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sábado, 20 de julho de 2013

ALÔ, COXINHAS: CADÊ O FORA ALCKMIN?

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ALÔ, COXINHAS: CADÊ O FORA ALCKMIN?


ALÔ, RAPAZIADA ESPERTA DO PSOL, PSTU E PCO; ALÔ, PESSOAL DO BLACK BLOCS E DO ANONYMOUS, ALÔ MOÇADA DO MPL, GAROTADA DO 'ACORDA BRASI'L, COXINHAS LIDERADOS PELO HERÓI DAS AMARELAS DA VEJA, SENHORES QUE CARREGAM VASSOURAS DE CABO DE PLÁSTICO VERDE, CAMINHONEIROS, MÉDICOS, PELADÕES DE PORTO ALEGRE, EQUIPE DA MÍDIA NINJA; ALÔ, GRISALHOS E VELHINHOS QUE PERDEM O SENSO CRÍTICO DIANTE DE MANIFESTANTES SÓ PORQUE ELES PODIAM SER SEUS NETOS; ALÔ, ENFIM, PARA ESTA TURMA BACANA TODA: A QUE HORAS VAI SER O 'FORA ALCKMIN!' NA FRENTE DA CASA DO GOVERNADOR DE SÃO PAULO?






PS: AOS DE RACIOCÍNIO MAIS LENTO, ADVIRTO QUE ISTO É UMA IRONIA. SOU CONTRA O 'FORA ALCKMIN' COMO SOU CONTRA O 'FORA CABRAL', TANTO QUANTO SOU CONTRA QUALQUER RUPTURA INSTITUCIONAL DESTE TIPO QUE NÃO SEJA RESULTADO DE UM IMPEACHMENT DEBATIDO E VOTADO DEMOCRATICAMENTE, DE UMA CONDENAÇÃO PELA JUSTIÇA TRANSITADA EM JULGADO OU DE UMA RENÚNCIA.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Alckmin diz que não 'rasga contrato', mas precisa reajustar pedágios

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Alckmin diz que não 'rasga contrato', mas precisa reajustar pedágios

Por Guilherme Soares Dias | Valor
CAMPINAS  -  O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou hoje que as 12 concessões rodoviárias mais antigas do Estado, assinadas pelo governo  na década de 1990, terão os contratos revistos. Ele disse, contudo, que a renegociação que está em curso não envolve quebra de contratos. A questão, segundo ele, é de reequilíbrio financeiro. “São Paulo não rasga contratos, mas é preciso levar em conta as novas condições macroeconômicas, já que são acordos de longo prazo, de 20 a 30 anos e, neste período questões como a taxa de juros [Selic] e taxa de interna de retorno mudaram”, afirmou, em Campinas.
Questionado sobre quando deve ocorrer as alterações dos contratos, Alckmin afirmou que ainda não há uma data exata. O governador também não quis cravar o percentual da redução da tarifa das 12 concessões mais antiga. Reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" publicada hoje dá conta que o Estado negocia redução entre e 10% e 20% das tarifas de pedágios das praças paulistas.
O governador admitiu ainda que as negociações envolvem o reajuste das tarifas de pedágio previsto para julho. Já o reajuste do Metrô e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ainda não têm data definida. “Não realizamos aumento, apenas corrigimos a inflação”. O aumento foi adiado a pedido do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para evitar pressões inflacionárias. Historicamente, os reajustes são realizados em fevereiro.
Histórico
O governo de São Paulo já vem tentando adotar novos moldes nos contratos com as concessionárias de rodovias há algum tempo. Em novembro de 2012, depois de um ano de negociações, o governo paulista incluiu pacote de obras no contrato da Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, e adotou uma nova metodologia.
O contrato era para implantação de anel viário, novas ligações entre rodovias e ampliação de estradas na Baixada Santista com investimentos que somam R$ 328 milhões.
O aditivo do contrato para a obra previu, pela primeira vez em um contrato de concessões em São Paulo, a redução da Taxa Interna de Retorno (TIR) da concessionária de 20,59% para 9,1%. Neste caso, o reequilíbrio foi feito com a extensão do prazo do contrato em 18 meses e 11 dias.
De acordo com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), a negociação utilizou nova fórmula que permitiu reequilíbrio condizente com a realidade econômica atual, sem onerar os usuários. “Os contratos da primeira etapa de concessões foram assinados em meio a uma realidade econômica de instabilidade monetária e altos índices de inflação. Assim, a TIR desses contratos tem índices altos quando comparadas com o mercado atual. Esse fato gera uma distorção ao fazer o equilíbrio econômico-financeiro pela inserção de novas obras ou serviços não previstos originalmente em edital”, informou a agência, em nota, na época da assinatura do contrato.
(Guilherme Soares Dias | Valor)


