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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Minas Gerais: onde estão Ana Clara, Mateus, Yuri e Thiago?

Minas Gerais: onde estão Ana Clara, Mateus, Yuri e Thiago?:

Por Alceu Luís Castilho publicado no site Jornalistas Livres

Imagem: Gustavo Ferreira/Jornalistas Livres

Tragédia em Minas não terá sua “foto de criança síria”; postura das autoridades e da imprensa, até agora, é protocolar, sem empatia com a população atingida.

Há uma história dentro da história do desabamento das barragens em Mariana (MG): a das crianças, tratadas com um descaso protocolar pela imprensa brasileira. Emanuele Vitória Fernandes, de 5 anos, foi encontrada morta a 70 quilômetros de Mariana, e o UOL registra de forma contábil: “Garota de 5 anos é quarta morte confirmada em MG”. Quem era ela? Onde estudava? Lemos apenas – como em uma necrópsia – que a criança foi reconhecida pela família “por conta do cabelo, formato do pé e arcada dentária”.

Quatro crianças entre os 22 moradores e trabalhadores da Samarco ainda estão desaparecidas, conforme a lista divulgada pela prefeitura e pelos Bombeiros. São elas: Thiago Damasceno Santos, de 7 anos; Ana Clara dos Santos Souza, de 4 anos; Mateus Dias Batista, de 5 anos; e Yuri Dias Batista, de 3 meses. (Os dois irmãos desapareceram com a mãe, outra Ana Clara.) Onde elas estão?

Um dos livros-chave para se entender o drama de pessoas desaparecidas no Brasil é “Onde foi que enterraram nossos mortos?”, de Aluizio Palmar (Travessa dos Editores, 2005). Ele trata de seus companheiros assassinados pela ditadura de 1964, com direito a investigação própria sobre o paradeiro de cada um. O livro não é somente sobre a resistência. Mas sobre a busca, a angústia de não se saber onde estão aqueles corpos. Sobre essa dor específica – e dilacerante.

Para onde exatamente a Samarco levou (já que é dela a responsabilidade pela barragem) Ana Clara, Mateus, Yuri e Thiago? E as demais pessoas que não conseguiram escapar da avalanche de resíduos da mineração? A questão não é alimentar esperanças em vão – de vidas que certamente se foram. Mas de oferecer aos familiares a efetiva possibilidade de resgate dos corpos. (Enquanto a lama que soterrou a região, dizem especialistas, vai sendo nada menos que cimentada.)

A repórter Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres, foi até Mariana e resumiu esse drama da seguinte forma: “Acusada de responsável pela tragédia, empresa da Vale cuida da cena do crime, exclui imprensa e deixa o povo de fora. Tá certo isso?”

Seguem perguntas feitas por moradores, coletadas pela repórter: “Por que estão nos impedindo de entrar em Bento Rodrigues? A gente poderia ajudar na localização e no resgate dos desaparecidos e dos animais, porque conhecemos como ninguém a região. O que estão querendo esconder?”

Em meio aos silêncios (empresariais, políticos e midiáticos), o Brasil acompanha as  buscas como se elas fossem algo rotineiro, robótico, um trabalho cotidiano para os Bombeiros. Alguns, nas redes sociais, não se acanham em dizer que têm mais piedade pelos animais. Nenhuma chance à vista de uma comoção – nacional e internacional – como aquela despertada pela criança síria achada morta na praia.

Invisíveis, os refugiados brasileiros dificilmente terão sua foto emblemática. Não se verá algum executivo falando de Ana ou de Yuri, ou algum político (procura-se um estadista) preocupado com Matheus e Thiago. Não por eles, apenas – mas por todos, pelos mortos e pelos sobreviventes, pelo necessário resgate da humanidade em meio a essa lógica empresarial, dilaceradora.

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