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terça-feira, 21 de maio de 2013

O vínculo do alto comando da ditadura com as torturas


O vínculo do alto comando da ditadura com as torturas

Por Marco Antonio L.
Da Rede Brasil Atual
Ex-militante conta na Comissão da Verdade da cidade de São Paulo como foi libertada do DOI-Codi em 1975, após visita do general comandante do 2° Exército, seu primo  por Eduardo Maretti, da RBA publicado 20/05/2013 18:37, última modificação 20/05/2013 18:57  Mozart Gomes. Câmara Municipal 
Sarita afirmou que, depois que seu tio passou pelo local, os militares passaram a oferecê-la privilégios
São Paulo – A ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Sarita D'Ávila Mello contou hoje (20), na Comissão da Verdade municipal de São Paulo, que a presença de seu primo, o general Ednardo D’Ávila Mello, então comandante do 2º Exército, foi determinante para sua soltura do DOI-Codi, onde ficou por cerca de dez dias. Sarita foi solta numa sexta-feira, 24 de outubro de 1975, um dia antes da chegada do jornalista Vladimir Herzog ao local. Herzog foi assassinado no dia seguinte.
O general Ednardo era primo do pai dela, Newton Nunes D’Ávila Mello. “A intenção desta audiência foi mostrar a interferência direta do comandante do Segundo Exército, fardado, dentro do sistema da repressão”, explicou o presidente da Comissão da Verdade, vereador Gilberto Natalini (PV), durante o evento na Câmara Municipal, no centro da cidade. “A tortura, portanto, não era feita por loucos sem comando. O general Ednardo foi lá pessoalmente para evitar que uma parente sua fosse torturada como os outros presos.”
Sarita relatou que o general Ednardo D’Ávila Mello chegou à sala quando ela estava começando a receber choques elétricos. “Quando vi o general, pensei que fosse meu pai, por serem parecidos”. Segundo ela, o general pediu aos torturadores que preservassem a vida da moça. Ele teria solicitado ainda aos que a custodiavam que dessem um suco de laranja a ela. Sarita afirmou ter recusado aceitar o suco se suas companheiras de prisão também não recebessem o "privilégio". À tarde, relatou, ela e todas as suas colegas de prisão receberam leite com café e pão com manteiga.
Hoje professora de História, Sarita D'Ávila Mello contou que foi presa em casa e que preferiu não fugir, mesmo ao chegar em casa e encontrar a polícia. Ela diz que foi ao DOI-Codi com o pai sob o pretexto de que iria apenas prestar depoimento, mas, ao chegar lá, o pai foi dispensado.

De acordo com Sarita, no dia seguinte à sua prisão seu pai conseguiu falar com o comandante do Segundo Exército. “Meu pai disse a ele: ‘Não quero me meter no trabalho de vocês’, e pediu ao primo para que a minha vida fosse preservada”, lembrou. Depois da visita do tio às dependências do DOI-Codi, contou, não foi mais interrogada. Lembrou também que ficou encarcerada ao lado da sala em que pessoas eram torturadas e que ouvia gritos e música sertaneja em volume alto.

No depoimento na Câmara, ela se dirigiu aos jovens presentes à audiência para dizer que “corrupção existia também na ditadura, como hoje, mas a diferença é que na ditadura tudo ia para baixo do tapete”. “Na ditadura – acrescentou –, só se discutia e se fazia isso que estamos fazendo aqui, hoje, na clandestinidade.” Para Sarita, os militares que participavam da repressão eram “cães raivosos”. A ex-militante disse que nunca mais militou depois de sua prisão e libertação.
O advogado Belisário dos Santos Junior, que atuou na defesa de ex-presos políticos, disse que o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) foi o período em que mais houve assassinatos da ditadura brasileira (1964-1985). "Não se pode esquecer que esse aparato de cães raivosos era formado por homens que tinham família e filhos. Jorge Rafael Videla comungava todos os domingos. O lugar onde Sarita esteve foi emprestado pelo governo Paulo Maluf ao 2º Exército”, disse Santos Junior, em referência ao ditador argentino e ao ex-governador biônico, que cedeu em 1978, por decreto, o prédio onde Sarita esteve presa.

A foto de Herzog

A Comissão da Verdade da Câmara Municipal recebe, na semana que vem, o fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, que atualmente mora nos Estados Unidos. Vieira fez a famosa foto de Vladimir Herzog morto na cela em 1975. Na época com 22 anos, ele trabalhava para a Polícia Civil e a imagem foi resultado de uma “aula prática”.

Vieira visitará o antigo prédio do DOI-Codi com uma comissão de vereadores na segunda-feira (27) e, na terça, dará seu depoimento em audiência pública na Câmara. Ambos os eventos serão às 11h.

O vereador Natalini contou que a comissão está tentando o depoimento de Delfim Netto, ministro da Fazenda durante o regime autoritário, para tentar mostrar a versão civil da ditadura e mostrar os empresários que financiavam os militares. A comissão ainda não obteve retorno de Delfim.
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