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sábado, 15 de junho de 2013

NOSSO AMADO GOVERNADOR!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Alckmin transforma São Paulo na capital do crime

Alckmin transforma São Paulo na capital do crime

A revista IstoÉ desta semana traz matéria de capa contundente sobre a péssima política de segurança pública feita em 18 anos de governo tucano no estado de São Paulo, hoje comandada por Geraldo Alckmin (PSDB).

A revista mostra que os governos tucanos sucatearam a Polícia Civil. Déficit de policiais e péssimos salários tiraram recursos que tornaram a polícia incapaz de elucidar o grande volume de crimes, criando a sensação de que o crime compensa em São Paulo.

Eis os principais trechos:


O governo paulista dispõe do segundo maior orçamento do País e emprega um contingente policial numericamente superior ao de muitos países latino americanos. São cerca de 120 mil policiais civis e militares. Bem usada, seria uma garantia de paz à população da cidade. Mas, apesar de tantos dados superlativos, São Paulo está de joelhos diante da criminalidade.
(...)
Na sexta maior cidade do mundo, o crime foi banalizado. A vida foi banalizada. Amparados na ausência de uma política de segurança pública, na omissão das autoridades constituídas e na inépcia de policiais – muitos ligados às bandas podres da instituição e outros desmotivados e até cerceados para o exercício de suas atividades –, os bandidos não escolhem hora e nem lugar para agir. 
(...)

Nem mesmo as câmeras espalhadas pela metrópole impedem uma matança que não escolhe alvos. Ao contrário, o que elas registram são imagens muito fortes de mortes cruéis, com impacto devastador e revoltante sobre quem as assiste. (...) A certeza da impunidade produto da letargia da polícia e da Justiça dão ânimo à crescente ousadia dos marginais.
(...)
A escalada de latrocínios – roubos seguidos de mortes – que aterroriza os paulistanos além de revelar a falência de um modelo de segurança pública que há duas décadas se instalou no Estado, também desafia os acadêmicos. ... afirma o sociólogo Benedito Domingos Mariano, ex-ouvidor da Secretaria de Segurança de São Paulo. “Mas hoje essas causas não podem ser usadas como justificativa para escamotear as deficiências estruturais das polícias na atribuição de garantir a segurança pública”.
(...)
Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, a maior preocupação de 42% dos moradores da capital é ter a casa invadida ou sofrer um assalto na rua.
(...)
Na prática, enquanto a bandidagem circula tranqüila, os cidadãos sentem-se aprisionados. Mas o que fez com que São Paulo chegasse a esse estado de barbárie? Segundo especialistas, nos últimos 20 anos o Estado não formulou uma política de segurança de médio e longo prazo. Apenas trabalhou com a questão da violência policial, alternando momentos de uma polícia matadora com momentos de uma polícia mais contida. Com essa fórmula, acabou não conseguindo punir efetivamente os maus policiais e os bons se sentem amarrados, na medida em que são obrigados a até contar e explicar cada tiro disparado. O problema é que para enfrentar o crime não precisamos necessariamente de uma polícia arbitrária. Precisamos, sim, de uma polícia eficiente.
(...)
O latrocínio talvez seja o crime que mais assusta a população porque parece imprevisível. Ele começa com um assalto e termina em assassinato. (...) em São Paulo, este ano, o aumento de 64% nas estatísticas desse tipo de crime é, além de intimidador para as pessoas, revelador da inação oficial. 
(...) 
Para Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública da Fundação Getúlio Vargas, matar não é a finalidade do ladrão. (...) “Só conseguiremos diminuir o número de crimes violentos quando provarmos que não dá certo, que a possibilidade de ele ser preso é maior se ele matar. O problema é que a investigação, por regra, não é feita”, diz. A especialista em criminologia Ilana Casoy acredita que esse tipo de comportamento dos marginais pode ser explicado, em parte, pelo fato de que, no Brasil, o risco de roubar compensa. “Apenas 2,5% dos roubos são resolvidos. Nenhum outro negócio tem tal índice de sucesso. No caso de mortes, a chances de encontrar o autor são de 6%. Na Inglaterra são de 90%.” Para ela (...) é preciso investir em infraestrutura de investigação e inteligência, aspecto negligenciado pela Secretaria de Segurança Pública.
(...)
A ousadia dos bandidos caminha na direção oposta à competência da polícia. Numa demonstração de que não temem o efetivo policial, eles chegam a cometer assaltos nos mesmos lugares por dias consecutivos sem serem incomodados.
(...)
A ousadia dos bandidos caminha na direção oposta à competência da polícia. Numa demonstração de que não temem o efetivo policial, eles chegam a cometer assaltos nos mesmos lugares por dias consecutivos sem serem incomodados. (...) Há mais duas décadas, é sabido que nas cercanias da PUC, o número de carros roubados é enorme. Continua assim. E, isso traz aos marginais a certeza da impunidade. Em 14 de maio, em frente à universidade, o estudante Bruno Pedroso Ribeiro, de 23 anos, foi alvejado no pescoço depois de dar o celular ao seu algoz.
(...)
Só em 2012 foram registrados mais de 125 mil roubos na região metropolitana de São Paulo. Mas, apesar de toda a crueldade, não existe crime, organizado ou não, que resiste a uma política de segurança inteligente.
(...)
Cobrado por medidas mais efetivas, o governador paulista lançou há três semanas seu terceiro pacote de segurança em três anos. Alckmin anunciou a intenção de dar bônus a policiais que cumprirem metas de redução de criminalidade em suas regiões, entre outras medidas, como a ampliação do efetivo, o que depende de concurso público. Segundo George Melão, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, no entanto, o governo terá de sentar à mesa e negociar se quiser avançar. “Calculamos que, para atender a demanda de investigação dos dias de hoje, precisamos entre 12 mil e 15 mil novos policiais civis”, diz. Ele também aponta a necessidade de melhorar a remuneração do policial no Estado, que é de R$ 2,5 mil em média, assim como a dos delegados, de R$ 7,2 mil. “O salário dos delegados em São Paulo é o pior entre todos os Estados da federação e, mesmo assim, o governo não se mostra disposto a negociar”, diz.

