Luis Nassif: Os últimos momentos do jornalismo de papelby bloglimpinhoecheiroso |
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Na sexta feira, dia 17, a editoria Poder, do jornal Folha de S.Paulo,
publicou seis matérias. A primeira, sobre a votação da Lei dos Portos,
dividida em algumas sub-retrancas. A mais importante descrevia a votação
e as reações suscitadas, com informações que já haviam sido
abundantemente exploradas no dia anterior, inclusive pela Folha online.
No Estadão, reduziram-se cadernos, notícias e equipes.
Historicamente,
o produto “notícia” sempre se baseou em poucas variedades de
embalagens. Nos jornais mundiais de maior peso – formadores de opinião
–, buscava-se diferenciar do produto “entretenimento”. Para tanto,
recorria-se a um estilo sóbrio, a um conteúdo analítico privilegiando o
conceito de relevância.
Graças
a isso, preservaram um público exigente, formador de opinião, que
demanda do jornal o tratamento objetivo dos fatos e o exercício racional
da análise, independentemente da linha política do jornal.
No
caso brasileiro, desde os anos de 1990 os grandes jornais decidiram
investir na notícia “entretenimento” e se valer dos recursos da
dramaturgia como parte central da sua operação.
Esse estilo consistia no seguinte:
1.
Privilegiar sempre o fato próximo ao universo de informações do leitor
comum. Por exemplo, se há uma reunião que define pontos importantes para
o destino do País, privilegie a futrica, o detalhe pitoresco (bocejo de
um dos presentes, ironia de outro etc.) em detrimento do assunto
tratado.
2.
No caso de grandes escândalos, tratar os personagens centrais com a
caracterização dos roteiros de novelas, transformando-os em vilões
completos ou em heróis imaculados.
3.
Na hora da dramatização, não se prender aos fatos porque, em geral, são
muito menos interessantes do que a fantasia. Com isso, aboliram-se os
filtros mínimos de qualidade.
Durante
algum tempo, funcionou, especialmente no período da redemocratização,
no qual as fórmulas sensacionalistas, após anos de censura, eram
novidade.
De
início, houve queda de qualidade e da credibilidade. Com a ampliação da
internet, esse modelo ruiu. O jornalismo entretenimento consolidou-se
na televisão – de programas mais toscos, policialescos, a programas mais
elaborados, tipo Fantástico. A migração do leitor de entretenimento
acelerou com a internet, oferecendo um prato para cada paladar.
Para
se destacar no caos da internet, os jornais teriam de investir no rigor
e no discernimento. Mas radicalizaram no show. Com isso, perderam os
leitores de entretenimento e os leitores formadores de opinião. Ainda
mantém o prestígio junto a setores mais refratários a mudanças, como os
políticos e o Poder Judiciário. Mas é questão de tempo.
Também
os grandes jornais migrarão para a internet, terminando suas operações
impressas. Mas lá serão apenas mais um agente de informação, com algum
peso, mas sem poder mais ditar os rumos da opinião pública.
Cada
dia em sua vida, nunca é mais, será sempre menos, deixando para trás
seu grande momento de glória, os anos de 1990, no qual toda a opinião
pública era conduzida por um aparato extraordinariamente reduzido de
publicações: Folha, Estado, Veja, devidamente repercutidos pelo Jornal Nacional.
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