum, Renato Rovai, outro procedimento adotado pela emissora é o repasse antecipado dos bônus. “A Globo estabelece uma bonificação por volume de publicidade colocada e antecipa o recurso. Aí a empresa fica presa a cumprir esse objetivo. É assim que fazem o processo de concentração”, ressalta.
Borges critica ainda o silêncio midiático em torno do assunto. “É um tema-tabu, nenhum veículo fala. Como todo mundo utiliza, ninguém pode reclamar. Fica todo mundo meio cúmplice”, dispara.
Regulamentação
Em 2008, as bonificações foram reconhecidas e regulamentadas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão (CNPE), entidade criada pelo mercado publicitário para zelar as normas da atividade. O CNPE classifica os bônus como “planos de incentivo” para as agências.
Dois anos depois, as bonificações foram reconhecidas também por lei. Elas estão previstas na Lei nº 12.232, que regulamenta as licitações e contratos para a escolha de agências de publicidade em todas as esferas do poder público. Segundo o texto, “é facultativa a concessão de planos de incentivo por veículo de divulgação e sua aceitação por agência de propaganda, e os frutos deles resultantes constituem, para todos os fins de direito, receita própria da agência”.
Para Renato Rovai, a aprovação do texto agravou o problema. “É uma corrupção legalizada. Nenhum lobby é legalizado no Brasil, mas o BV é”, critica o presidente da Altercom.
A Lei nº 12.232 também foi objeto de polêmicas durante o julgamento da ação penal 470, no caso que ficou conhecido como “mensalão”. Isso porque o texto original da lei permitia que as agências ficassem com o bônus, mas só para contratos futuros. Entretanto, uma mudança feita na Comissão de Trabalho em 2008 estendeu a regra a contratos já finalizados. O fato gerou discordância entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ayres Britto chegou a afirmar que as alterações foram feitas para beneficiar os réus do “mensalão”, acusados de peculato referente a desvios de Bvs.
Mudanças
Mudar a legislação, na avaliação do presidente da Altercom, é um passo fundamental para acabar com a prática das bonificações por volume. No entanto, são necessárias mais medidas para reverter o quadro atual da mídia no país. “É preciso mudar a regulamentação e criar um novo marco legal, incluindo as agências”, defende Rovai. Uma das propostas para isso é o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para as Comunicações. Criado por organizações populares, o PL visa, dentre outros objetivos, combater o monopólio no setor e garantir mais pluralidade nos conteúdos.
Em seu artigo 18, o projeto propõe que “os órgãos reguladores devem monitorar permanentemente a existência de práticas anticompetitivas ou de abuso de poder de mercado em todos os serviços de comunicação social eletrônica”, citando “práticas comerciais das emissoras e programadoras com agências e anunciantes”. Para se transformar em um projeto de lei, a proposta precisa de um 1,3 milhão de assinaturas.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
PEC 37
PEC 37: advogado mais famoso do Brasil diz MP só quer mídia e sair no Jornal Nacional
Ao participar de seminário organizado pela Polícia Federal (PF) para discutir a Proposta de Emenda Constitucional nº 37 (PEC-37), que impede promotores de abrir inquéritos criminais, o ex-ministro da Justiça do governo Lula, Márcio Thomaz Bastos, apontou nesta 6ª feira (ontem) que o Ministério Público (MP) é seletivo ao abrir inquéritos criminais, porque seus membros só escolhem casos com grande repercussão.
“O objetivo do Ministério Público é selecionar casos, os que dão mídia, dão glória, saem no ‘Jornal Nacional’. Não querem amassar barro”, afirmou o jurista.
Na avaliação do ex-ministro, a PEC-37 nada mais é do que uma reação ao “número absurdo de procedimentos de investigação criminal que surgiram no Brasil”.
Thomaz Bastos denunciou mais: os promotores abrem uma investigação “que começa dos culpados e vai adiante até que se consegue comprovar suficientemente um crime.
Chamar isso de PEC da Impunidade (como o fazem membros do MP e demais defensores da rejeição da PEC) é jogo retórico, se não for uma bobagem.”
A PEC-37, em tramitação há meses no Congresso Nacional, estabelece que apenas os policiais terão poder de apurar crimes, impedindo, assim, uma atuação investigativa do MP que, pela Constituição só subsidiariamente pode fazer esse trabalho em parceria com a polícia.
Uma comissão integrada por parlamentares e membros do Judiciário discute o texto e a previsão é que seu relatório com sugestões seja apresentado na semana que vem.
Com a conclusão dessa etapa, a PEC estará pronta para ser votada no plenário da Câmara. O presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) planeja colocar a PEC-37 na pauta e em votação no início do mês que vem. Como se vê, o MP sabe que a PEC será aprovada e está apostando agora na negociação.
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