SP TEM MÉDIA DE 3 PRISÕES A CADA 100 CRIMES VIOLENTOS

domingo, 2 de junho de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

ALCKMIN E O MINISTRO...

“Não adianta dar bônus para a polícia se não temos armas.”

“Não adianta dar bônus para a polícia se não temos armas.”

by bloglimpinhoecheiroso

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“Alckmin está perdido.”
Um sargento da PM falou com o Diário sobre a crise na segurança pública em São Paulo e expôs o modo de viver e pensar da corporação.
Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo
O bônus semestral que Geraldo Alckmin anunciou que quer dar aos policiais foi criticado unanimemente pelas entidades de classe. A iniciativa, que faz parte do programa São Paulo Contra o Crime, prevê que quem conseguir bater a meta em sua área de atuação ganhará entre R$4 mil e R$10 mil. Os presidentes dos sindicatos preferem, compreensivelmente, aumento de salário.
Alckmin está vivendo, e não é de hoje, um inferno astral na segurança pública: na capital, o número de vítimas de homicídio doloso cresceu de 37,3% (de 91 em fevereiro para 125 em março), uma alta de 26,2% em comparação com dados do mesmo período do ano passado. As ocorrências durante a Virada Cultural expuseram um pouco mais o problema.
O que acontece com a polícia? O Diário conversou com o sargento PM Fernando C. Ele tem 49 anos, é divorciado e pai de cinco filhos. “O bônus é uma mágica do governo. Falta treinamento, falta mudar a metodologia, falta gente, faltam armas. A PM não tem condições de trabalho”, disse. Fernando pintou um quadro que revela o modo de pensar e de viver da PM e ajuda a explicar o momento que São Paulo atravessa.
Não adianta dar bônus ou colocar mais viaturas nas ruas. O Alckmin está perdido. Isso não é solução. Tem carros demais para pouco efetivo. Dentro da polícia, a orientação é a seguinte: o soldado atende a ocorrência que achar que der. Se não der, ele simplesmente não atende.
Muitas viaturas têm apenas um PM. São as viaturas “solitárias”. A população vê um carro da polícia e acha que está tudo bem. Não está. Um PM não resolve nada. A pergunta que se faz é: quem não tem segurança faz segurança para quem? Como eu vou proteger alguém se não sou protegido? Quando o PCC resolve fazer um “salve geral” [sair às ruas para executar policiais], os primeiros a morrer são os das “solitárias”. O comando avisa que vai ter isso, vai ter aquilo, mas não explica por que e nem o que vai acontecer.
Temos cerca de 80 mil homens distribuídos em 645 municípios no estado. A falta de material é absurda. É uma luta desigual. Durante muito tempo, a PM usava revólver 38 contra o crime, quando ele ainda não era organizado. Atualmente, as armas são calibre .40, enquanto os bandidos usam submetralhadora.
A PM prendia um cara e o apresentava na delegacia. Enquanto o policial estava terminando de preencher o boletim de ocorrência, o cara estava passando atrás dele, indo embora, depois de subornar o delegado. O raciocínio ficou o seguinte: já que tem acerto, eu mesmo acerto na rua. “Se eu não fizer isso, alguém vai fazer”, eles pensam. Funciona assim.
A corrupção corre solta: o policial toma R$50,00 de um bandido para soltá-lo, mas o delegado pega R$5 mil. Os PMs estão percebendo que, já que existe roubo, é melhor eles mesmos roubarem.
Quando o policial puxa o gatilho, ele não puxa sozinho. Eu já torturei. Uma vez, no Pico do Jaraguá, eu segurei um cara com a mão esquerda, à beira de um morro. Falei para ele imaginar que estivesse voando. Eu apontava para um passarinho e dizia que ele podia se salvar se soubesse voar. Ele não voou… Deu a informação que eu queria, nós pegamos as drogas e fomos à delegacia, mas percebemos que era entregar o ouro pra outro bandido. Por isso você vê investigador de Audi X-3, viajando para a Europa etc.
Eu nunca matei ninguém. O máximo que faço é o furinho, mas quem mata é o Senhor. Nesse sentido, já fiz furinho em um monte de gente. Já levei um monte de balas também. Dá última vez passei vários dias numa UTI, com quatro tiros. Ao sair do hospital, para minha surpresa, encontrei um dos que atiraram em mim. Eu disse a ele: “Fica calmo, nada vai acontecer a você agora, mas nós vamos acertar nossas contas”. Tive apoio dos companheiros para saber onde ele morava. Tirei-o de lá e cumpri o que havia lhe prometido.
Às vezes contamos com a ajuda do médico. Tem um hospital na Lapa em que um médico perguntava: “Polícia ou bandido?” “Polícia!”, ele atendia rapidinho. Se fosse bandido, ele demorava, mexia no pneu do carro e em outras coisas sujas e verificava a profundidade do disparo com o dedo. Se o cara morria de infecção, paciência. Afinal, ele teve assistência. Esse médico fazia uma seleção natural.
Quando Erasmo Dias era secretário de Segurança Pública de São Paulo, havia um boletim dizendo que o policial que “derrubasse” um bandido tinha 15 dias de dispensa. Eu fiquei seis meses em casa. Fui para a Bahia e foram as melhores férias da minha vida. Hoje, se você bater no cara, vai preso. Se não bater, vai preso também.
Toda viatura tem um recruta para fazer o serviço sujo. Ele se enquadra no artigo 50 do Código Penal Militar [que diz que o menor de 18 anos é inimputável]. O rapaz acha que está na viatura porque gostam dele, mas é para ele poder matar sem problema. Chamamos isso de “quebrar o cabaço do recruta”.
A polícia deveria ser treinada em contraguerrilha urbana, como na época do Lamarca. Hoje, vivemos uma época de emburrecimento. Tem três ou quatro psicólogos mandando desenhar árvore, gato… Aquela pessoa que está pintando uma vaca tem 30 anos de profissão. Em vez de contribuir para subir o moral da tropa, o efeito é oposto.
Uma das máximas da PM é que todo “paisano” é babaca. Quer dizer, quem não é policial é babaca. E isso é dito abertamente entre nós.
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Ataque do PCC: “O comando não avisa o que está acontecendo.”

quinta-feira, 9 de maio de 2013

MAIS UMA DO NOSSO GOVERNADOR!


Psicólogos veem “bolsa crack” como mais um retrocesso da gestão Alckmin

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Dependentes químicos se concentram em terreno baldio na região da Luz, antes da instalação do Cratod.
Benefício de R$1.350,00 por mês afeta tratamento humanizado e é visto como uso do desespero das famílias para política duvidosa que pode resultar em manipulação e transformar dependência em mercado.
Rodrigo Gomes, via Rede Brasil Atual
Militantes e especialistas em saúde mental consideram um novo retrocesso contra o tratamento humanizado a proposta do governo Geraldo Alckmin (PSDB) de conceder bolsas no valor de R$1.350,00 mensais, exclusivas para custeio do tratamento de dependentes químicos em comunidades terapêuticas privadas. Para os entrevistados, a proposta é obscura e pode fomentar um mercado de tratamento da dependência química, além de servir a interesses políticos. O Cartão Recomeço, que já está sendo chamado de “bolsa crack”, será lançado oficialmente na quinta-feira, dia 9, pelo governo estadual.
O benefício será concedido por um período de seis meses e deverá estar disponível em 60 dias. Não será possível sacar o benefício e o cartão será aceito apenas em entidades cadastradas. A proposta inicial é atender a 3 mil dependentes químicos maiores de 18 anos, que não conseguem atendimento devido à falta de leitos e equipamentos ocorrida após o início dos trabalhos do Centro de Referência em Álcool e Drogas (Cratod), em janeiro deste ano. Segundo a Secretaria de Assistência Social, as entidades serão escolhidas por capacidade técnica e regularidade de funcionamento, cujos parâmetros serão definidos em edital que será lançado nos próximos dias.
O conselheiro administrativo do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Joari Carvalho, chama atenção para a falta de clareza da proposta. “Não se sabe nada além do fato de que haverá um auxílio financeiro. Quais serão as diretrizes de tratamento? Quais serão os critérios para selecionar as entidades e os pacientes? No início do ano não havia verba destinada para isso no orçamento. E agora surgiu como política do governo estadual”, analisa. Ele afirmou, também, que os conselhos estaduais de saúde e políticas sobre drogas não foram consultados sobre a proposta.
Carvalho teme a manipulação das pessoas para benefício de grupos políticos. “Está se usando o clamor social e o desespero das famílias para estabelecer uma ação duvidosa, tanto no tratamento como na questão do controle social e da fiscalização do dinheiro que será aplicado. Já existem denúncias, Brasil afora, da associação destas entidades a parlamentares que defendem a internação compulsória”, pondera. E questiona o direcionamento de recursos para instituições privadas. “Temos políticas públicas para atender a população com problemas de dependência química. No entanto, elas não têm recebido investimento adequado. Mas dinheiro, nota-se que tem”, pondera.
O presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, Rogério Giannini, avalia que a proposta é mais um passo atrás em um trajeto iniciado com as internações compulsórias. “É uma prática manicomial. No geral, essas comunidades não contam com atenção clínica ou grupos multidisciplinares, que é um princípio básico de atendimento estabelecido no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). É simplesmente o isolamento e a abstinência forçados”, afirma. Segundo Giannini, existem muitas denúncias sobre trabalho forçado, práticas de esgotamento, como ocupação contínua e horários extasiantes, relacionadas a tais comunidades.
Giannini defende o fortalecimento de ações preconizadas no SUS, como atendimento multidisciplinar, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), hospitais-dia, entre outros. Além disso, explica que o isolamento não deveria ser estimulado, pois “questões psíquicas e de drogadição são sociais e não individuais”. E faz um alerta: “Instituir a bolsa pode incentivar as famílias a buscar a internação, como se fosse a única solução, fazendo com que o tratamento se torne um mercado, desestimulando ainda mais o desenvolvimento de políticas públicas”, avalia.
Para eles, há uma tentativa de confundir a comunidade terapêutica com a residência terapêutica. “As residências terapêuticas são utilizadas somente em casos extremos e propõe socialização, grupos de trabalho multidisciplinar, redução de danos e prática autogestionária que traz o dependente para o centro do tratamento, como parte dele.” Por outro lado, as comunidades “propõem um tratamento religioso, baseado em orações e ocupação contínua, onde a participação de profissionais de saúde não é aceita”. Ambos concordam que o problema não é a existência das comunidades, mas o direcionamento de verba pública para fomentar o tratamento privado e sem relação com o SUS.
O governo estadual informou que a iniciativa busca ampliar os locais de tratamento e a oferta de vagas para os dependentes químicos. O programa será gerido por um grupo de trabalho coordenado pelo professor titular do departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira. Nesta primeira fase, a gestão Alckmin vai cadastrar entidades que prestam serviço de internação em 11 municípios: Diadema, Sorocaba, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José dos Campos, Osasco, Santos e Mogi das Cruzes.

ALCKMIN...


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